F I T A poemobjeto

IMG_8717

F I T A poemobjeto

vamos sem fazer fita

está tudo enrolado demandando cuidado
o experimento desfaz o rolo do tempo
ao abrir a bobina arriscar uma sina
com a vontade de fio seguindo o rio
o futuro será belo se desfeito o novelo
inventando na linha o senso que advinha

vamos sem fazer fita

letra a letra no foguete da caneta
destecendo palavras que vão se escrevendo
e indo adiante na frase branca do instante
filme metragem pensar a longa viagem
seguir sem parada no papel uma estrada
ao endereço achado após o começo

vamos sem fazer fita

a partida é para a roda a única saída
no passo que desfaz o laço do cansaço
como um brinquedo invertendo o medo
solo promissor no fim do escorregador
a cor vai ao céu desfiando o carretel
sem pretensão deixar a vaidade no chão

joaodiniz 2016

os poemobjetos de joão diniz são uma proposta híbrida que funde arte, design, poesia e performance e aparecem como peças a serem manipuladas  pelos leitores ou faladas de forma cênica. o texto, que nasce simultaneamente à idéia de transformação do objeto resultante, se refere sempre a um desdobramento formal e vivencial da peça que poderá ser reproduzida em tiragens limitadas. 

DIÁRIO IMAGINADO de joão diniz

diario imaginado logoa agenda em branco chegou no fim de ano, os episódios  foram anotados caligraficamente em forma de poemas, breves impressões cotidianas, tempos vividos e desvividos, observadas, exageradas ou inventados

esses fragmentos ou calendário de notas foram escritos sem ajustes, mas, em seguida após digitados, foram submetidos ao editor e, agora, ao leitor, que, ao ler estes breves apontamentos vão selecionar os dias a serem esquecidos ou lembrados

conheça a primeira revisão desse texto no link DIARIO IMAGINADO

GEOMETRIA INFORMAL um livro de joão diniz

Acesse o link para conhecer o novo livro de fotografias autorais e textos poéticos
GEOMETRIA INFORMAL por joão diniz publicado para aquisição sob demanda em julho de 2015.

Captura de Tela 2015-07-13 às 11.27.54

P A R I S k : um curta metragem de João Diniz

Direção, câmera, roteiro, edição de som e imagens: João Diniz

Duração 28 min.

SINOPSE

Uma breve estadia na cidade francesa leva o caminhante/fotografo a visitar alguns de seus principais marcos urbanos não deixando de lado suas reflexões pessoais construindo relações entre estes símbolos e seu olhar estrangeiro. A câmera percorre informalmente o espaço urbano captando quase que secretamente aspectos e sons cotidianos e os combinando na intenção de construir a memória de um andarilho atento.

1 DSC_7271

CINECURRÍCULO

JOÃO DINIZ é arquiteto fundador e diretor da JDArq Ltda e professor universitário, e tem seu nome ligado à contemporânea arquitetura brasileira com obras construídas, premiadas e publicadas, fazendo, algumas delas, parte da paisagem de Belo Horizonte, cidade onde vive.

Ele costuma dizer que chegou à arquitetura através da poesia e da fotografia, que pratica desde adolescente, e que através delas aprendeu a investigar espaços, luzes, enquadramentos, e também o ritmo e o sentido dos objetos e das idéias. Publica em 1979 o livro ‘Com vidro nos olhos’ com suas fotografias e poesia de Cacá Brandão e a partir de então tem participado como fotógrafo de diversas performances, exposições individuais e coletivas e da publicação de outros livros como ‘Polskantor, ‘Quedadágua’ e ‘Visible Cities’.

Tem colaborado como fotógrafo de cinema com os realizadores da UFA Audiovisual, Fábio Carvalho e Isabel Lacerda, em filmes como ‘O tempo do corte’, ‘Jimi Hendrix e a fonoaudióloga’, ‘Um foguete parou na porta’ e ‘Olhocinefoto’; além de sua produção autoral unindo sons, música, falas, textos e imagens, em peças breves tais como ‘Álém’ e ‘Liquidofício’ que chama de ‘cine-clips’ e que têm sido publicadas e divulgadas na internet ou em suas apresentações ao vivo. Em 2014 finaliza o curta metragem de sua autoria ‘Parisk’, em que cuida pessoalmente de todas as etapas de produção.

É o criador do projeto multimídia “Pterodata” que se dedica a produções nas áreas da fotografia e vídeo, composições sonoras, gravações, colaborações e performances poéticas com músicos, atores, locutores, artistas visuais, jornalistas e cenógrafos.

A partir dos anos 90, quando começa construir seus projetos, passa a refletir e escrever sobre eles e publica em 2002 e em 2010, respectivamente, os livros ‘João Diniz Arquiteturas’ e ‘Steel Life: arquiteturas em aço’ apresentando suas arquiteturas projetadas e construídas. Simultaneamente participa de outras edições, exposições e performances voltadas à fotografia, vídeo, poesia e música.

Estas ações reafirmam sua ligação com uma atitude autoral e interdisciplinar voltada ao lado humano do cotidiano, à observação dos ambientes urbanos e sociais e ao interesse pela composição coletiva, visando a busca de um espírito critico e poético.

PARISk um filme de Joao Diniz press release

TRIPLA SAUDADE em NY

Imagem3

1

A cidade maçã a ser devorada
em seus pecados e murmúrios
a cidade sussurra em suas sirenes
e histórias e monumentos e baladas
cidade cantada numa tocata concreta
fugindo do vapor e da velocidade
é lá que se encontram as melodias
numa história de cordas e sopros
e em porões de tabaco e álcool
guardam a brisa que embala o ouvido
e é como se estes subterrâneos
guardassem toda a esperança da terra
numa revolução em forma de som

2

Times square anuncia piscante Johnny Winter
no BBKing Club entre as fortes luzes venais
descendo a escada do blues a surpresa
de cruzar com o mito que chega frágil
e cambaleante convalescente de excessos
e em caricias na inconfundível guitarra
continua mostrando quem é e foi e será
num relâmpago a estrela do Texas

3

Jack Bruce numa noite de neve gélida
fila externa na triste nota azul
mas o frio fica branco e úmido lá fora
e num tributo fiel a Tony Williams se mostra
preciso radical e eterno e jovem e presente
em dedos velozes e apos a seção
na porta do camarim falante Vernon Reid
o guitarrista dizia da importância vital de Jack
que como Miles turbinou o fusion jazz rock
Jack assim para sempre continuo soando

4

Charlie Haden na terra do pássaro
e a seu lado Joshua Coltrane pulsa
uma memória renascida lições do pai
junto ao contrabaixo suave profundo eloqüente
macio em notas que contam historias graves
e logo depois daquele dia Haden se foi
e depois do som com o Sergio Santos
que lá encontrei de surpresa e feliz acaso
saímos à rua em harmonia e encantados

5

Passei e passaram por NY três saudades
da musica ao vivo e nos discos do século XX
e presentes no XXI e muito depois
vidas que vão e se anotam num momento
que está no tempo a soar na memória do ouvido
afinando uma historia que é móvel na visão cantada
e no improviso onde crescemos e seguimos
ouvindo e aprendendo as melodias que somos.

ALÉM Pterodata cine-clip

SEMENTES DA PAMPULHA, um possível roteiro

pampulha01

SEMENTES  DA PAMPULHA

Texto/roteiro p/ filme c/ sugestão de imagens-sequências por João Diniz


1- (imagens da natureza em Minas)

…as montanhas de Minas guardam mistérios
na geografia e no sonho de inventar uma nação
entre os rios os cristais e as paisagens virgens

2- (imagens de Ouro Preto)

…descobrir o interior criando uma cultura
no espaço da topografia e no organismo de ouro
numa luta independente por voz e identidade

3- (imagens de BH nos primeiros anos)

…a metrópole nova saúda o século XX
traço retilíneo e racional idealizando o futuro
numa lógica numérica sobre o sensual relevo

4- (imagens antigas da Pampulha)

…num clima de criação intensa JK convoca Oscar
em torno do lago a cidade dá o seu passo ao futuro
a jovem arquitetura moderna brasileira avança
curvas, retas, luzes e volumes dialogam com seu povo
o país redescobre sua identidade em espaços desconhecidos

5- (imagens da Igreja de São Francisco na Pampulha)

…São Francisco aprovou o despojamento dos arcos
na luz que penetra com sutileza a fé dos atentos
Portinari e Niemeyer se encontram na dinâmica das linhas
as capelas barrocas se orgulham dessa descendência
na simplicidade que é rica em detalhes e miradas longas

6- (imagens do Cassino / Museu)

…nem só de curvas vive a fantasia da liberdade
do alto da colina enquadrando reflexos distantes
a transparência abriga os lúdicos momentos do jogo
nas formas inesperadas da arte e da provocação constante
no vazio que é pleno de significados revistos a cada geração

7- (imagens da Casa do Baile)

…o interior descobre suas ondas de navegar continentes
as formas liquidas das margens se concretizam firmes
o salão circular é palco da comemoração popular
a festa tem o seu templo permitindo o sensual sorriso
num bailado de equilíbrio e ritmo essas marés vão além

8- (imagens de outras obras de Niemeyer: Brasília, Paris, Memorial da América Latina)

…Pampulha foi o começo da natural aventura Brasileira
sua identidade seu idioma seu caminhar autentico e seguro
onde a juventude é longa e a espontaneidade é precisa
a civilização tropical afirma seus clássicos ensinando rumos
o que vier daí será sempre singelo ousado e sincero.

Joao Diniz, dez 2014