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livro VISIBLE CITIES, observações arquitetônicas e urbanísticas itinerantes

Captura de Tela 2013-06-29 às 22.18.55VISIBLE CITIES see and purchase the book

Este livro é um relato em fotografia e texto de 14 cidades do Brasil, América do Norte e Europa e propõe uma leitura pessoal da experiência vivida pelo autor em cada uma destas cidades.

O trabalho pode também ser entendido como uma proposta de abordagem que pode ser feita por qualquer pessoa que queira interagir com cidades e espaços de forma semelhante. Desta forma a edição pode ser também entendida como um ‘procedimento itinerante’, uma proposta aberta e interativa. O primeiro texto do livro explica melhor este método.

Além do livro físico e/ou virtual, que pode ser adquirido e/ou visualizado na íntegra no link acima. este material poderá também ser conhecido, desenvolvido e ampliado em apresentações, palestras, oficinas, performances e outras viagens, feitas pelo autor e/ou convidados. Desta forma trata-se de uma dinâmica aberta que pode continuar em outras edições.

O material foi desenvolvido em seis anos de viagens e registros feitos pelo autor e foi realizado no programa Propic 2012-2013 da Universidade Fumec de Belo Horizonte, onde o autor leciona, que ofereceu parte dos recursos necessários para a montagem da edição.

Edição bilíngüe (português/inglês) de 420 páginas com fotografias, textos e projeto gráfico do autor, tradução e tratamento de imagens de Luiza Ananias (bolsista Fumec)  e colaboração de Carolina Araújo (bolsista Fumec) e Isabel Diniz. Textos do posfácio por Marcílio Gazzinelli, Fábio de Carvalho, Carminha Macedo, Marcelo Xavier e Álvaro Gentil.

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11o Fórum Mundial de Jovens Arquitetos em Kosice, Eslováquia.

DSC_6837O 11o Fórum Mundial de Jovens Arquitetos acontecerá em Kosice na Eslováquia, entre os dias 15 e 26 de julho de 2013, com inscrições abertas até 14 de março próximo.

O tema é ‘Retornar o rio à cidade’ e trata-se de um workshop de 10 dias onde os arquitetos participantes projetarão propostas para a cidade de Kosice, capital cultural da Europa em 2013.

Os participantes, num total de 25, são selecionados mediante análise de ficha de inscrição, currículo e portfólio enviados. Os organizadores fornecem acomodação e alimentação no período do evento.

No link abaixo clique em ‘cliquer ici’ onde é possível baixar maiores informações e ficha de inscrição em inglês e francês, os idiomas oficiais do encontro.

Chamada para o 11o FMJA em Kosice, Eslováqua

C. I. A. A. R.

CENTRO DE INTEGRAÇÃO E ADAPTAÇÃO DA AERONÁUTICA / AIR FORCE CENTER FOR INTEGRATION AND ADAPTATION, Lagoa Santa / Brasil, João Diniz Arquiteutra Ltda


O Centro de Integração e Adaptação da Aeronáutica / É o campus brasileiro onde profissionais diversos / Fazem treinamento para trabalhar na Força Aérea. / As novas instalações em um terreno de 70 hectares / Incluem plano urbanístico que integra topografia e fluxos / Locando nas baixas áreas planas os acessos, a via principal / As oficinas, o ginásio, os pátios, os esportes, a capela / O edifício da música, o do comando, o estande de tiro. / Nas áreas mais elevadas estão as atividades fins, cotidianas, / Os alojamentos, a escola, o restaurante, os dois hotéis. / Diferentes tecnologias se adequam à diversidade dos usos: / Os perfis laminados na escola, a geodésica no ginásio / Estruturas mistas nos edifícios das moradias e escritórios, / A placa de concreto na capela, gerando um conjunto plural, / Uma unidade que parte do diálogo entre distintas tipologias / Adequadas a cada característica espacial e construtiva. / As áreas livres conformarão um parque do cerrado / Ecossistema nativo integrando os edifícios à natureza.

The Air Force Center for Integration and Adaptation / Is the Brazilian campus where several specialists / Receive training for the Air Force service. / The new facilities in a 70-hectare area / Include an urban plan integrating topography and flows / Locating accesses at the lower areas, the main street / Workshops, gymnasium, patios, sports, chapel / The music building, head office, shooting range. / At the higher areas are special-purpose, daily activities, / Lodging, school, restaurant, two hotels. / Different technologies are adapted to the diversity of uses: / Laminated frames at the school, geodesic at the gymnasium / Mixed structures at the lodging and office buildings, / Concrete board at the chapel, creating a plural setting, / A unit emerging from the dialogue between diversified typologies / Adequate to each spatial and constructive characteristic. / The free spaces will form a scrubland park / A native ecosystem integrating buildings to the nature.

Portão da Armas / Entrance Gate

Alojamentos Estudantis / Student’s Apartments

Edifícios de Apoio / Workshops

Edifício da Escola / School Building

Patio coberto da escola / School’s inner court

Ginásio / Gymnasium

Interior do ginásio / Gymnasium interior

Restaurante / Restaurant

Capela / Chapel

Edifício da Banda de Música / Music Building

Edificio do Comando / Comand Building
animação / animation

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Conceito geral e projeto básico de urbanismo e arquitetura / General concept and urbanistic and architectonic basic project: 2008

local: Lagoa Santa, MG, Brasil, área do lote / site area: 70,00 ha., área total construída / total built area: 52000 m2

arquiteto / architect: João Diniz, João Diniz Arquitetura Ltda. / Belo Horizonte MG

arquitetos colaboradores / associate architects: Priscila Garcia, João Pedro Torres, José Luis Baccarini, Isabel Diniz

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projeto executivo / construction project: Globo Engenharia Ltda / Salvador BA  2009
em construção por / under construction by: Schahin Construtora / São Paulo SP 2010

A COMUNIDADE AMBIENTALMENTE SUSTENTÁVEL

R E S U M O   G E R A L :
Introdução:
A pesquisa proposta visou a aplicação dos módulos espaciais CASEXP desenvolvidos na pesquisa do ano anterior num contexto comunitário, gerando em um terreno real em Betim MG, um modelo de conjunto residencial voltado à habitação social com preocupações relacionadas à Sustentabilidade Ambiental e Social.
Objetivos:
Este projeto de habitação coletiva desenvolveu densidades de ocupação horizontais preocupando-se com aspectos ecológicos tais como:
–       A correta implantação das unidades quanto ao sol e ventos,
–       Proposição de unidades espaciais com diferentes áreas internas visando distintas necessidades familiares com diferentes possibilidades de acoplamento mostrando a flexibilidade do sistema proposto.
–       O uso responsável das águas considerando as drenagens pluviais, seu reaproveitamento e correto tratamento de esgotos,
–       A proposição do ‘ciclo energético ecológico’ desta comunidade levando em conta todas as energias necessárias e consumidas, com ênfase nos recursos renováveis,
–       O uso responsável de materiais e itens de infra-estrutura urbana tais como pavimentações e outros elementos construtivos.
–       A integração social dos moradores através de configuração espacial que favoreça a vida comunitária.
A busca da melhor insolação e conforto ambiental para os blocos gerou implantação ao longo do eixo leste-oeste o que proporcionou condições diferenciadas de abordagem da topografia em três setores. Uma nova rua plana aparece cruzando o conjunto, ligando as principais vias de acesso e dando lugar a estacionamentos para os moradores. No ponto mais baixo aparece a praça de convívio com áreas esportivas e de lazer junto à lagoa de detenção.  A faixa comercial existente na borda nordeste do terreno foi mantida. A implantação proposta libera totalmente o terreno natural proporcionando ampla área para vegetação e drenagem. Num contexto confuso e de ocupação desordenada o novo conjunto aparece como forma de ordenação de uma nova natureza construída.
Palavras-chave: arquitetura, urbanismo, sustentabilidade, habitação social.
Metodologia:
O método confirma a pertinência do dialogo entre um modelo espacial celular como unidade aberta de desenvolvimento da ocupação especifica. O modulo espacial CASEXP se mostrou versátil podendo mesmo gerar ocupações diferenciadas da hipótese aqui alcançada.
O Sistema CASEXP baseia-se na montagem da unidade espacial a partir de chassis metálico suspenso. No caso das topografias variáveis da Vila Recreio tornou-se necessário a adoção de um sistema de suspensão para este chassis a partir de pilares tubulares que separam o chassis do solo tornando-o livre para o escoamento das águas pluviais e para o plantio de espécies vegetais e hortas comunitárias.
Estes pilares tubulares poderão ser metálicos, em concreto pré-moldado ou moldado em loco de acordo com facilidades de fornecimento na época da construção e definições posteriores a serem definidas em cálculo estrutural.
Foram estudados dois modelos de implantação: o perpendicular às curvas de nível ou vertical e o paralelo às curvas de nível ou horizontal. No primeiro caso os módulos espaciais podem ser dispostos um sobre os outros em diferentes arranjos de acordo com as variações topográficas gerando unidades de um ou dois pavimentos. O acesso se faz por rampa pela parte posterior do conjunto onde o módulo está mais próximo do solo.
Resultados:
A realidade do terreno em questão exigiu uma nova ordenação e foi nossa intenção neste momento fazer esta investigação tipológica em duas direções, implantando os conjuntos de módulos espaciais paralela e perpendicularmente às curvas de nível mas sempre visando  o eixo leste-oeste que é o mais indicado quanto à insolação e conforto ambiental das unidades.
A qualidade de leveza e mobilidade dos blocos residências permite inclusive que esta comunidade seja removida deste local se necessário e em grande parte remontada em outro local.
Conseguimos com nossa implantação criar uma área de lazer e esportes junto à lagoa de retenção que funciona como ponto de convergência das águas pluviais evitando inundações sazonais nos regimes chuvosos e promovendo a drenagem do solo local.
O projeto sugere uma abordagem paisagística própria aliando às extensivas áreas verdes conseguidas na implantação o plantio de hortas comunitárias e pomares.
A criação de uma rua interna em piso drenado promove um atravessamento da área abordada integrando esta comunidade diferenciada na malha urbana local e resgatando para a vida do bairro o território até então marginalizado.
Conclusão:
Este estudo faz parte de uma linha de pensamento e pesquisa desenvolvida pelo professor coordenador que inclui em diferentes etapas de seu exercício profissional preocupações paralelas e semelhantes. A oportunidade dada pela Fumec para o desenvolvimento desta comunidade sustentável ver a somar resultados e experiência a um estudo sistemático o que resulta em resultados positivos para as pessoas e instituições envolvidas.

Veja o caderno completo em:

A Comunidade Ambientalmente Sustentável

SE A CIDADE TIVESSE UM CORAÇÃO…

SE A CIDADE TIVESSE UM CORAÇÃO…

Reflexões expandidas sobre a

Praça Sete de Setembro em Belo Horizonte, Brasil

por João Diniz, arquiteto MSc

Texto para a conferencia sobre‘Centros Urbanos em Transformação’ a ser apresentado em outubro de 2010 na Gdansk University of Technology, em Gdansk, Polônia.

Gênese de novos cenários

As 13 caravelas portuguesas partiram de Lisboa no ano de 1500

buscando as rotas colonizadoras e econômicas das índias orientais.

O almirante Pedro Alves Cabral evitando calmarias nas costas africanas

desvia suas embarcações em direção oeste, e em 21 de abril

vislumbra terras inesperadas: um monte alto, batizado Pascoal

naquela Semana Santa que mudaria a linha da história,

e desembarca pela primeira vez no continente americano

em Porto Seguro na região hoje conhecida como Bahia (fig. 1).

Neste local foi erguida a primeira cruz, celebrada a primeira missa

e em nome do rei de Portugal, Pedro Álvares toma posse da terra,

observado por atônitos indígenas, os naturais proprietários daquele solo.

Uma vermelha árvore nativa cor de brasa sugere o nome da terra: Brasil,

e aí começa, em inspiração ígnea, uma saga de constantes transformações.

A Carta do Descobrimento é enviada ao rei de Portugal noticiando o evento,

o almirante Pedro permanece por dez dias nas praias recém descobertas

e retoma à desejada rota das índias, ele não mais retornaria ao continente

mas deixa fixada a bandeira portuguesa e a perspectiva de um novo império.

Ocupações Costeiras e interioranas

Os interesses Portugueses e Espanhóis pelas terras da América

fizeram que os dois países assinassem em 1494 o Tratado de Tordesilhas

em que dividiam entre as duas coroas as terras descobertas e por descobrir.

Uma linha imaginaria a 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde

passava pelo novo continente e dividia a posse das novas terras

Cabendo a Portugal as áreas a leste da linha e a Espanha as de oeste.

Devido aos poucos recursos para a colonização das novas terras

Dom Manoel, o rei de Portugal, cria em 1504 as Capitanias Hereditárias

ou faixas de terra paralelas no sentido leste-oeste que eram doadas (fig. 2)

a destacados cidadãos portugueses que governariam e explorariam

as áreas podendo transferir esta posse aos seus descendentes.

Este sistema assegurou a posse da terra por parte de Portugal

e funcionou até o ano de 1822 o ano da independência do Brasil,

quando estas capitanias passaram a ser denominadas províncias,

passando por diferentes redivisões, anexações e redefinições de limites.

E até o inicio do século XVIII a ocupação do território brasileiro se deu

preferencialmente nas regiões costeiras em contato com a metrópole

e com as outras capitanias vizinhas através do oceano Atlântico.

A partir de 1700 várias expedições passam a explorar o oeste

onde se descobre a riqueza do ouro, gerando novo ciclo econômico

na recém criada capitania de Minas Gerais, cuja capital era Ouro Preto.

Esta nova atividade econômica desloca o foco de interesses costeiro

para o interior brasileiro gerando o desenvolvimento extrativista (fig. 3)

visível na capital Ouro Preto e também nas cidades de Mariana, Sabará,

São João del Rei, Serro, Congonhas do Campo, Ouro Branco, Diamantina…

Este novo progresso pode ser também sentido nos campos das urbanização,

da arquitetura, da escultura, da literatura, das artes e da cultura em geral.

É o barroco mineiro que faz de Minas Gerais cenário histórico

de importância marcante no panorama político e cultural nacional.

Esta efervecência intelectual fez que em 1789 a região fosse palco

do movimento conhecido co Inconfidência Mineira, movimento separatista

que propunha o Brasil como pais independente livre do jugo português,

da censura, das altíssimas taxas, da dominação política e econômica.

Esta insurreição gerou o grande mártir e herói nacional: o Tiradentes

ou Joaquim José da Silva Xavier, dentista e líder intelectual e político.

Ouro Preto foi a primeira cidade brasileira a ser declarada em 1980

pela UNESCO Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

Ares Republicanos

Com a escassez do ouro no final do século XVIII surgem novas economias

dando espaço ao ciclo do gado e da agricultura em outros pólos regionais.

O final do século XIX vê surgir o ciclo do ferro nas montanhas que ligam

Ouro Preto à Serra do Curral del Rey em reservas de 15 bilhões de toneladas

a cidade com sua geografia montanhosa não suporta mais ser a capital

do estado com sua nova economia, em uma republica recém proclamada,

em um novo século que queria ver distante os tempos coloniais.

O então presidente da republica Afonso Pena decide em 1893 construir,

junto à Serra do Curral del Rey, a cidade que se chamaria Belo Horizonte,

inaugurada em 1897, a nova capital do estado de Minas Gerais.

Os engenheiros Aarão Reis e Francisco Bicalho dirigem o projeto e a obra.

O traçado sobrepunha uma dupla trama ortogonal em ângulo de 45 graus,

a malha de quarteirões quadrados de 100 metros com suas ruas retilíneas

é cortada pela segunda trama diagonal mais espaçada de amplas avenidas

formando um dinâmico sistema de circulação com suas linhas e direções.

As variações do relevo acopladas à rigidez do plano urbanístico se fundem

propondo uma aparente contradição entre traçado e topografia propondo

uma possível união entre a sensualidade/relevo e a razão/projeto (fig.4)

que ajudam a definir abstratamente o caráter da cidade e de sua gente.

Este plano racional é limitado pela Avenida do Contorno, perimetral e circular

num diâmetro de aproximadamente dois quilômetros dando espaço

a largos e praças em pontos especiais do traçado e da topografia.

O projeto une as tradições urbanísticas das metrópoles do século XIX:

a quadricula racional americana é corrigida por amplas artérias oblíquas,

por espaços vazios, e pela preocupação com perspectivas monumentais

de inspiração européia com explicitas influências de Haussmann.

Alvo de convergências

O cruzamento ortogonal das duas principais avenidas da cidade

a Afonso Pena e a Amazonas é interceptado diagonalmente pelas ruas

Rio de Janeiro e Carijós, formando um asterisco de oito direções.

Este local no centro geográfico do traçado de Belo Horizonte é conhecido

como Praça Sete de Setembro, batizada em 1922 por ocasião

da comemoração do centenário da Independência do Brasil.

A praça é reconhecidamente o coração simbólico da cidade,

ponto do centro radiador da pulsação econômica e social de toda a cidade.

Ao longo de sua historia a praça apresentou diferentes configurações.

No ano de 1902 é inaugurado o sistema de bondes da cidade (fig. 5)

e na praça está a principal estação de conexão e transbordo.

A praça apresenta também construções simbólicas importantes

como o edifício do Banco Hipotecário de 1911, ainda existente,

o obelisco central de 1922 o ‘Pirulito’ projeto do arquiteto Antonio Rego,

o Cine Teatro Brasil de 1932 de Ângelo Alberto Murgel, em estilo art deco

revitalizado e transformado pelo arquiteto Alípio Castelo Branco

em Centro Cultural Vallourec & Mannesmann em 2010,

o edifício do Banco da Lavoura projetado em 1946 por Álvaro Vital Brasil

e merecedor do prêmio de arquitetura na 1a Bienal de São Paulo,

e o edifício do Banco Mineiro da Produção de 1951 de Oscar Niemeyer.

A praça não funcionava como espaço somente destinado ao público.

Fotos das primeiras décadas do século XX mostram o convívio dos pedestres

com diferentes veículos como bondes, automóveis e até animais (fig. 6)

mostrando sempre sua existência como um ambiente multi funcional.

No começo dos 1970s os quatro quarteirões contíguos ao centro do espaço

são fechados ao tráfego de veículos e aí sim se configura o espaço peatonal,

destinado à passagem e permanência exclusiva de pessoas,

criando então a real praça, ainda que fragmentada em quatro trechos.

Apesar de criado o local exclusivo para os pedestres estes setores

não chegam a receber um projeto de desenho urbano significativo.

Na verdade a criação destes quatro espaços ocorre também em virtude

de correções necessárias no sistema de trafego de veículos que pretendia

limitar o cruzamento e fluxo de veículos apenas às duas avenidas. (fig. 7)

Em 1989 a prefeitura de Belo Horizonte propõem o BHCentro,

Concurso Nacional de Idéias para o Centro de Belo Horizonte.

O arquiteto Mauricio Andrés em sua linha de pensamento ecológico

visualiza a área central da cidade numa perspectiva de baixo consumo

de energia e de esforços de deslocamento, onde a topografia seria aliada

à  mobilidade urbana e os deslocamentos aconteceriam evitando

subidas acentuadas, invertendo a lógica funcionalista e linear do trafego

e optando por um sistema mais orgânico e integrado com a geografia.

Este sistema estaria integrado ao transporte publico e indicaria

pontos focais de interesse que apareceriam como novas praças, ou oásis,

na área central ocupada preferencialmente por edifícios e vias de tráfego.

Assim foram definidos pontos específicos que teriam soluções diferenciadas

e para tanto Mauricio Andrés convida cinco escritórios de arquitetura

que se ocupariam de cada um dos pontos específicos por ele definidos.

Estava então formada a equipe 3834 composta pelos escritórios/equipes

de Éolo Maia/Jô Vasconcellos/Flávio Grillo que se ocuparam

da área central em torno da Praça Sete de Setembro e arredores,

de Álvaro Veveco Hardy/Mariza Machado Coelho

que se dedicaram a novas propostas em torno da estação rodoviária,

de Gustavo Penna e associados que projetou o eixo da rua Caetés

faixa comercial que Gustavo denominou ‘Eixo dos Três Caminhos’,

de Jason Santa Rosa que se ocupou do mercado de flores,

e da equipe formada por João Diniz/Graça Moura/Márcia Moreira que criaram

a ‘Alameda das Palmeiras’ em ponto especial da avenida Amazonas.

Com a participação de quase 80 equipes dos quatro cantos do país,

o concurso premiou três equipes coordenadas por Manuel Rodrigues Alves,

por Ana Maria Schimidt/Maria Elisa Baptista e Mauricio Andrés Ribeiro.

O júri do concurso definiu destaques projetados por cada equipe como

as propostas para a estação rodoviária, o ‘eixo dos três caminhos’ e a

‘alameda das palmeiras’ projetadas pela equipe 3834 e a proposta para

a revitalização do Parque Municipal proposta pela equipe Schimidt/Baptista

cujo projeto foi contratado, detalhado e executado em 1992.

A partir destes resultados a Prefeitura Municipal convidou a equipe 3834,

em 1991, a executar novo projeto de revitalização da Praça Sete e

da antiga estação de bondes transformada em Mercado de Flores.

Os cinco escritórios que compunham a equipe 3834 decidiram inicialmente

discutir conjuntamente  os dois projetos e depois dividir os cinco projetos:

o Mercado das Flores e os quatro trechos de pedestres da praça Sete.

À equipe coordenada por Jason Santa Rosa coube o Mercado das Flores,

e às quatro outras o conjunto da praça incluindo a área central e os trechos.

Academias Informais

O ativo ambiente cultural existente em Belo Horizonte no inicio dos 1990s

contava com a participação dos arquitetos da equipe 3834.

A cidade passava desde o inicio dos 1980s por um renascimento intelectual.

As vanguardas culturais de Minas Gerais que antes migravam naturalmente

para as metrópoles brasileiras do Rio de Janeiro e de São Paulo,

resolveram, a partir daquela época, se manter na capital de origem

num misto de valorização das próprias origens e raízes, e na crença que

um novo centro irradiador de pensamento nascia na cidade.

Já estavam em curso as realizações musicais do ‘Clube da Esquina’,

movimento de musica popular comandado por Milton Nascimento,

do grupo de dança Corpo que ganhava reconhecimento internacional,

do grupo teatro de Galpão, do grupo Uakti de experimentações sonoras,

e de diversas realizações nas artes plásticas, literatura e escultura.

Estas manifestações se davam em um ambiente integrado e informal,

os espaços públicos da cidade eram o palco natural de debates,

os bares, as galerias de arte, os teatros, as festas e as residências

eram os fóruns espontâneos de inspiração e evolução de idéias.

Os arquitetos queriam também participar daquela ebulição.

Éolo Maia e Álvaro ‘Veveco’ Hardy, arquitetos hoje já falecidos,

decidem formar um amplo grupo que fundaria as revistas ‘Vão Livre’

e ‘Pampulha’ assim denominada em homenagem à lagoa onde

nos anos 1940s se construiu o notável conjunto de obras projetadas

pelo jovem Oscar Niemeyer, convidado por Juscelino Kubitschek

prefeito da cidade, e futuro governador do estado e presidente do país

que veio com o mesmo arquiteto a construir a capital Brasília.

Pampulha é reconhecidas como ‘berço’ da arquitetura moderna brasileira,

e as obras da Igreja de São Francisco, da Casa do Baile, do Cassino

atual Museu de Arte Moderna e do Iate Clube foram mundialmente

divulgadas e admiradas gerando influências de todos os tipos.

A nova Praça Sete de Setembro

Os arquitetos da equipe 3834 já haviam trabalhado juntos no

‘Projeto Sensações’, proposta inovadora para um hotel-fazenda,

comandada por George Harddy, onde cada unidade de hospedagem

era uma pequena casa projetada por um arquiteto e um artista plástico.

Este projeto foi premiado na 2a Bienal Internacional de Arquitetura em 1993,

em São Paulo com ‘Menção especial pelo conjunto e pluralidade da obra,

o que empolgou o grupo a encarar o projeto conjunto para a Praça Sete.

O  conceito geral e norteador da equipe indicava que a praça deveria

resgatar sua antiga unidade circular através da textura do pavimento central,

da adoção de uma nova vegetação, sinalização e iluminação, e da

restauração do obelisco, elemento simbólico da memória do local.

Estas qualidades seriam também irradiadas nos quatro quarteirões/ruas

anteriormente fechados através da liberação das perspectivas visuais,

da criação de espaços livres, flexíveis e abertos à circulação, pausa e lazer,

da valorização das edificações de interesse histórico e arquitetônico,

do agrupamento racional dos equipamentos e mobiliário urbano,

da manutenção da vegetação de porte e retirada das jardineiras caducas,

da adoção de nova iluminação valorizando a arquitetura das edificações

e trazendo nova sensação de amplitude, bem estar e segurança.

Os quarteirões fechados, que são as áreas de permanência da praça,

onde ocorrem atividades diversas conformam quatro partes distintas, ou

os trechos A e C das Ruas Carijós e os trechos B e D Rio de Janeiro. (Fig. 8)

A equipe liderada por Jason Santa Rosa se ocupou do Mercado das Flores,

Revitalizando-o acoplando ali um ponto de informações culturais e turísticas.

A equipe de Éolo Maia, Jô Vasconcellos e Flávio Grillo projetou o trecho A

propondo  um feixe de vigas metálicas que indicam o centro da praça, e

aparece como suporte da iluminação, mobiliário urbano, banca de revistas,

e aparelhos telefônicos, surgem ainda organicamente pelo espaço da rua

bancos para a permanência das pessoas ao longo dos espaços livres. (fig. 9)

A equipe coordenada por Gustavo Penna trabalhou a topografia do trecho B,

onde na parte superior surge uma espécie de ‘escavação’ que funciona como

um local acolhedor com assentos sob coberta de vidro referenciada (fig. 10)

na caixilharia do edifício vizinho, na parte inferior do trecho está o parlatório

volume proeminente que compensa o cavado superior e aparece como

ponto focal, cívico e político relacionado diretamente com o centro da praça.

O trecho C foi projetado por Álvaro Veveco Hardy e Mariza M. Coelho que

também partiram da topografia da rua para criar a arquibancada longitudinal,

local de estar para transeuntes, vendedores diversos e engraxates, (fig. 11)

protegido por cobertura metálica suportada por longa viga metálica luminosa.

A equipe formada por João Diniz, Graça Moura e Márcia Moreira trabalhou o

trecho D onde na parte superior aparece um conjunto de sete grandes peças

que acoplam bancos a luminárias formando uma espécie de ‘lounge’ urbano

defronte aos edifícios comerciais e tradicional hotel de grande fluxo humano,

há um vazio central destinado ao tráfego local para a garagem do hotel

e na parte inferior está a coberta semi-circular como ponto dos artesãos. (fig. 12)

Estes trechos A, B, C e D da praça posteriormente foram batizados com

os nomes das tribos indígenas nativas e existentes no estado de Minas Gerais,

ou respectivamente: Maxacali, Xacriabá, Krenak e Pataxó.

Os membros da equipe 3834 formada pelos cinco escritórios a principio

discutiram os conceitos norteadores e projetaram conjuntamente os pontos

centrais da Praça Sete de Setembro onde surgiram soluções comuns

a toda a área como os equipamentos comuns e árvores plantadas no anel central,

resgatando o denso anel vegetal das fotografias do passado,

a iluminação principal da parte central, as cercas protetoras em aço inox,

as novas bancas de revistas, as lixeiras, os pontos de telefones públicos,

e o restauro e recomposição do conjunto do obelisco central, o ‘Pirulito’.

Outro ponto de consenso foi o uso geral de materiais robustos o que promoveria

não só  a durabilidade e baixo grau de manutenção das peças,

mas também geraria a auto-estima da população fazendo-a entender

que os espaços públicos não são mais de ninguém, mas de todos.

Os projetos pontuais, trabalhados pelas ‘sub-equipes’ chegaram ao resultado

por elas considerado como ‘fraternalmente diferentes’ gerando uma nova

unidade na Praça Sete permeada pela liberdade e pela pluralidade.

O aço, e as estruturas metálicas, surgem nos quatro trechos como

principal elemento construtivo refletindo característica já existente

na arquitetura contemporânea do estado de Minas Gerais que vem

trabalhando de forma original este material tão ligado a sua geografia,

aos seus recursos naturais e a seu parque industrial e siderúrgico.

Este projeto da Praça Sete de Setembro foi encomendado em 1991

quando foi concebido, e inicialmente apresentado à população e ao

poder publico que o receberam entusiasticamente.

Em 1992 o projeto e seus autores representaram o Brasil no V SAL

Seminários de Arquitetura Latino Americana em Santiago do Chile

Que discorreu sobre os ‘Novos centros urbanos em transformação’.

Desde então os governos municipais e estaduais eleitos,

mesmo sendo de diferentes orientações e partidos políticos,

se interessaram pela execução do projeto, até que em 2003, sob os

governos municipal de Fernando Pimentel e estadual de Aécio Neves,

o projeto foi finalmente detalhado, construído e entregue à população

após mais de 10 anos decorridos de sua concepção inicial.

A cidade atual, acupunturas e irradiações

A partir desta data e da finalização do projeto da Praça Sete de Setembro

o centro da cidade passa a viver uma onda de revitalizações diversas.

A boa aceitação do projeto e a qualidade ambiental por ele emanada

certamente influenciaram na revitalização da Praça da Estação,

da Praça Rui Barbosa, da Serraria Souza Pinto atual centro de eventos,

do Cine Brasil atual centro cultural V & M, da Praça Raul Soares,

do antigo Cine Guarani atual museu Inimá de Paula, e até recentemente,

da transformação da Praça da Liberdade em circuito cultural através

da revitalização de diversos edifícios até então usados pelo governo estadual.

O centro de Belo Horizonte se caracteriza por grande concentração de

edifícios residenciais, diferentemente de outros centros urbanos brasileiros,

a maioria deles construídos nas décadas de 50 a 70 o que confere

caráter mais humano e de animação noturna aos espaços e ruas da área.

Desta forma todas estas intervenções vêem trazendo uma qualificação

a esta zona da cidade que é compartilhada por toda a população.

Até os anos 1980s o centro de Belo Horizonte e de outras cidades brasileiras,

estava ligado à idéia de abandono, degradação ambiental, falta de segurança,

tráfego caótico e até prostituição, e consumo de drogas, o que gerou

uma corrida para os condomínios privados nos arredores urbanos,

a explosão dos shopping centers e da ‘cultura do alarme e da cerca elétrica’.

Esta configuração social isola as elites econômicas da maioria da população

num apartheid cultural que leva a um progressivo confrontamento social.

A partir dos anos 1990s a cidade passa por um inédito alinhamento

dos governos municipal e estadual, anteriormente citados, e que se soma

a uma conscientização da população em torno da valorização da memória,

dos edifícios e locais históricos, do patrimônio eclético e moderno,

dos eventos em espaços públicos, do exercício espacial da democracia,

do respeito às diversas minorias, da acessibilidade e inclusão universal.

Somando-se a estes fatores o século XXI indica a necessidade

da valorização dos centros urbanos como pólos do compartilhamento

de infra-estruturas o que leva as cidades a menores consumos energéticos

numa revisão dos modelos anteriores que negavam uma certa densidade

e pregavam o isolamento idílico e individualista da cidade-jardim.

A revitalização da Praça Sete de Setembro em Belo Horizonte em 2003

pareceu coroar uma nova tomada de posição não só dos governos locais

mas também dos demais setores públicos e privados da sociedade,

e da população em geral rumo a uma  nova abordagem da cidade,

e da participação coletiva e compartilhada das decisões e uso dos espaços.

Muito ainda há que se fazer para abrandar desajustes sociais em termos de

distribuição mais igualitária da renda e do acesso à moradia e ao ensino,

do acesso global às infra-estruturas, saneamento e serviços de saúde,

ao transporte público eficiente e às redes viárias de qualidade.

A lição positiva que a qualificação de um espaço público pode trazer é

a gratidão e apropriação dos espaços pela população, o uso compartilhado,

a identificação e a preservação espontânea destes locais.

Na impossibilidade de resolvermos todos os problemas de uma só vez

estas ações pontuais funcionam, como destacou Jaime Lerner,

como acupunturas urbanas, focos que quando bem trabalhados

emanam energia positiva e vitalidade a todo um urbano corpo circundante.

IF THE CITY HAD A HEART…

IF THE CITY HAD A HEART…

Expanded reflections on Sete de Setembro Square in Belo Horizonte, Brazil by João Diniz, architect Msc

João Diniz, engineer/architect from School of Architecture UFMG, Federal University of Minas Gerais, in Belo Horizonte, 1980. Master of Arts in Civil Engineering specializing in Metal Construction from Ouro Preto Federal University in 2006. Assistant Professor since 1999 with the School of Architecture, FUMEC University – Minas Gerais Foundation for Education and Culture, which in 2009 signed agreements for cooperation in the areas of architecture and town planning with Gdansk University of Technology, in Poland, and other universities in Spain and Germany. President-Director of João Diniz Arquitetura Ltda, since 1989, a company for projects in the areas of architecture, town planning and design.

Text for the conference on the seminar about ‘Transformations in Urban Centers’ at the Gdansk University of Technology, Poland 2010

Genesis of new scenarios

The 13 Portuguese ships left Lisbon in 1500

in search for colonization and economic routes to West Indies.

Seaman Pedro Alvares Cabral, seeking to avoid the calms off the African coast

decides to sail westerly and on April 21

a mountain comes in sight, to which the name Pascoal was given

in that Holy Week that would change the course of history,

and lands for the first time in the American continent

in Porto Seguro, the region known now as Bahia (fig. 1).

In that place the first cross was erected and the first religious service was held and,

on behalf of Portuguese Crown, Pedro Alvares takes control over the land,

observed by perplexed indigenous, the natural landlords of that soil.

A native red tree, by the color of live coal, suggests the land’s name: Brazil,

to start, in igneous inspiration, a saga of recurring transformations.

The Letter of the Discovery is sent to the Portuguese King describing the event,

while seaman Pedro stays for ten days at the newly discovered beaches

before resuming the intended route to the Indies, to never be back again,

but leaves the Portuguese flag and the perspective of a new empire.

Coastline and countryside occupation

Portuguese and Spanish interest for American lands

led them to sign the Treaty of Tordesillas in 1494,

dividing between the two crowns the lands discovered and to be discovered.

A demarcation line 370 leagues west of Cape Verde islands

crossed the new continent and divided the land possession

with Portugal holding the lands to its east, and Spain to its west.

Due to scarce resources to colonize the new land

Dom Manuel, King of Portugal, creates Hereditary Captaincies in 1504

or parallel strips of land east-west bound which were donated (fig. 2)

to distinguished Portuguese citizens, who would rule and explore the

areas, and would transfer such possession to their descendents.

This system ensures the land possession for Portugal

and worked well by 1822, with the Independence of Brazil,

when those captaincies were then called provinces,

and undergoing different subdivisions, annexations and redefined boundaries.

And by the beginning of the 18th century, the Brazilian territory was

occupied preferably in the coastal regions closer to the metropolis

and to neighboring captaincies through the Atlantic Ocean.

As from 1700 a number of expeditions started westward exploration

where they discovery the wealth of gold, generating a new economic cycle

in the newly founded captaincy of Minas Gerais, with Ouro Preto as capital city.

This new economic activity moves the focus from coastal interests

to Brazilian inland, generating extractive development (fig. 3)

visible in the capital Ouro Preto, as well as in the cities of Mariana, Sabará,

São João del Rei, Serro, Congonhas do Campo, Ouro Branco, Diamantina…

This new progress can also be seen in the area of town planning,

architecture, sculpture, literature, arts and culture at large.

It is Minas Gerais baroque making the region historical scenery

of remarkable importance in the national political and cultural scenario.

Such an intellectual effervescence made the region stage for the 1789

movement known as Minas Conspiracy, a separatist movement

which proposed Brazil as an independent country free from Portuguese domain,

censorship, tax obligations, political and economic domination.

The insurrection gave rise to great national martyr and hero: Tiradentes,

born Joaquim José da Silva Xavier, a dentist and intellectual/ political leader.

Ouro Preto was the first Brazilian city to be declared by UNESCO

a World Historical and Cultural Heritage Site, in 1980.

Republican winds

With gold becoming scarce at the end of 18th century new economies emerge

giving room to the cycles of cattle and agriculture in other regional poles.

In late 19th century the cycle of iron emerges in the mountains connecting

Ouro Preto to Curral del Rey Sierra in reserves of 15 billion tons.

The city with its mountainous geography can no longer be the capital city

with the state’s new economy, in a newly proclaimed republic,

in a new century which wanted to see the colonial times far away.

In 1893, then President of the Republic Afonso Pena decides to build,

next to Curral del Rey Sierra, the city to be called Belo Horizonte,

inaugurated in 1897, as the new capital city for Minas Gerais state.

Engineers Aarão Reis and Francisco Bicalho direct the project and the works.

The plans called for a double orthogonal web in 45° angle,

a mesh of square blocks with 100 meters in right-lined streets

is cut by a second diagonal web, more spaced with wide avenues

making up a dynamic circulation system with its lines and directions.

A heterogeneous relief melts with the strictness of the urban plan, therefore

proposing an apparent contradiction between tracing and topography,

in a possible blend of sensuality/relief and sense/project (fig. 4)

helping define abstractly the character of the city and its people.

This rational plan is limited by a Contouring Avenue, perimetrical and circular

in a diameter of about two kilometers providing space for

squares and plazas in specific points of the tracing and topography.

The project blends together the urban traditions of 19th-century metropolises:

the rational American square lines are corrected by wide oblique highways,

by empty spaces, and by the concern with monumental perspectives

of European inspiration with an explicit influence by Haussmann.

Place of convergences

The orthogonal intersection of the city’s major avenues,

Afonso Pena and Amazonas, is intercepted diagonally by streets

Rio de Janeiro and Carijós, forming an asterisk with eight directions.

This place in the geographical center of Belo Horizonte is known as

Sete de Setembro Square, so named in 1922 during the

celebration of the centennial of Brazilian Independence.

The square is recognized as the symbolic heart of the city,

a point at the radiation center of the economic and social beat of the entire city.

Along its history, the square presented different configurations.

In 1902, the city’s streetcar system is inaugurated (fig. 5)

and the square houses the main station for connection and transshipment.

The square features also important and symbolic buildings

such as Banco Hipotecário Building, dated 1911, still existing,

the central obelisk, from 1922, the ‘Lollipop’ by architect Antonio Rego,

Brasil Cine Theater, dated 1932, by Ângelo Alberto Murgel, art-deco styled,

revitalized and transformed by architect Alípio Castelo Branco into the

Vallourec & Mannesmann Cultural Center in 2010,

Banco da Lavoura Building, designed in 1946 by Álvaro Vital Brasil

and awarded at the 1st Architecture Biennale in Sao Paulo,

and Banco Mineiro da Produção Building, dated 1951, by Oscar Niemeyer.

The square was not only a space intended solely for the public.

Photos from the 20th-century first decades show pedestrians coexisting

with different vehicles such as streetcars, automobiles and even animals (fig. 6),

therefore showing always its role as a multifunctional space.

At the beginning of the 1970s, the four blocks contiguous to the space center

were closed to vehicle traffic to become a pedestrian precinct,

intended exclusively as a passageway and space for people,

therefore creating the real square, although still fragmented in four sections.

In spite of its destination for pedestrians only, these sectors

do not receive a significant purpose-specific urban design.

In reality, the creation of these four spaces occurs also due to

required corrections in the traffic system, which intended to

limit the intersection and vehicle flow to the two avenues alone (fig. 7).

In 1989, Belo Horizonte City Hall proposes BHCentro,

a National Contest of Ideas for Downtown Belo Horizonte.

Architect Mauricio Andrés, in his line of ecological thought,

envisions the central part of the city under a perspective of low consumption of energy

and of commuting efforts, where the topography would be an ally to

the urban mobility, with movements avoiding

upward slopes, thus reversing the functionalist and linear logic of traffic

and opting for a more organic system, integrated with the geography.

This system would interact with public transportation and indicate

focal points of interest which would emerge with new plazas, or oases,

in the central area occupied preferably by buildings and traffic ways.

Likewise, specific points have been defined to have differentiated solutions

and, for the purpose, Mauricio Andrés invites five architecture offices

which would address one of the specific points defined by him.

Team 3834 was then set up, consisting of studios/teams by

Éolo Maia/Jô Vasconcellos/Flávio Grillo, who would work in

the central area around Sete de Setembro Square and surroundings,

Álvaro Veveco Hardy/Mariza Machado Coelho

who would concentrate on new proposals for the bus terminal,

Gustavo Penna and associates, who designed the Caetés Street axis,

a commercial strip called by Gustavo ‘Axis of Three Ways’,

Jason Santa Rosa, who addressed the flower market, and the

team consisting of João Diniz/Graça Moura/Márcia Moreira, who created

‘Palmeiras Alameda’ a special point at Amazonas Avenue.

With the participation of almost 80 teams from all over the country,

the contest awarded three teams coordinated by Manuel Rodrigues Alves,

by Ana Maria Schimidt/Maria Elisa Baptista, and Mauricio Andrés Ribeiro.

The contest judging panel determined highlights for each team, such as

the proposals for the bus terminal, the ‘axis of three ways’ and

‘palmeiras alameda’ designed by Team 3834, and the proposal for

revitalization of the Municipal Park, proposed by the team of Schimidt/Baptista,

whose project was commissioned, developed and executed in 1992.

Based on these results, in 1991 the Municipal Administration invited

Team 3834 to design a new revitalization project, for the Square

and the old streetcar station, turned into the Flower Market.

The five offices making up Team 3834 decided to first discuss the two

projects, jointly, and then divide them into five projects:

Flower Market and the four pedestrian sections of Sete de Setembro Square.

The team coordinated by Jason Santa Rosa received the Flower Market, and

the four other offices had the square, including the central area and its sections.

Informal academies

The active cultural environment existing in Belo Horizonte in early 1990s

had the participation of architects from Team 3834.

Since the early 1980s, the city was experiencing an intellectual renaissance.

The Minas Gerais cultural avant-garde, which naturally used to migrate to the

Brazilian largest cities such as Rio de Janeiro and Sao Paulo,

decided, from then on, to stay in their city of origin

in a mix of appreciation of their own origins and roots, and in the belief

that a new irradiating center of thought was born in the city.

Musical accomplishments were already in progress at ‘Clube da Esquina’,

a pop music movement led by Milton Nascimento,

Corpo dance group, which started to have international reputation,

Galpão theater group, Uakti group of sound experiments,

and a number of undertakings in plastic arts, literature and sculpture.

These manifestations happened in an integrated and informal atmosphere,

public spaces in the city were natural stages for debates,

bars, art galleries, theaters, parties and houses

served as spontaneous forums of inspiration and development of ideas.

Architects also wanted to be a part of such an ebullition.

Late architects Éolo Maia and Álvaro ‘Veveco’ Hardy

decided to set up a wide group that would establish magazines ‘Vão Livre’

and ‘Pampulha’, named after the lake where

in the 1940s a remarkable group of works was built, designed by

young Oscar Niemeyer, invited by Juscelino Kubitschek,

then the mayor of the city, and later state governor and president of the country,

who built Brasilia, the new federal capital, with that same architect.

Pampulha is recognized as the ‘birthplace’ of the modern Brazilian architecture,

and buildings such as São Francisco Church, Casa do Baile, Casino – now

Museum of Modern Art – and the Yacht Club became famous and admired

all over the world, generating all kinds of influence.

New Sete de Setembro Square

Architects with Team 3834 had already worked together at the

‘Sensations Project’, an innovative proposal for a country-hotel,

led by George Hardy, where each accommodation unit

was a small house designed by an architect and a plastic artist.

This project was awarded at the 2nd Architecture Biennale in 1993,

in Sao Paulo, with ‘special mention’ for the entirety and plurality of the work,

which encouraged the group to joint develop the project for the Square.

The general concept guiding the team indicated that the square should

redeem its old circular unit through the texture of the central pavement,

through the adoption of a new vegetation, signage and lighting, and through

the restoration of the obelisk, a symbolic element of local heritage.

These qualities would also be irradiated through the four blocks/streets

previously closed by releasing visual perspectives,

by creating free spaces, flexible and open to circulation, pause and leisure,

by appreciating the buildings with historic and architectural value,

by rationally grouping the urban equipment and furniture,

by maintaining the tall trees, but removing old-fashioned plant beds,

by adopting new lighting to valorize the architecture of the buildings

and bringing back a new sense of wideness, well-being and safety.

The pedestrian precincts, which are coexistence areas in the square,

where different activities happen in four distinctive sections, are known as

sections A/C of Carijós Street, and B/D of Rio de Janeiro Street (fig. 8).

The team led by Jason Santa Rosa was responsible for the Flower Market,

revitalizing it and adding a point for cultural and tourism information.

The team with Éolo Maia, Jô Vasconcellos and Flávio Grillo designed section A

by proposing a bunch of metal beams that indicate the square center, and

serving as support for lighting, urban furniture, newsstand,

and telephone booths, while organically through the space of the street

emerge benches for people to enjoy the free empty spaces (fig. 9).

The team led by Gustavo Penna worked on the topography of section B,

where in the upper part there is a kind of ‘excavation’ serving as an

inviting place with seats under a glassy cover (fig. 10) referenced in the

framework of the neighboring building, where there is also the locutory,

a prominent volume that sets off the excavated part, and surges as

focal point, civic and political, directly related with the square center.

Section C was designed by Álvaro Veveco Hardy and Mariza M. Coelho, who

also started to form the street topography to create a longitudinal stand,

a coexistence space for pedestrians, street vendors and shoe-shiners (fig. 11),

protected by a metal cover supported by a long well-lit metal beam.

The team formed by João Diniz, Graça Moura and Márcia Moreira worked on

section D, where there is a set of seven large pieces in the upper part

which connect benches to lampposts making up a kind of urban ‘lounge’

in front of commercial buildings and a traditional hotel with intense human flow,

a central empty space intended for local traffic to the hotel’s garage,

while in the lower part there is the semi-circular cover for craftsmen (fig. 12).

Sections A, B, C and D of the square were later named after the indigenous tribes

native to and existing in the state of Minas Gerais,

respectively: Maxacali, Xacriabá, Krenak and Pataxó.

The members of Team 3834, formed by the five offices, at first discussed

the guiding concepts and jointly designed the central points of

Sete de Setembro Square, where common solutions emerged to the entire area

with common equipment and trees planted in the central ring,

redeeming the dense vegetal ring seen in old photographs,

the main lighting of the central part, protecting fences in stainless steel,

new newsstands, waste bins, telephone booths, and the

restoration and re-composition of the central obelisk body, the ‘Lollipop’.

Another point of consensus was the widespread use of robust material,

promoting not only durability, but low maintenance efforts for the pieces,

thus generating self-esteem in the population, making them understand

that public spaces do not belong to anyone specifically, but to all.

Specific projects, worked on by ‘sub-teams’, have come to a result considered

by them as ‘fraternally different’ generating a new unit

at Sete de Setembro Square, permeated by freedom and plurality.

Steel and metallic structures emerge in the four sections as the

main constructive element, reflecting an existing characteristic

in the contemporary architecture of Minas Gerais state, which has been working on this material

in original fashion, so connected to the state’s geography,

to its natural resources, and to its industrial and steelmaking facilities.

This project for Sete de Setembro Square was commissioned in 1991

when it was conceived, and initially submitted to the population and to the

public power, which received it enthusiastically.

In 1992 the project and its authors represented Brazil at the

5th SAL – Seminars on Architecture in Latin America – in Santiago, Chile,

whose theme was the ‘New urban centers in transformation’.

Ever since, elected municipal and state governments,

even having different directives and political parties,

were interested in building the project, until 2003, under the municipal

government of Fernando Pimentel and state government of Aécio Neves,

the project was finally developed, built and delivered to the population

after over 10 years since it was initially conceived.

The present city, acupunctures and irradiations

From that date and through the execution of Sete de Setembro Square project,

the city’s central part started living a wave of diverse revitalization.

The project’s good acceptance and the environmental quality imparted by it

certainly influenced the revitalization of Estação Square,

Rui Barbosa Square, Serraria Souza Pinto – now an event center –,

Cine Brasil – now V&M cultural center, Raul Soares Square –,

old Cine Guarani – now Museum Inimá de Paula –, and recently,

the transformation of Liberdade Square into a cultural circuit through the revitalization

of several buildings, formerly used by the state government.

Downtown Belo Horizonte is characterized by a large concentration of

residential buildings, differently from other Brazilian cities,

most of them built in the 1950s and 70s, giving it a more

human character, of lively nightlife in the area’s spaces and streets.

Therefore, all interventions add qualification

to this area of the city, and it is shared by the entire population.

By the 1980s, downtown Belo Horizonte, as well of other Brazilian cities,

were connected to the idea of abandonment, environmental degradation, insecurity,

chaotic traffic, and even prostitution and drug abuse, leading the population

to ‘flee’ to condominiums in uptown, the upsurge of shopping malls,

and the ‘culture of residential alarm and electrified fences’.

This social configuration isolates the elite from the rest of the population, in a

cultural apartheid leading to a progressive social confrontation.

As from the 1990s, the city enjoys an unprecedented alignment

of the municipal and state governments mentioned above, added to an

awareness-raising of the population around the appreciation of memory,

landmark buildings and venues, of eclectic and modern heritage,

of events in public spaces, of the spatial exercise of democracy,

of respect for minorities, of accessibility and universal inclusion.

In addition to all these factors, the 21st century indicates the need

to valorize the urban centers as poles for sharing

infrastructure, leading cities to lower energy consumption

in a review of previous models which denied a certain density

and advocated the idyllic and individualist isolation of the garden-city.

The revitalization of Sete de Setembro Square in Belo Horizonte, in 2003,

seemed to acclaim a new stance not only of local governments,

but also of other public and private sectors of society,

and the population at large, toward a new approach of the city, and their

collective and shared participation in decision-making and use of spaces.

There is still too much to do to lessen social unbalances in terms of

more equal distribution of income and access to housing and education,

of global access to infrastructure, sanitation and health services,

of efficient public transportation, and quality road networks.

The positive lesson that the qualification of a public space may bring to us

is the population gratitude and usage of the spaces, the shared use,

the identification and spontaneous preservation of such places.

Since it is impossible to solve all the problems at a time,

these specific actions work well, as mentioned by Jaime Lerner,

as urban acupunctures, focuses that, when properly worked out,

emanate positive energy and vitality to the entire surrounding urban body.

translation: Arlindo Verlangieri

Gdyby miasto mialo serce…

JOÃO DINIZ

23.

REFLEKSJE NA TEMAT  PLACU SETE DE SETEMBRO

W BELO HORIZONTE  W BRAZYLII

23.1 TŁO HISTORYCZNE

W 1500 roku trzynaście portugalskich okrętów wyruszyło z Lizbony w celu koloni-

zacji i poszukiwania nowych szlaków handlowych do Indii Zachodnich. Żeglarz Pedro

Alvares Cabral, starając się ominąć niekorzystne dla żeglugi wody w pobliżu wybrzeży

Afryki, obrał kurs na zachód i w Wielkim Tygodniu, mającym odmienić bieg historii, dnia

21 kwietnia jego oczom ukazała się góra, której nadał nazwę Pascal, po czym wylądował

w miejscu nazwanym Porto Serugo, w regionie znanym teraz jako Bahia, jako pierwszy

Europejczyk na kontynencie południowoamerykańskim. W tym miejscu wzniesiono

pierwszy krzyż i odprawiono pierwszą mszę świętą, a Pedro Alvares objął kontrolę nad

tymi ziemiami w imieniu Korony Portugalskiej, obserwowany przez zaniepokojonych

tubylców, naturalnych panów tej ziemi.

Tutejsze czerwone drzewo o kolorze rozżarzonego węgla podsunęło pomysł na-

zwania tej krainy Brazylia1, krainy, która odtąd podlegała ciągłym transformacjom. List

odkrywcy opisujący całe wydarzenie zostaje wysłany do króla Portugalii, podczas gdy

żeglarz Pedro po dziesięciu dniach pobytu na nowo odkrytych plażach, wyrusza w dalszą

podróż do Indii, aby już nigdy z niej nie powrócić. Pozostaje po nim portugalska flaga

i perspektywa nowego imperium.

Zainteresowanie Portugalczyków i Hiszpanów amerykańskimi ziemiami doprowa-

dziło do podpisania już wcześniej, w 1494 roku, Traktatu z Tordesillas, który podzielił

tereny już odkryte i te jeszcze nie odkryte pomiędzy dwie korony. Linia demarkacyjna

położona wzdłuż południka 370 mil morskich na zachód od Wysp Zielonego Przylądka

przecięła nowy kontynent i podzieliła własność ziem przyznając Portugalii tereny leżące

na wschód od granicy, a Hiszpanii – te leżące na zachód.

Z powodu zbyt szczupłych sił i środków do skolonizowania nowych ziem Dom

Manuel, król Portugalii, w 1504 roku wyznacza dziedziczne kapitanie lub też, inaczej

mówiąc, równoległe pasy ziemi biegnące w kierunku wschód–zachód, które zostają

podarowane wybranym obywatelom Portugalii, mającym władać i odkrywać powie-

rzone tereny i przekazywać je dalej swoim potomkom. System ten zapewniał Portugalii

ciągłość posiadania ziemi i działał doskonale aż do 1822 roku, kiedy to Brazylia ogłosiła

1

Nazwa państwa Brazylia pochodzi od port. pau brasil – drzewo brezylki ciernistej (Caesalpinia echinata),

którego rdzeń dostarcza cennego czerwonego barwnika (brazyliny) (przyp. red.).

niepodległość, a kapitanie stały się prowincjami, przechodząc różnorakie podziały we-

wnętrzne, połączenia i zmiany granic.

Na początku XVII wieku, terytorium Brazylii było zajmowane najchętniej w rejonach

przybrzeżnych bliżej metropolii i kapitanii sąsiadujących z Oceanem Atlantyckim.

Od 1700 roku kilka ekspedycji rozpoczęło eksplorację w kierunku zachodnim, gdzie

odkryto złoża złota, rozpoczynając tym samym nowy okres gospodarczy w świeżo założo-

nej kapitanii Minas Gerais, której stolicą było Ouro Preto. Ta nowa aktywność ekonomiczna

przesunęła zainteresowanie z biznesu przybrzeżnego w głąb brazylijskiego lądu począt-

kując przemysł wydobywczy obecny w stolicy Ouro Preto, jak również w  miastach Ma-

riana, Sabará, São João del Rei, Serro, Congonhas do Campo, Ouro Branco, Diamantina…

Ten okres zaznacza się postępem w dziedzinie urbanistyki, architektury, rzeźby,

literatury, sztuki i szeroko rozumianej kultury. Barok z Minas Gerais ukształtował nieby-

wale ważną historyczną scenerię tego regionu w kontekście politycznym i kulturalnym

w skali całego kraju. Wrzenie intelektualne doprowadziło w 1789 roku do wybuchu

działań separatystycznych, znanych pod hasłem „niedyskrecja w Minas”, który zapropo-

nował uniezależnienie Brazylii od portugalskiej domeny, cenzury, podatków i dominacji

polityczno-ekonomicznej. Ruch powstańczy wydał wielkiego narodowego męczennika

i  bohatera: Tiradentesa, urodzonego jako Joaquim José da Silva Xavier, z zawodu den-

tystę, później przywódcę intelektualnego i politycznego.

Wraz z upadkiem znaczenia eksploatacji złota, pod koniec XVII wieku pojawiły się

nowe gałęzie gospodarki: rolnictwo i hodowla bydła umożliwiała rozwój innym prowin-

cjom kraju. Nowy impuls na terenach górskich daje także rozpoczęcie pod koniec XIX

wieku wydobycia obfitych (15 mld t) złóż żelaza, m.in. z otaczających Ouro Preto wzgórz

Serra do Curral del Rey.

Ouro Preto z powodu położenia w wąskiej górskiej dolinie miało ograniczone możli-

wości rozwoju i nie spełniało warunków do bycia regionalną stolicą w nowej rzeczywisto-

ści gospodarczej, świeżej republice i nowym stuleciu chcącym zapomnieć o kolonialnej

przeszłości. Ouro Preto było pierwszym brazylijskim miastem ogłoszonym w 1980 roku

przez UNESCO Miejscem Światowego Dziedzictwa Kulturowego i Historycznego.

23.2. BELO HORIZONTE

23.2.1. Plan Reisa – Bicalho

W 1893 roku, ówczesny prezydent republiki – Afonso Pena – decyduje się wybudować

w pobliżu pasma Curral del Rey nowe miasto o nazwie Belo Horizonte, oficjalnie założone

w 1897 roku jako nowa stolica stanu Minas Gerais. Inżynierowie Aarão Reis i Francisco

Bicalho kierują projektem i realizacją. Plany zakładały podwójną siatkę ortogonalną

o kącie 45° wraz z siatką prostopadłych kwartałów o bokach długości 100 metrów, prze-

ciętą drugą siatką ułożoną po przekątnej, dającą więcej przestrzeni, z  szerokimi alejami

umożliwiającymi dynamiczny przepływ ruchu.

Zróżnicowana rzeźba terenu kontrastuje z planem urbanistycznym, przez nałożenie

tego co wytyczone, na to co naturalne, tworząc mieszankę sensualności i racjonalizmu wy-

rażoną przez topografię i projekt (ryc. 61). Ten racjonalny plan ogranicza Aleja Obwodowa,

o średnicy około dwóch kilometrów, na której, w charakterystycznych punktach przecięcia

siatki planu z naturalnymi formami terenu, powstały przestrzenie dla placów i rynków.

Projekt wpisuje się w tradycje urbanistyczne dziewiętnastowiecznych metropolii,

w którym racjonalne amerykańskie linie kwartałów zostały skorygowane przez szerokie,

skośnie poprowadzone autostrady, pozostawione puste przestrzenie oraz przez monu-

mentalne europejskie inspiracje pozostające pod wyraźnym wpływem Haussmanna.

23.2.2. Miejsca konwergencji

Prostopadłe skrzyżowanie głównych alei miasta, Afonso Pena i Amazonas, jest

przecięte po przekątnej przez ulice Rio de Janeiro i Carijós, formując ośmioramienną

gwiazdę. To miejsce, położone w samym centrum geograficznym Belo Horizonte, jest

znane jako plac Sete de Setembro, nazwany tak w 1922 roku podczas obchodów setnej

rocznicy niepodległości Brazylii.

Plac ten stanowi symboliczne serce miasta, punkt promieniowania jego gospo-

darczego i społecznego pulsu. Od czasu powstania plac zmieniał swoje ukształtowa-

nie przestrzenne.

Ryc. 61. Plan Belo Horizonte według projektu Aarão Reisa z końca XIX wieku.

W roku 1902 wprowadzono miejski system tramwajowy i na placu znalazła się głów-

na stacja przesiadkowa. Plac mieści również wiele ważnych i symbolicznych budynków,

takich jak wciąż istniejący budynek Banco Hipotecário z 1911 roku, obelisk z 1922 roku,

„Lizak” projektu architekta Antonio Rego, teatr Brasil Cine w stylu art-deco z 1932 roku,

autorstwa Ângelo Alberto Murgela, zmodernizowany i przekształcony w 2010 roku

w Centrum Kulturalne Vallourec & Mannesmann przez architekta Alípio Castelo Branco,

budynek Banco da Lavoura, zaprojektowany w 1946 roku przez Álvaro Vitala Brasilia,

który zdobył nagrodę Pierwszego Biennale Architektury w Sao Paulo, i  wreszcie budynek

Banco Mineiro da Produção z 1951 roku, autorstwa Oscara Niemeyera.

Plac to nie tylko przestrzeń przeznaczona wyłącznie dla publiczności. Fotografie

z pierwszych dekad XX wieku pokazują przechodniów użytkujących plac wspólnie

z  tramwajami, automobilami, a nawet zwierzętami (ryc. 62), zarazem ukazując jego rolę

jako przestrzeni przede wszystkim wielofunkcyjnej. Na początku lat 70. XX wieku cztery

kwartały zabudowy najbliższe centrum zostały wyłączone z ruchu kołowego stając się

strefą pieszą, przeznaczoną wyłącznie jako przejście i przestrzeń dla ludzi, tym samym

tworząc prawdziwy plac, chociaż wciąż rozczłonkowany na cztery sekcje.

Pomimo swojego wyłącznie pieszego przeznaczenia, trzy sektory nie otrzymały

odpowiedniego zagospodarowania służącego temu celowi. W rzeczywistości, po-

wstanie tych czterech przestrzeni okazuje się być uzależnione od właściwej korekty

systemu ruchu kołowego, która miała ograniczyć przepływ ruchu jedynie do dwóch

alei (ryc. 63).

23.2.3. Projekt centrum

W 1989 roku Urząd Miasta ogłasza narodowy konkurs ideowy na zagospodarowanie

śródmieścia Belo Horizonte. W konkursie wzięło udział niemal 80 zespołów z całego kraju,

Ryc. 62. Plac Sete de Setembro w latach 40. XX wieku.

spośród których nagrodzono trzy zespoły: zespół pod kierunkiem Manuela Rodriguesa

Alvesa, pracownię Any Marii Schimidt i Marii Elisy Baptisty oraz zespół Mauricia Andrésa

Ribeiro. Architekt Mauricio Andrés Ribeiro, stosując podejście ekologiczne, przedstawił

wizję centralnej części miasta w kontekście niskiego zużycia energii oraz prób wprowa-

dzenia zmian polegających na wykorzystaniu topografii, poprzez unikanie pokonywania

stromych stoków a tym samym odwrócenie funkcjonalnej i  linearnej logiki ruchu na rzecz

bardziej organicznego systemu, zintegrowanego z ukształtowaniem geograficznym.

System ten miałby współdziałać z transportem publicznym i  tworzyć punkty koncen-

trujące się w miejscach nowych placów-oaz w  centralnej części przestrzeni wypełnionej

przez budynki i trasy ruchu.

Mauricio Andrés zaprosił do współpracy pracy pięć biur architektonicznych, z których

każde miało zająć się innym fragmentem obszaru.

Następnie uformowano Zespół 3834, składający się z tych biur/zespołów: Éolo Maia/

Jô Vasconcellos/Flávio Grillo, którzy mieli pracować nad centralną częścią wokół placu

Sete de Setembro, następnie zespół Álvaro Veveco Hardy’ego/Marizy Machado Coelho,

którzy mieli się skoncentrować na nowych propozycjach dla terminala autobusowego,

potem zespół Gustavo Penny i partnerów, którzy zajęli się zaprojektowaniem osi ulicy

Caetés, pasa usługowego nazwanego  „Osią Trzech Dróg”, następnie zespół Jasona Santy

Rosy, który zajął się rynkiem kwiatowym, oraz zespół składający się z  João Diniza/Graçy

Moury/Márcii Moreiry, którzy pracowali nad stworzeniem  „Palmeiras Alameda” – spe-

cjalnego punktu w Alei Amazonas.

Na podstawie wyników tego konkursu w 1991 roku administracja miejska zaprosiła

Zespół 3834 do pracy przy rewitalizacji placu i starej stacji tramwajowej przekształconej

w Rynek Kwiatowy. Pięć biur tworzących Zespół 3834 zdecydowało się najpierw przedys-

kutować dwa projekty razem, a następnie podzielić je na pięć zadań: Rynek Kwiatowy

oraz cztery sekcje piesze placu Sete de Setembro.

Ryc. 63. Plac Sete de Setembro latach 80. XX wieku

Zespół prowadzony przez Jasona Santę Rosę otrzymał Rynek Kwiatowy, a pozostałe

cztery biura zajęły się placem, łącznie z przestrzenią centralną i jej sekcjami.

23.2.4. Nieformalne centrum kultury

Aktywne środowisko kulturalne działające w Belo Horizonte we wczesnych latach 90.

XX wieku miało również członków pośród Zespołu 3834. Od początku lat 80. XX wieku,

miasto przeżywało intelektualne odrodzenie. Awangarda kulturalna Minas Gerais, która

w sposób naturalny migrowała do największych miast Brazylii, takich jak Rio de Janeiro

czy Sao Paulo, zdecydowała od tego momentu pozostać w swoim rodzinnym mieście

w swoistej atmosferze docenienia swoich korzeni i wiary w nowe, promieniujące cen-

trum myśli, które właśnie narodziło się w tym mieście. Muzycznym wydarzeniom, które

dokonywały się w Clube da Esquina, wraz z ruchem muzyki pop Miltona Nascimento,

grupą taneczną Corpo, która zaczynała zdobywać międzynarodową reputację, grupą

teatralną Galpão, grupą eksperymentów dźwiękowych Uakti, towarzyszyły inne liczne

przedsięwzięcia na polu sztuk plastycznych, literatury i rzeźby.

Te wydarzenia dokonywały się w nieformalnej atmosferze integracji, a przestrzenie

publiczne miasta stawały się naturalnymi scenami dla imprez i debat; bary, galerie sztu-

ki, teatry i domy prywatne pełniły rolę spontanicznych forów inspiracji i rozwoju idei.

Architekci także chcieli być częścią tego całego zamieszania.

Éolo Maia i Álvaro „Veveco” Hardy zdecydowali się powołać szerszą grupę, która

założyła magazyny „Vão Livre” i  „Pampulha”, nazwane tak na cześć jeziora, gdzie w la-

tach 40. XX wieku została zrealizowana znacząca liczba projektów młodego Oscara

Niemeyera, zaproszonego przez Juscelino Kubitschka, ówczesnego prezydenta miasta,

a późniejszego gubernatora i prezydenta, który przy pomocy tego samego architekta

zbudował później Brasilię, nową stolicę federalną. „Pampulha” jest rozpoznawana jako

„miejsce narodzin” architektury brazylijskiej, a budynki takie jak kościół św. Franciszka,

Casa do Baile, Casino – teraz Muzeum Sztuki Nowoczesnej – czy też Yacht Club stały się

sławne, podziwiane i inspirujące na całym świecie.

23.3. NOWY PLAC SETE DE SETEMBRO

Architekci z Zespołu 3834 pracowali już poprzednio razem przy „Sensations Project”,

innowacyjnej propozycji dla wiejskiego hotelu, prowadzonego przez George’a Hardy’e-

go, gdzie każda jednostka mieszkalna stanowiła osobny domek zaprojektowany przez

architekta i artystę plastyka. Praca została nagrodzona podczas Drugiego Biennale Archi-

tektury w Sao Paulo w 1993 roku, ze „specjalnym wyróżnieniem” za całościowy charakter

i różnorodność, co zachęciło grupę do wspólnego zaprojektowania placu.

Członkowie Zespołu 3834 najpierw przedyskutowali wytyczne koncepcyjne i wspól-

nie zaprojektowali punkty centralne placu Sete de Setembro, z czego wyniknęły wspólne

rozwiązania dla całej przestrzeni wraz z pomysłami na wyposażenie i drzewa pojawiające

się w centralnym pierścieniu, przywołujące na pamięć gęsty pas zieleni z dawnych foto-

grafii, wraz z głównym systemem oświetlenia środkowej części, barierami ochronnymi ze

stali nierdzewnej, nowymi stoiskami z prasą, koszami na śmieci, budkami telefonicznymi

oraz z odrestaurowanym i przekomponowanym centralnym obeliskiem – „Lizakiem”.

Kolejnym, zgodnym punktem było szerokie użycie solidnych materiałów podkre-

ślających nie tylko trwałość, ale również niskie nakłady eksploatacyjne przyszłego zago-

spodarowania, a tym samym wywołujące uczucie pewności siebie wśród użytkowników

i uświadamiające im, że przestrzenie publiczne nie należą do nikogo konkretnego, ale

do wszystkich.

Dodatkowo efekt miał być osiągnięty poprzez racjonalne pogrupowanie elementów

małej architektury, pozostawienie wysokich drzew, wraz z usunięciem staromodnych

kwietników oraz wprowadzenie nowego oświetlenia podkreślającego architekturę

i sprzyjającemu dobremu samopoczuciu i bezpieczeństwu.

Strefy piesze, które są przestrzeniami koegzystencji na placu, gdzie mają miejsce

różne działania w czterech wyróżnionych strefach, znane są jako sekcje A i C ulicy Carijós

oraz B i D ulicy Rio de Janeiro .

Zespół prowadzony przez Jasona Santę Rosę był odpowiedzialny za Rynek Kwiatowy,

jego rewitalizację i wyposażenie w punkt informacji kulturalnej i turystycznej. Zespół Éolo

Maia, Jô Vasconcellosa i Flávio Grillo zaprojektował sekcję A proponując pęk metalowych

kolumn podkreślających centrum placu i pełniących rolę podparcia dla oświetlenia,

a także umeblowanie, stojaki dla prasy, budki telefoniczne, ławki tworząc organiczn a,

przyjazną ludziom przestrzeń ulicy (ryc. 64).

Zespół prowadzony przez Gustavo Pennę pracował nad topografią sekcji B, gdzie

w górnej strefie znajduje się coś w rodzaju wnęki, pod szklanym przekryciem (ryc. 65),

która ma odpowiednik w konstrukcji sąsiadującego budynku, gdzie znajduje się również

spora kubatura służąca jako punkt skupiający, bezpośrednio związany z centrum placu.

Sekcja C została zaprojektowana przez Álvaro „Veveco” Hardy’ego i Marizę M. Coelho,

którzy nadali ulicy formę czegoś w rodzaju podłużnej platformy, przestrzeni koegzy-

Ryc. 64. Sekcja A placu Sete de Setembro, ul. Carijós 1.

Ryc. 65. Sekcja B placu Sete de Setembro, ul. Rio de Janeiro 1.

Ryc. 67. Sekcja D placu Sete de Setembro, ul. Rio de Janeiro 2.

Ryc. 66. Sekcja C placu Sete de Setembro, ul. Carijós Street 2.


stencji dla pieszych, sprzedawców i pucybutów (ryc. 66), osłoniętej przez metalowe,

podświetlone przekrycie.

Zespół w składzie: João Diniz, Graça Moura i Márcia Moreira pracował nad sekcją

D, gdzie w górnej części występuje zespół siedmiu dużych form, łączących ławki z la-

tarniami i tworząc rodzaj miejskiego „salonu” przy budynkach komercyjnych i hotelu,

w centralnej, pustej przestrzeni o intensywnym ruchu pieszym ukierunkowanym na

garaż, natomiast w części dolnej znajduje się półkoliste zadaszenie przeznaczone dla

rzemieślników (ryc. 67).

Sekcje A, B, C i D placu później nazwano na cześć plemion żyjących w stanie Minas

Gerais, a mianowicie: Maxacali, Xacriabá, Krenak i Pataxó.

Poszczególne projekty wypracowane przez „podzespoły” zaowocowały wynikiem

określonym przez samych autorów jako „braterska różnorodność” , tworząca nową jakość

na placu Sete de Setembro, z atmosferą wolności i wielorakości.

Stalowe i metaliczne struktury w czterech wspomnianych sekcjach jawią się jako

główny element konstrukcyjny, oddający cechy architektury współczesnej stanu Mi-

nas Gerais, w którym zawsze stosowano ten materiał, co w sposób naturalny wynikało

z uwarunkowań geograficznych, zasobów naturalnych oraz obecności zakładów prze-

mysłowych i hutniczych.

Projekt na zagospodarowanie placu Sete de Setembro został zatwierdzony w roku

1991 i udostępniony publiczności oraz władzom. Został przyjęty entuzjastycznie.

W 1992 roku projekt oraz jego autorzy reprezentowali Brazylię na piątej edycji SAL –

Seminariów o Architekturze w Ameryce Łacińskiej w Santiago de Chile. Ich tematem były

„Nowe centra miejskie podczas transformacji”. Od tamtej pory, nowo wybierane władze

miejskie i stanowe, mimo różnych poglądów i opcji politycznych nie były zainteresowane

zrealizowaniem projektu, aż do 2003 roku, kiedy to władze miejskie Fernando Pimentela

i stanowe Aécio Nevesa, po ponad dziesięciu latach od powstania koncepcji, w końcu

zrealizowały plac według propozycji projektowej i oddały go do użytku.

23.4. SKUTKI DLA CENTRUM MIASTA

Dzięki realizacji projektu placu Sete de Setembro, w centralnej części miasta zaczęły

zachodzić różnorodne procesy rewitalizacyjne.

Akceptacja projektu i wynikająca z niego jakość powstałego środowiska bez wątpie-

nia wpłynęły na rewitalizację Placu Estação, Rui Barbosa, Serraria Souza Pinto – obecnie

centrum rozrywkowego, Cine Brasil – obecnie centrum kulturalnego V&M, Placu Raul

Soares, dawnego Cine Guarani – obecnie Muzeum Inimá de Paula, i ostatnio, na prze-

kształcenie Placu Liberdade w centrum kulturalne, poprzez rewitalizację kilku budynków,

używanych dotychczas przez rząd stanowy.

Śródmieście Belo Horizonte2 charakteryzuje się koncentracją wielu budynków

mieszkalnych wybudowanych, w odróżnieniu od innych brazylijskich miast, w latach

50. i 70. XX wieku, bujnym życiem nocnym ulic tej części miasta. Dlatego też, wszelkie

interwencje podnoszą jakość życia mieszkańców tego rejonu miasta.

Do lat 80. XX wieku śródmieście Belo Horizonte, podobnie jak i innych brazylijskich

miast, było utożsamiane z opuszczeniem, degradacją środowiskową, brakiem bezpie-

czeństwa, chaotycznym ruchem kołowym, a nawet prostytucją i narkomanią, co dopro-

wadziło do ucieczki mieszkańców do osiedli mieszkaniowych w górnej części miasta,

wybudowania wielu malli handlowych i pojawienia się „kultury instalacji alarmowych

i płotów pod napięciem” wokół domów. Taka segregacja społeczna izoluje elity od resz-

ty populacji, tworząc rodzaj kulturowego apartheidu prowadzącego do postępującej

konfrontacji społecznej.

Od lat 90. XX wieku miasto cieszy się wymienioną wcześniej, bezprecedensową

współpracą władz miejskich i stanowych. Do tego należy dodać wzrastającą świado-

mość społeczną związaną z poszanowaniem historii, zabytków i innych miejsc pamięci

eklektycznego i nowoczesnego dziedzictwa, świadomość wydarzeń mających miejsce

w przestrzeniach publicznych, praktykowanie demokracji, poszanowanie mniejszości,

dostępność i ogólną akceptację idei rewitalizacji.

Do tego wiek XXI wskazuje potrzebę zwiększenia znaczenia centrów miast jako

biegunów koncentracji i współużytkowania infrastruktury, co ma prowadzić miasta

w kierunku niższego zużycia energii, w opozycji do poprzednich modeli, odrzucających

koncentrację i broniących idyllicznej i indywidualistycznej wizji miasta-ogrodu.

Rewitalizacja placu Sete de Setembro w Belo Horizonte w 2003 roku wydaje się wy-

znaczać nowe postawy nie tylko dla lokalnych rządów, ale również dla innych sektorów

prywatnych i publicznych, a nawet dla całego społeczeństwa, zmierzające w kierunku

nowego podejścia do miasta, do współdziałania i partycypacji w procesach decyzyjnych

dotyczących użytkowania przestrzeni.

Wciąż jest zbyt dużo do zrobienia w celu zniwelowania nierówności społecznych

w sensie bardziej równego poziomu dochodów oraz dostępu do mieszkań i edukacji,

szerszego dostępu do infrastruktury, higieny i służby zdrowia, wydajnego systemu

transportu publicznego oraz jakości sieci dróg. Pozytywną lekcją, jaką może nam dać

poprawa jakości przestrzeni publicznej, jest wspólne jej użytkowanie, społeczna akcep-

tacja, utożsamianie się z miejscem i spontaniczna dbałość o nie.

Ponieważ nie jest możliwe rozwiązanie wszystkich problemów na raz, te konkretne

działania, jak mówi Jaime Lerner, dobrze się sprawdzają, jeśli są rozumiane w sensie

miejskiej akupunktury, która dobrze przeprowadzona emanuje pozytywną energią

i  oddziałuje uzdrawiająco na całą otaczającą strukturę miejską.

2

Belo Horizonte jest dziś wielką aglomeracją liczącą w granicach miasta 2,5 mln mieszkańców a ponad 5 mln

na obszarze całej metropolii (przyp. red.).

João DINIZ, dr

Uniwersytet FUMEC, Szkoła Architektury oraz Fundacja Edukacji i Kultury Minas Gerais,

Av. Afonso Pena, 3880, 5º Andar – Cruzeiro, 30130-0009 – Belo Horizonte/MG, Brazylia.