A AVENTURA DO DESENHO

painel Unifor

O desenho é uma atividade natural do ser humano.

As crianças nascem e aprendem logo a desenhar quase que ao mesmo tempo em que aprendem a falar, andar e pensar.

Desde os tempos mais remotos as imagens desenhadas aparecem como os primeiros registros das observações e reflexões sobre o mundo em volta.

Do homem das cavernas, de milênios atrás, ao cyberman digital da atualidade vivemos num mundo de imagens que surgem, desaparecem ou permanecem a cada instante.

A maioria das pessoas diz que não sabe desenhar se esquecendo que na infância passaram momentos de desfrute e criação junto dos lápis e papeis sem sequer considerar se sabiam ou não, mas se descobrindo ao produzir novos traços e formas.

Aí perguntamos:

- Em que momento e porque as pessoas desaprendem a desenhar?

- Quem as desensinou?

- Esta foi uma censura externa ou interna?

Desenhar é correr um risco, nos dois sentidos: o risco-traço gráfico que registra a imagem ou o risco que arrisca o perigo de errar, de não conseguir a figura imaginada; mas também de poder gerar um registro que servirá a muitos no campo da comunicação informal ou programada, da beleza, da técnica ou da arte.

Nas línguas inglesa e espanhola existem dois sentidos para a palavra portuguesa ‘desenho’: eles usam ‘drawing/dibujo’ para definir o desenho técnico ou funcional; e a palavra ‘design/diseño’ para indicar o que entendemos por projeto.

A palavra design se traduz como desígnio, plano, intento, destino que são as missões de um projeto que pode ser transformador, revelador ou mesmo desagradável e predador.

Nesta missão das linhas não importa se elas foram geradas pela mão ou pelo computador que são meras ferramentas que manifestam os impulsos da mente e do espírito humano.

O desenho alcança seu papel mais importante quando se transforma em obra de arte, ou quando descreve um projeto, funcionando como um idioma gráfico que propõe o futuro.

Então, qual a sua relação com o desenho? Você ainda é capaz de se expressar através das linhas, das formas e das cores, sem se importar se alguém faz melhor, ou se não alcança a sua precisão desejada?

Não existe erro na espontaneidade.

Texto síntese dos argumentos sobre o desenho apresentados na palestra ‘Os Sentidos da Arquitetura’.
O  quadro da foto superior, foi desenhado pelo arquiteto José Eusébio Silveira ao vivo em 09/05/2013 na Escola de Arquitetura da Unifor em Formiga, MG com os projetos de JD enquanto eram apresentados. Após a exposição os estudantes foram convidados a fazer um grande desenho coletivo.

desenho coletivo Unifor

Oscar e as sonoras lembranças da Pampulha

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Vim morar em Belo Horizonte com menos de um ano de idade e quando comecei a descobrir seus espaços, ruas e edifícios fui dando conta que a cidade combinava bem com as canções da bossa nova que meus pais ouviam em casa.

Uma visão inicial de modernidade naquela época intuitivamente já habitava minha mente infantil e naquele começo dos anos 60 os nomes de Tom Jobim e Oscar Niemeyer se confundiam nos ambientes internos e externos de minha vida.

Eu reparava as construções em curvas e retas elegantes da cidade e me diziam que eram deste tal de Niemeyer e, mesmo que não fossem na verdade todas dele, estas obras compunham para mim um cenário urbano para a trilha sonora doméstica proposta pelas batidas moduladas do violão de João Gilberto.

Muitos anos depois eu estava pela primeira vez em Barcelona e fui visitar o colega Josep Maria Botey que acabava de receber os primeiros exemplares do livro que escrevera sobre Niemeyer para a coleção Paperback da Gustavo Gili, e ele me pediu que levasse alguns exemplares ao Oscar no meu regresso ao Brasil. Eu disse que sim e ele me entregou o pacote.

No dia que cheguei em BH, depois de cansativa viagem, consegui o telefone do Niemeyer e liguei para dizer da encomenda e ele parecendo entusiasmado me disse que o encontrasse em seu escritório na próxima manhã e desligou. Não tive tempo de dizer que estava recém regressado à minha cidade que não era o Rio de Janeiro e mesmo assim, sem desfazer as malas, segui naquele dia para lá num ônibus noturno.

Anos depois, numa noite de 2012, a TV informa que Niemeyer acabava de falecer. Um longo filme passa então por minha cabeça lembrando os tempos da infância modernista, a descoberta da Pampulha, de Ouro Preto, Brasília e até de algumas cidades estrangeiras, os estudos na escola de arquitetura em BH plenos de questionamentos aos cânones de um passado recente, e a admiração pelo longevo personagem que devido ao seu humanismo produtivo esteve sempre sujeito a muitos elogios e críticas.

Neste momento me invadiu uma grande saudade e uma sensação de agradecimento por ter sido contemporâneo da figura brasileira que representava uma importante parte da arquitetura do século XX. Este sentimento de perda de certa forma se confortava na certeza que o personagem já bastante idoso naquele instante passava, merecidamente, a ser eterno.

Mas a lembrança que mais me invadiu, na hora da notícia fúnebre, foi a daquela clara manhã carioca em que, após sacolejar no ônibus leito, cheguei ao escritório do Oscar no posto 6 em Copacabana.

Honrado com a sua informal acolhida, disse a ele que a cidade de Belo Horizonte com suas obras modernas, tinha definido a minha vocação pela arquitetura gerando simultaneamente a minha grande admiração por ele, que abrindo o pacote por mim entregue e folheando um dos livros, surpreso com a bela edição e o redesenho de vários dos seus projetos, me disse, como se não fosse ele o principal artífice daquele trabalho:

- Que cara c. d .f. esse Botey…

texto e desenhos por João Diniz

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Paul, amizades e a camiseta

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Por sugestão da escritora Maria Antônia Moreira eu já havia desenhado a arte para uma camiseta comemorativa do show de Elton John em BH que teve um relativo sucesso.

A partir daí preparamos para o show de Paul McCartney em 04/05/2013 uma nova arte para camisetas, que foi imediatamente disponibilizada para aquisição e adotada pela Maria Antônia, Marcelo Xavier, Álvaro Gentil, e vários outros amigos como ‘uniforme’ oficial para assistir o show.

A empreitada coletiva, e a admiração por Paul e os Beatles, mereceu matéria no jornal Hoje em Dia em 03/05/2013 com texto de Elemara Duarte (abaixo) e fotos de Fred Haikal tiradas no local onde a ideia nasceu, o Café Book e BH.paul 004

A matéria:

Eles viveram a adolescência e a beatlemania típica dos anos 1960 em diferentes cantos de Minas Gerais. Unidos pela amizade, um quarteto – não de Liverpool, mas radicados em BH – planeja voltar aos tempos da juventude, amanhã, no show de Paul McCartney. Já está tudo pronto: ingressos garantidos, van fretada, camisetas personalizadas, letras na ponta da língua (há décadas) e entusiasmo de sobra.

Um deles é o artista plástico Marcelo Xavier. Mineiro de Ipanema, Leste de Minas, ele viu os Beatles pela primeira vez, em 1964, numa banca de revistas. “Eu era office boy e estava passando pela banca ao lado da minha chefe e vi a foto do quarteto maravilhoso, com franjas”, lembra nitidamente, hoje, aos 63 anos.

Xavier já ouvia Paul, John, George e Ringo no rádio, mas ver os donos das vozes com suas respectivas atitudes ançando moda foi outros 500. “Era uma época em que todo mundo usava topete. O mundo era muito comportado. Eles chegaram mudando tudo”, registra. Sem pensar duas vezes, Xavier decidiu seguir a seita roqueira made in Liverpool.

O show de sábado (4) é o fim de uma longa espera. “Só de estarmos no mesmo planeta com caras como aqueles já é demais. No mesmo show então, com um deles, nem se fala”, diz. Marcelo Xavier é cadeirante e foi ao jogo entre Cruzeiro e Nacional, no mesmo Mineirão onde acontecerá o show. “Não tive problemas. O estádio está completamente adaptado”, garante.

Encontro de gerações

Na mesma van irá a escritora Maria Antonia Coelho Moreira, 57 anos, junto da família: marido, filha, irmã, cunhado. “Era 1966, eu morava em Teófilo Otoni, região Nordeste do Estado. Lá, tínhamos apenas o pai de uma amiga nossa que viajava para o exterior, e que dava notícia dos Beatles para a gente”, lembra-se. Das viagens, ele trazia compactos com canções da banda para a alegria da turma.

Já em Belo Horizonte, Maria Antonia recorreu a um tio – beatlemaníaco – para aumentar seu repertório. “Quero me alimentar dessa energia deliciosa que aguardo desde a adolescência”.

O livreiro Álvaro Gentil, 50 anos, não mede esforços para ver Paul McCartney. Já foi a três shows do músico em outros cantos do Brasil. Ele nasceu em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, e conheceu a banda mais famosa do mundo já adulto. “John contestou, George era profundo, Ringo era o ritmo e o Paul é o mais musical. Me interesso muito pela carreira solo dele”, diz o responsável por descolar a van que vai levar a turma até o Mineirão.

Já o arquiteto João Diniz, 56 anos, ficou responsável pela estampa da camisa que uniformizará o quarteto mineiro. O desenho que Diniz fez foi postado no Twitter e no Facebook de Paul McCartney e foi compartilhado pelos fãs dezenas de vezes.

Uma curiosidade: quando tinha dez anos, Diniz já desenhava com a estética ultra colorida e fantástica da capa de “Yellow Submarine” (1966) e do filme “Magical Mystery Tour” (1967). “Minha mãe ficou muito preocupada com aquelas imagens que eu fazia. Então, me levou a um psicólogo. Que esclareceu: ‘Seu filho não está perdido!’ Esse psicólogo me absolveu”, brinca. Assim, uma mãe foi tranquilizada e, enfim, o pequeno fã pode exercer seu gosto musical em paz.

Assim como para Álvaro, ver Paul, para João Diniz, não é novidade, mas é sempre uma expectativa de emoção. Ele assistiu à apresentação do artista no último show, em São Paulo. “Gostaria que ele fosse mais experimental como em muitos lados B dos discos dele”, sugere.

ÁBACO: Suíte Multimídia 2013


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PTERODATA ao vivo em ‘Ábaco Suíte’ no CCUFMG, BH, 10/04/13 com: João Marcelo (banjo, trombone, percussão), João Diniz (programações sonoras, texto, vídeo, fala), Leri Faria (fala, canto, violão), Rick Bolina (guitarra), Renata da Matta (edição de vídeo, projeção, cenografia), Bel Diniz (edição de vídeo, fotografia, cenografia).

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matéria no jornal ‘O Tempo’ de Belo Horizonte

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ouça o cd ‘Ábaco’

AFORISMOS EXPERIMENTAIS, o livro

Captura de Tela 2013-03-24 às 12.29.20Já publicado o livro que pode ser visualizado e adquirido on line no link AFORISMOS EXPERIMENTAIS Blurb bookstore. Em breve teremos os lançamentos da edição em papel. Leia abaixo o texto de apresentação e abertura do livro.

SÍNTESES EM AMPLITUDE

O aforismo, embora seja uma forma milenar de transmissão de ideias, muito bem se adequa aos tempos atuais onde a velocidade de comunicação e síntese se fazem necessários para confrontar um universo cada vez mais multimidiático e disperso.

Joao Diniz nos apresenta nessa edição suas experiências reflexivas sobre esta contemporaneidade, muitas vezes confusa, que exige dele em sua forma de habitar o mundo, respostas instantâneas que traçam sua maneira de interagir com as diversas situações do dia a dia.

Este projeto nasceu através das publicações do autor no seu canal do Twitter, a rede social que resume postagens a 140 toques de teclas, propondo a concisão aos  usuários, o que nem sempre garante a clareza e a utilidade das mensagens.

Os temas caros ao autor são alinhados ao longo das páginas numa espécie de ‘programa de ação’ útil e fundamental a ele, que convida seus leitores, a interagir de forma igualmente crítica com algumas das questões e contradições cotidianas e atuais.

O autor faz de sua profissão de origem, a arquitetura, um ponto de observação para os diversos aspectos que nos provocam a reação sentimental, crítica e política. Assim esta arquitetura expandida se desdobra em assuntos afins como a arte, a natureza, os afetos, os espaços viajados, dentre outros, e até o humor ou reflexões inconclusas que indicam caminhos desconhecidos a serem desbravados.

No final do volume o arquiteto, que no dia a dia é construtor de espaços, dirige-se aos estudantes de sua profissão e a uma reflexão ética sobre seu oficio, que como a escrita aforística, é também milenar, e está em constante evolução.

Mais que experiências verbais e sintéticas as breves frases deste livro são um convite ao dialogo do individuo consigo mesmo e com o seu tempo. Sejam bem-vindos.

transBooks, março de 2013

PALAVRAS CONCRETAS

Os ensinamentos de Alberto da Veiga Guignard que pedia aos estudantes que ‘desenhassem sem tirar o lápis do papel’, levados adiante por Amílcar de Castro em sua obra gráfica e gestual, inspiram esta série de palavras/imagens caligrafadas por João Diniz onde o significado de cada vocábulo ganha expressão no signo gerado.

voz

é

eco

soa

som

amo

sim

só

paz

vida

la

ego

no

11o Fórum Mundial de Jovens Arquitetos em Kosice, Eslováquia.

DSC_6837O 11o Fórum Mundial de Jovens Arquitetos acontecerá em Kosice na Eslováquia, entre os dias 15 e 26 de julho de 2013, com inscrições abertas até 14 de março próximo.

O tema é ‘Retornar o rio à cidade’ e trata-se de um workshop de 10 dias onde os arquitetos participantes projetarão propostas para a cidade de Kosice, capital cultural da Europa em 2013.

Os participantes, num total de 25, são selecionados mediante análise de ficha de inscrição, currículo e portfólio enviados. Os organizadores fornecem acomodação e alimentação no período do evento.

No link abaixo clique em ‘cliquer ici’ onde é possível baixar maiores informações e ficha de inscrição em inglês e francês, os idiomas oficiais do encontro.

Chamada para o 11o FMJA em Kosice, Eslováqua

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