F I T A poemobjeto

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F I T A poemobjeto

vamos sem fazer fita

está tudo enrolado demandando cuidado
o experimento desfaz o rolo do tempo
ao abrir a bobina arriscar uma sina
com a vontade de fio seguindo o rio
o futuro será belo se desfeito o novelo
inventando na linha o senso que advinha

vamos sem fazer fita

letra a letra no foguete da caneta
destecendo palavras que vão se escrevendo
e indo adiante na frase branca do instante
filme metragem pensar a longa viagem
seguir sem parada no papel uma estrada
ao endereço achado após o começo

vamos sem fazer fita

a partida é para a roda a única saída
no passo que desfaz o laço do cansaço
como um brinquedo invertendo o medo
solo promissor no fim do escorregador
a cor vai ao céu desfiando o carretel
sem pretensão deixar a vaidade no chão

joaodiniz 2016

os poemobjetos de joão diniz são uma proposta híbrida que funde arte, design, poesia e performance e aparecem como peças a serem manipuladas  pelos leitores ou faladas de forma cênica. o texto, que nasce simultaneamente à idéia de transformação do objeto resultante, se refere sempre a um desdobramento formal e vivencial da peça que poderá ser reproduzida em tiragens limitadas. 

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