Archive for the ‘ Cidades Visíveis / Visible Cities ’ Category

ASTROLÁBIO filme curto de joão diniz

Clique em ASTROLÁBIO para assistir a uma navegação urbana por Salvador/Bahia incluindo imagem, sons e textos de joão diniz.

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P A R I S k : um curta metragem de João Diniz

Direção, câmera, roteiro, edição de som e imagens: João Diniz

Duração 28 min.

SINOPSE

Uma breve estadia na cidade francesa leva o caminhante/fotografo a visitar alguns de seus principais marcos urbanos não deixando de lado suas reflexões pessoais construindo relações entre estes símbolos e seu olhar estrangeiro. A câmera percorre informalmente o espaço urbano captando quase que secretamente aspectos e sons cotidianos e os combinando na intenção de construir a memória de um andarilho atento.

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CINECURRÍCULO

JOÃO DINIZ é arquiteto fundador e diretor da JDArq Ltda e professor universitário, e tem seu nome ligado à contemporânea arquitetura brasileira com obras construídas, premiadas e publicadas, fazendo, algumas delas, parte da paisagem de Belo Horizonte, cidade onde vive.

Ele costuma dizer que chegou à arquitetura através da poesia e da fotografia, que pratica desde adolescente, e que através delas aprendeu a investigar espaços, luzes, enquadramentos, e também o ritmo e o sentido dos objetos e das idéias. Publica em 1979 o livro ‘Com vidro nos olhos’ com suas fotografias e poesia de Cacá Brandão e a partir de então tem participado como fotógrafo de diversas performances, exposições individuais e coletivas e da publicação de outros livros como ‘Polskantor, ‘Quedadágua’ e ‘Visible Cities’.

Tem colaborado como fotógrafo de cinema com os realizadores da UFA Audiovisual, Fábio Carvalho e Isabel Lacerda, em filmes como ‘O tempo do corte’, ‘Jimi Hendrix e a fonoaudióloga’, ‘Um foguete parou na porta’ e ‘Olhocinefoto’; além de sua produção autoral unindo sons, música, falas, textos e imagens, em peças breves tais como ‘Álém’ e ‘Liquidofício’ que chama de ‘cine-clips’ e que têm sido publicadas e divulgadas na internet ou em suas apresentações ao vivo. Em 2014 finaliza o curta metragem de sua autoria ‘Parisk’, em que cuida pessoalmente de todas as etapas de produção.

É o criador do projeto multimídia “Pterodata” que se dedica a produções nas áreas da fotografia e vídeo, composições sonoras, gravações, colaborações e performances poéticas com músicos, atores, locutores, artistas visuais, jornalistas e cenógrafos.

A partir dos anos 90, quando começa construir seus projetos, passa a refletir e escrever sobre eles e publica em 2002 e em 2010, respectivamente, os livros ‘João Diniz Arquiteturas’ e ‘Steel Life: arquiteturas em aço’ apresentando suas arquiteturas projetadas e construídas. Simultaneamente participa de outras edições, exposições e performances voltadas à fotografia, vídeo, poesia e música.

Estas ações reafirmam sua ligação com uma atitude autoral e interdisciplinar voltada ao lado humano do cotidiano, à observação dos ambientes urbanos e sociais e ao interesse pela composição coletiva, visando a busca de um espírito critico e poético.

PARISk um filme de Joao Diniz press release

TRIPLA SAUDADE em NY

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1

A cidade maçã a ser devorada
em seus pecados e murmúrios
a cidade sussurra em suas sirenes
e histórias e monumentos e baladas
cidade cantada numa tocata concreta
fugindo do vapor e da velocidade
é lá que se encontram as melodias
numa história de cordas e sopros
e em porões de tabaco e álcool
guardam a brisa que embala o ouvido
e é como se estes subterrâneos
guardassem toda a esperança da terra
numa revolução em forma de som

2

Times square anuncia piscante Johnny Winter
no BBKing Club entre as fortes luzes venais
descendo a escada do blues a surpresa
de cruzar com o mito que chega frágil
e cambaleante convalescente de excessos
e em caricias na inconfundível guitarra
continua mostrando quem é e foi e será
num relâmpago a estrela do Texas

3

Jack Bruce numa noite de neve gélida
fila externa na triste nota azul
mas o frio fica branco e úmido lá fora
e num tributo fiel a Tony Williams se mostra
preciso radical e eterno e jovem e presente
em dedos velozes e apos a seção
na porta do camarim falante Vernon Reid
o guitarrista dizia da importância vital de Jack
que como Miles turbinou o fusion jazz rock
Jack assim para sempre continuo soando

4

Charlie Haden na terra do pássaro
e a seu lado Joshua Coltrane pulsa
uma memória renascida lições do pai
junto ao contrabaixo suave profundo eloqüente
macio em notas que contam historias graves
e logo depois daquele dia Haden se foi
e depois do som com o Sergio Santos
que lá encontrei de surpresa e feliz acaso
saímos à rua em harmonia e encantados

5

Passei e passaram por NY três saudades
da musica ao vivo e nos discos do século XX
e presentes no XXI e muito depois
vidas que vão e se anotam num momento
que está no tempo a soar na memória do ouvido
afinando uma historia que é móvel na visão cantada
e no improviso onde crescemos e seguimos
ouvindo e aprendendo as melodias que somos.

SEMENTES DA PAMPULHA, um possível roteiro

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SEMENTES  DA PAMPULHA

Texto/roteiro p/ filme c/ sugestão de imagens-sequências por João Diniz


1- (imagens da natureza em Minas)

…as montanhas de Minas guardam mistérios
na geografia e no sonho de inventar uma nação
entre os rios os cristais e as paisagens virgens

2- (imagens de Ouro Preto)

…descobrir o interior criando uma cultura
no espaço da topografia e no organismo de ouro
numa luta independente por voz e identidade

3- (imagens de BH nos primeiros anos)

…a metrópole nova saúda o século XX
traço retilíneo e racional idealizando o futuro
numa lógica numérica sobre o sensual relevo

4- (imagens antigas da Pampulha)

…num clima de criação intensa JK convoca Oscar
em torno do lago a cidade dá o seu passo ao futuro
a jovem arquitetura moderna brasileira avança
curvas, retas, luzes e volumes dialogam com seu povo
o país redescobre sua identidade em espaços desconhecidos

5- (imagens da Igreja de São Francisco na Pampulha)

…São Francisco aprovou o despojamento dos arcos
na luz que penetra com sutileza a fé dos atentos
Portinari e Niemeyer se encontram na dinâmica das linhas
as capelas barrocas se orgulham dessa descendência
na simplicidade que é rica em detalhes e miradas longas

6- (imagens do Cassino / Museu)

…nem só de curvas vive a fantasia da liberdade
do alto da colina enquadrando reflexos distantes
a transparência abriga os lúdicos momentos do jogo
nas formas inesperadas da arte e da provocação constante
no vazio que é pleno de significados revistos a cada geração

7- (imagens da Casa do Baile)

…o interior descobre suas ondas de navegar continentes
as formas liquidas das margens se concretizam firmes
o salão circular é palco da comemoração popular
a festa tem o seu templo permitindo o sensual sorriso
num bailado de equilíbrio e ritmo essas marés vão além

8- (imagens de outras obras de Niemeyer: Brasília, Paris, Memorial da América Latina)

…Pampulha foi o começo da natural aventura Brasileira
sua identidade seu idioma seu caminhar autentico e seguro
onde a juventude é longa e a espontaneidade é precisa
a civilização tropical afirma seus clássicos ensinando rumos
o que vier daí será sempre singelo ousado e sincero.

Joao Diniz, dez 2014

CIDADES VISÍVEIS uma performance

joao diniz Cidades Visiveis flyer

o press release:

JOÃO DINIZ no SARAU DO MEMORIAL

O arquiteto João Diniz apresenta a performance multimídia ‘Cidades Visíveis’ no projeto Sarau do Memorial no Memorial Minas Gerais Vale em Belo Horizonte, no domingo 24 de novembro em duas seções às 11:00 e 13:hs.

A performance que une poesia, fotografia, vídeo e música, acontece para marcar o lançamento do novo livro de João Diniz o ‘Visible Cities’ que é um relato em fotografia e texto poético de 14 cidades por ele visitadas no Brasil, América do Norte e Europa (ou sejam: Paris, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Lisboa, Montreal, Cracóvia, São Paulo, Roma, Varsóvia, Barcelona, Brasília, Sofia, Miami e Gdansk).

A apresentação contará com a presença de João Diniz que fará leitura de textos do livro junto com a jornalista Daniella Zupo, serão também apresentadas fotografias da edição e sons compostos pelo autor. A projeção das imagens ficará por conta de Renata da Matta e Isabel Diniz e a curadoria do projeto Sarau do Memorial é de Wagner Merije.

Este trabalho propõe um diálogo com o conhecido livro ‘Cidades Invisíveis’ de ítalo Calvino onde este autor italiano descreve cidades inexistentes e imaginárias e pode também ser entendido como uma abordagem possível de ser feita por qualquer pessoa que queira interagir com cidades e espaços diversos. Desta forma a performance e a edição podem ser entendidas como um ‘procedimento itinerante’, uma proposta aberta e interativa.

O livro é uma edição bilíngüe (português/inglês) de 420 páginas com fotografias, textos e projeto gráfico do autor, tradução e tratamento de imagens de Luiza Ananias (bolsista Fumec)  e colaboração de Carolina Araújo (bolsista Fumec) e Isabel Diniz. Textos do posfácio por Marcílio Gazzinelli, Fábio de Carvalho, Carminha Macedo, Marcelo Xavier e Álvaro Gentil. Edição da transBooks, apoio do programa Propic da Universidade Fumec e pode ser visualizado na íntegra e adquirido no link http://br.blurb.com/b/4425225-visible-cities

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A jornalista Patrícia Cassesse do jornal ‘Hoje em Dia’ de Belo Horizonte me surpreendeu ao me pedir uma entrevista escrita, com perguntas que achei bem boas. Então respondi ao seu email com o texto abaixo, o que gerou a bela matéria na edição do cadernos de cultura do jornal em 24/11, com direito a capa e página interna.

1) São 14, as cidades visitadas… Como se processou  a escolha de cada uma? Vc foi a turismo (digo, motivado por uma vontade de conhecer especificamente esses centros) ou a trabalho? P q há, neste rol, cidades que são consideradas turísticas, mas outras, nem tanto… Como foi parar em Gdansk, por exemplo?
 – Fui a estas cidades um pouco ao acaso, a maioria delas fui como convidado a participar de eventos de arquitetura como palestrante ou para fóruns e oficinas. As vezes tomei não o caminho mais curto programando escalas em outras cidades que me interessavam ou por mero gosto pelo desconhecido. Adoro chegar numa cidade que nunca fui com o mapa na mão e algum estudo, as vezes sozinho, e daí a quatro dias já me sinto amigo daqueles espaços descobertos e até mesmo de algumas pessoas que aparecem, é um exercício do olhar estrangeiro. Sinto a dimensão do planeta ao mesmo tempo grande e pequeno e sinto que a cidade em que moro, BH, é também uma cidade de um mundo que não tem centro. Faço este trabalho de registros urbanos em fotografia, desenho e texto, há vários anos e na verdade muitas outras cidades ficaram de fora, pretendo seguir com o projeto em outras edições, talvez editando livros menores cada um dedicado a uma cidade, o próximo, que já tenho todo o material será sobre Nova Iorque.
A escolha das 14 cidades deste livro veio a partir do material que senti que não poderia ficar de fora e que pudesse propor um fio condutor entre todas elas.Gdansk por exemplo surgiu na surpresa casual que tive em conhecer a Polônia, e que acabei indo três vezes, como contarei a seguir. É uma cidade muito significativa do norte da Europa, que já foi independente de qualquer país, já foi da Alemanha, e foi lá que começou a segunda guerra mundial e que deu inicio à queda do bloco comunista através das ações do partido Solidariedade nos anos 1980.
2) Como esse projeto foi se delineando em sua cabeça? Como “as costuras” foram feitas, como se processou essa ideia de dialogar com Calvino? Alguém te sugeriu, era uma leitura antiga que veio à sua mente?
Me encantei com o livro ‘Cidades Invisíveis’ de Italo Calvino na primeira leitura nos tempos da escola de arquitetura. Neste livro Marco Polo conta a Kublai Kahn como são as cidades fantásticas e imaginárias de império que o imperador desconhece, e aí Kublai pergunta a ele se é realmente verdade o que ele diz, e ele responde que não é importante se estas cidades são ou não verdadeiras, mas as respostas que elas podem dar às suas dúvidas. Aí desde a minha primeira leitura fiquei imaginando se as cidades reais, as que realmente existem, podem nos dar respostas às nossas questões pessoais em relação ao espaços tempo e às pessoas. Aí passei a tomar as cidades, ao conhece-las, como fonte de informação e de estímulo para meu processo pessoal de arquiteto interessado em urbanismo, construção, fotografia, história e amizades.
3) Bem, essa pergunta “entrega” que ainda não deu tempo de conferir o livro pela internet, mas vamos lá… como vc estruturou essa junção de fotos e textos poéticos?
– Geralmente fotografo, desenho, escrevo e caminho bastante quando me vejo neste clima de descoberta num local que me interessa. Quando volto tenho um vasto material que fica ‘descansando’ até que eu me debruce sobre ele como se fosse uma segunda viagem. No caso deste livro parti das fotografias de cada cidade selecionando uma espécie de roteiro ou estória que pudesse contar através das imagens em aproximadamente 25 fotos de cada uma das 14 cidades. Depois de ordenar as fotos escrevi o texto para cada local num tipo de prosa poética. O livro é bilíngüe em português e inglês que foi a língua que usei em vários locais imaginado que a publicação pudesse chegar aos mesmos lugares onde estive e quiçá ser entendida. Na primeira parte do livro está um texto que explica este ‘procedimento intinerante’ sugerindo aos leitores que também façam semelhante abordagem. Após as 14 cidades coloquei poemas que escrevi in loco, os ‘fragmentos móveis’, depois coloquei o ‘Manifesto da transArquitetura’ que é a (in)disciplina que permite aos arquitetos, e a todas as pessoas, buscarem uma visão e ação ampla sobre diversos meios de comunicação e expressão como fez Leonardo da Vinci; e no final estão os textos/pofácios de Marcílio Gazinelli, Marcelo Xavier, Carminha Macedo, Fabio Carvalho e Álvaro Gentil que são amigos com quem dialoguei sobre a edição. O livro foi finalizado com ajuda do programa Propic da Universidade Fumec de BH, onde eu leciono.   
4) Gostaria que “temperasse” essa conversa online com uns dois casos dignos de nota ocorridos nessas suas incursões pelo mundo, que reverberaram em seu trabalho… Casos curiosos, engraçados, talvez tristes…
– Uma vez no interior da França eu estava com uma camisa que eu havia comprado em Parati e que tinha um peixe estampado e um arquiteto polonês me perguntou: ‘Você é católico?’ E eu respondi: ‘Sou cristão pop!’ e ele: ‘Como assim?’ E eu comecei a explicar que no Brasil as religiões se mesclavam através do sincretismo múltiplo, africano, indígena, evangélico… depois que falei uns três minutos ele disse: ‘Você que fazer uma palestra sobre este assunto na Polônia no mês que vem?’ E eu respondi: ‘Sim, vamos lá’. O arquiteto era diretor do grupo ‘Sacred Places’ que estuda os lugares sagrados e de culto que já me interessavam. Esta camiseta me abriu as portas da Polônia, Lituania, Bulgária, Eslováquia, Hungria e Áustria.
E, claro, João, fique super à vontade para acrescentar o que julgar pertinente (sorry, mas, assim como a cidade onde vc nasceu, preciso perguntar: quantos anos vc tem?)
– Nasci em Juiz de Fora e tenho 57 anos.
– Este trabalho mais que um livro editado é uma idéia que pode se desdobrar em diversas maneiras, como será na apresentação que faremos no domingo dia 24/11 no Sarau do Memorial’ MG-Vale na praça da Liberdade em BH. O lançamento do livro será acompanhado de uma espécie de performance onde eu e a Daniella Zupo faremos leituras de trechos do livro que será acompanhado das fotografias do livro e vídeos que também fiz nas cidades que serão projetados por Renata da Matta e Bel Diniz e para criar mais clima compus umas paisagens sonoras envolvendo também a audição nesta apresentação. O livro tem 420 páginas e é uma edição limitada mas que pode continuamente ser encomendada e enviada através da editora a qualquer lugar do mundo, e o livro também pode ser lido, visualizado na íntegra e também comprado na internet no link http://br.blurb.com/b/4425225-visible-cities#
Grande abraço Patrícia e obrigado por me ‘fazer’ escrever este texto onde acabo de ‘entregar’ vários ‘segredos’, fique a vontade para revela-los
beijos, Joao Diniz
E abaixo as duas páginas do caderno de cultura do ‘Hoje em Dia’ em 24/11/13
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Veja o clip preparado pelo Memorial MG Vale 
O jornal ‘Estado de Minas’ em 24/11/13 também destacou a apresentação em sua edição digital e impressa.
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Também divulgado no jornal ‘O Tempo’ em 23/11/13
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E esta é a ‘banda’ Cidades Visíveis: Bel Diniz, Renata da Mata, Daniella Zupo e João Diniz
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Veja o vídeo desta apresentação na íntegra em:

livro VISIBLE CITIES, observações arquitetônicas e urbanísticas itinerantes

Captura de Tela 2013-06-29 às 22.18.55VISIBLE CITIES see and purchase the book

Este livro é um relato em fotografia e texto de 14 cidades do Brasil, América do Norte e Europa e propõe uma leitura pessoal da experiência vivida pelo autor em cada uma destas cidades.

O trabalho pode também ser entendido como uma proposta de abordagem que pode ser feita por qualquer pessoa que queira interagir com cidades e espaços de forma semelhante. Desta forma a edição pode ser também entendida como um ‘procedimento itinerante’, uma proposta aberta e interativa. O primeiro texto do livro explica melhor este método.

Além do livro físico e/ou virtual, que pode ser adquirido e/ou visualizado na íntegra no link acima. este material poderá também ser conhecido, desenvolvido e ampliado em apresentações, palestras, oficinas, performances e outras viagens, feitas pelo autor e/ou convidados. Desta forma trata-se de uma dinâmica aberta que pode continuar em outras edições.

O material foi desenvolvido em seis anos de viagens e registros feitos pelo autor e foi realizado no programa Propic 2012-2013 da Universidade Fumec de Belo Horizonte, onde o autor leciona, que ofereceu parte dos recursos necessários para a montagem da edição.

Edição bilíngüe (português/inglês) de 420 páginas com fotografias, textos e projeto gráfico do autor, tradução e tratamento de imagens de Luiza Ananias (bolsista Fumec)  e colaboração de Carolina Araújo (bolsista Fumec) e Isabel Diniz. Textos do posfácio por Marcílio Gazzinelli, Fábio de Carvalho, Carminha Macedo, Marcelo Xavier e Álvaro Gentil.

#SugiraBrasil

SUGIRA

SUGIRA BRASIL 2013: Imagem e hashtag para sugerir e divulgar propostas e idéias que possam fazer avançar o nosso querido Brasil… #SugiraBrasil

Fotografia e Arquitetura: Ciclo de Palestras

ciclo-2013--arquitetura-joao-webNa 4a feira 12/07/13 às 13hs na Universidade FUMEC em BH faço palestra no:

CICLO DE PALESTRAS DE FOTOGRAFIA FUMEC 2013 / Imagem Arquitetonica Contemporânea: Estratégias Fotográficas…

…à ser realizado em junho de 2013, este evento conta com a presença de convidados de diversas áreas, visando construir um panorama sucinto e múltiplo para a produção de fotografia na contemporâneidade.

Entendemos como extremamente relevante a discussão no âmbito acadêmico de aspectos da prática fotográfica, bem como seu processo de legitimação, suas raízes históricas e instâncias contemporâneas.

Compreender o papel da linguagem fotográfica na constituição e consolidação de identidades e significados sociais torna-se crucial na formação do processo crítico de produção (criação e manipulação) e leitura de imagens.

Nesta edição o cronograma do Ciclo é: dia 12 de junho , às 13hs, nosso primeiro encontro pontua o universo acadêmico, e as suas possibilidades de pesquisa em torno do tema com os professores e arquitetos João Diniz e Gabriel Malard.

O segundo encontro destaca prática e técnica e o mercado em Minas Gerais, com os profissionais de destaque Jomar Bragança e Eduardo Eckenfelds.

Com fala e apresentação de imagens em torno de até 30 minutos para cada palestrante, após, será aberto o debate com o público presente, prevendo o encerramento por volta das 16hs.

SETE SONHOS URBANOS

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SONHO 1: O VÔO

Era só querer, a linha do horizonte descendo, o corpo ganhado altura, perdendo peso. A cidade transformada em um mapa, e os campos, em um quadro verde de tons múltiplos.

Era necessário cuidado com os fios, com as grimpas e com as copas. Aproveitar o vento sem fazer nenhuma força seria lógico, a gravidade derrotada pelo pensa- mento, pela vontade.

Havia controle da velocidade ao avançar, a planta da vida passando toda abaixo. Casas, prédios, bairros, rios, um desenho com sombras lógicas, tudo conhecido e esperado, mas nunca visto desse ângulo.

Aprendi a voar com essas asas do querer, imediatas. Não será sempre, mas será possível esse prazer geográfico de, durante o sono, possuir a terra e o ar.

 

SONHO  2: A MÁQUINA

Do computador fui direto para a cama no quarto escuro com o clarão da tela ainda impresso por traz do olhar. Deitado no breu as imagens permaneciam visíveis. De olhos fechados poderia ver bem as luzes internas da busca de um arquiteto.

Um novo projeto pedia para acontecer, e aos poucos ia sendo domado e re- velado nas linhas eletrônicas multicores que definiam cômodos virtuais. As respostas vinham com as dúvidas, buscando soluções, empurrando a mão, o pensamento, o mouse, gerando planos tridimensionais que inauguravam novos espaços. Com a che- gada do sono, o brilho não se apagou. A vibração da máquina permanecia no cérebro, e as imagens continuavam a ocorrer na escuridão.

De repente, eu estava dentro desse desenho mental. À medida que percorria os espaços imaginários, dava-lhes forma, textura, cor. Era um jogo interativo de sentir e criar instantaneamente. O ato de projetar integrado ao desejo inconsciente. Um hall, uma escada, vazios, materiais, a clareza das soluções era incrível. No mesmo fluxo foi possível ganhar a rua, continuar o planejamento imediato da cidade que se transformava na mira de cada olhar ativo.

Os anos anteriores de reflexão foram suficientes para que as propostas se materializassem com eficiente clareza. Os transeuntes pareciam aprovar o recém-nascido edifício, bem como as novas calçadas, praças e ruas que apareciam e indicavam o caminho do dia que despertava bruscamente.

Um relógio soava com a luz matinal. O corpo voltava ritmado aos movimentos da manhã. O computador estava desligado ao lado. A cabeça um pouco confusa. Esta não havia sido uma noite de descanso tranqüila. O lápis em cima da mesa, os vários papéis impressos e riscados na noite anterior aguardavam inertes.

Sem mais demora, ligado o botão, a tela se iluminou, o olhar matinal se deita sobre as imagens, com algumas modificações, os desenhos buscariam encontrar as soluções antevistas há pouco no inconsciente.

 

SONHO 3: O CORPO

Era uma névoa rubra e morna. O corpo sentia um estranho prazer epidérmico, misto de constrangimento e gozo. A vontade era sair dali, correr para longe, mas havia uma provocante sensação de desafio e de transgressão. Seria apenas necessário assumir a própria imagem, encarar os olhos dos outros, dizer algo pitoresco e finalmente aproveitar a cena.

Uma estranha sensualidade dominava o momento na busca de carinho e de companhia. Tudo era rápido, a visão detia-se em nada. Não era um tempo fixo, ape- nas o susto da própria nudez, inesperadamente defronte a todos, mistura de situação íntima e pública, pessoal e urbana. Não exibicionismo, mas sinceridade.

Se os corpos se tocassem por fora as sensações seriam internas, uma excitação própria, um desejo de ser intenso. Os poros todos expostos ao vento e às vozes.

Eretos sonhos nas cavidades do sono. Líquidas noites de um erotismo irreal.

 

SONHO 4 : A LIBERDADE

De repente vejo retidos os meus movimentos ao ser parado no meio da rua por falsos policiais, gentis como touros em frente à capa rubra. Meus argumentos são inválidos e eles não têm justificativa para tão descarinhosa abordagem.

Uma sensação desconfortável, um crime que não cometi, uma culpa que não é minha. Desconheço o meu delito, rejeito estas algemas. Será que existe justiça, verdade, segurança e direitos?

O mundo tão cheio de canalhas, e logo eu vítima desses brutamontes nacionais…

Serei refém da paranóia de tempos pré-revolucionários ou pós-lissérgicos? Terei que explicar atrás das grades os meus diálogos imaginários com Chê, Hendrix, Lamarca, Morrisson ou Marigela? Saberei confessar em detalhes os assassinatos, trá- ficos, guerrilhas e assaltos que não cometi?

A realidade será diferente? Todos que estão realmente detidos ou livres me- recem esse estado? Continuo aqui constrangido em via publica, uma discussão interminável, um assunto que dura toda noite até que me sinta desperto desse constante pesadelo público.

 

SONHO 5: O SOM

Era quase um silêncio noturno, mas mecânicas melodias percorriam o ar. Um trem apitava ao longe, alguns motores passavam velozes, distantes e irreconhecíveis palavras dialogavam lamentos, alguma ave com seu canto aéreo anunciava o dia.

Sons dispersos, desconexos, de repente harmonizavam-se, confundiam-se, ritmavam-se. Alguma outra voz era introduzida num súbito grito. Aquela sinfonia na madrugada antecedia o diurno murmúrio urbano, propondo uma obra aberta que duraria o quanto necessitasse.

Sentia-me um maestro, um compositor, poderia até arriscar uns versos para o coral de buzinas cantar essa suíte matinal de ruídos. A vontade maior era levar aquela performance espontânea para o mundo da vigília.

Naquele orgasmo sonoro sabia-se que em breve tudo estaria perdido. A cidade voltaria aos seus mesmos rugidos insistentes, cansativos, estressantes, o dia se estabeleceria num crescendo dissonante.

Restaria apenas manter o sonoro instante por mais um pouco, propor um gran finale, uma inesperada apoteose, antes do despertar.

Agora, apenas o texto talvez possa contar algo daquela aventura musical…

 

SONHO 6 : A MONTANHA

A vontade de conhecer o mundo ia sendo satisfeita naquelas noites de sono tranqüilo. Os sonhos eram roteiros de viagens e iam revelando locais, sugerindo, à memória desperta, abstratos cartões postais onde desfilavam, quase reais, lugares, pes- soas, e até sons e odores. Cidades e países com suas diferentes luzes iam compondo aquele álbum mental de momentos inéditos e inesperadas descobertas.

A pequena ilha distante e sua alegre cidade costeira eram recorrentes nas dormidas mais confortáveis, revelando nitidamente seu mar profundamente azul; suas areias, pedras e faces intensamente negras; um idioma composto por um calei- doscópio de nacionalidades; e seus alimentos desconhecidos e saborosos.

O que mais chamava atenção era a animação da pequena metrópole. O final dos dias trazia a música e a dança, os cabarés exalavam calor e satisfação, as ruas repletas cantavam a riqueza da alegria de viver uma liberdade desenhada numa ousada política de intercâmbios e protestos.

As visitas oníricas àquela cidade permitiam reconhecer seus belos edifícios e ruas, mas a visão mais impressionante era a grande e misteriosa montanha que se impunha majestosa sobre toda a ilha e que, num último sonho, estava estranhamente envolta por uma bruma de cinzas e pedras que jorravam sobre as praias e telhados turvando a visão de todos.

Quando fui convidado a conhecer Saint Pierre da Martinica, no arquipélago das Antilhas, ressurgiram claras as lembranças daqueles distantes sonhos insulares. Por incrível coincidência, iria talvez rever os perdidos locais presentes naquelas noites de sono.

Ao chegar lá o sentimento de estar retornando ao lugar era muito forte. As calçadas, as praias e a geografia pareciam familiares, mas havia uma diferença fatal: as principais construções eram ruínas de pedras escuras.

Todos ali comentavam que há mais de 100 anos a grande montanha havia explodido. O vulcão soterrara quase todos os seus habitantes e aquela ex-bela cidade, que, desde então, lutava para encontrar sua antiga felicidade e brilho.

 

SONHO 7: A LENDA

Naquela noite a imagem ocorreu numa breve nitidez. Ao dobrar uma esquina de Belo Horizonte sinto-me fora do tempo e me vejo numa viela medieval. A luz das tochas e os trajes revelam a súbita presença de uma outra época. Numa confusão de idades chego ao passado.

Ao lado da igreja gótica, um templo grego. Na larga praça renascentista, ins- crições pré-históricas e um jardim zen com plantas tropicais. Algumas odaliscas dan- çam o samba, cortesãs cantam mantras safados enquanto uma orquestra de cordas afina os primeiros acordes de uma trágica suite.

Um cavalo branco cruza as trevas num agouro desconhecido de datas e de fatos. Mais além estão as caravelas. Seus mastros tremulam no breu e uma frenética ação vem de dentro, com as velas içadas, zarpariam de manhã num prenúncio de descobrimentos.

As tavernas iam silenciando enquanto a areia passa pelo funil de vidro e os pavios queimam tremulantes. Alguns vultos se apóiam uns nos outros. Uma coruja cruza o céu, sublinhando com suas asas a crescente lua.

Passos sobre pedras, botas rudes traçando caminhos humanos. Envolto em uma capa negra corro insone. O lençol é um porto imaginado, a segurança invertida de um sonho.

Ao descer as escadas, o caos. A estação do metrô está repleta de fumaça e chamas. As pessoas apavoradas saem de uma bruma de terror, entre alarmes, estampidos e gritos; muitas sirenes interrompem o sono de todos.

Que estranha forma de acordar…

textos e ilustração: João Diniz 

A VIAGEM

971037_10151564158269194_1568205384_nCada ser tem a geografia de seu corpo, seus limites de rotina, seu ritmo de vida e maneira de passar o tempo, mas muitos são favoráveis a quebrar este pulsar das obrigações e consequentemente a dinâmica pessoal e ritmada dos espaços cotidianos.

A busca do desconhecido amplia as áreas do saber e o mapa mental das pessoas, por isso o fascínio que muitos têm pela viagem, ou mais, pela abertura voluntária do espirito para novos locais e tempos a serem vividos.

A viagem pode tirar os seres de seu usual conforto mas inaugura um álbum de experiências e registros que ganha corpo e vai sempre se ampliando na memória de cada um.

Seria absurdo medir a sabedoria de alguém pela quantidade de lugares em que já esteve, mas seguramente uma diferenciação de vivencias amplia a absorção do novo ampliando a curiosidade e tolerância dos indivíduos.

Na raiz mental de cada um estão ramificadas as cidades e personagens que conheceu, as amizades, os momentos, os espantos, os gostos, olfatos e prazeres destes caminhos percorridos.

E depois da jornada nada como o ninho para digerir emoções e preparar o próximo voo.

(foto e texto escrito e lido p/ Joao Diniz no programa Viamundo da Rádio Inconfidência 100.9 comandado pela jornalista Daniella Zupo)