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AUTO-ARQUITETURA: uma possibilidade

Com o ‘#fiqueemcasa’ surgem novas demandas para o espaço doméstico com o aumento de atividades remotas e virtuais como o teletrabalho, reuniões, aulas, lives e outras.

Nessa nova configuração alguns locais da casa se transformam compulsoriamente em um tipo de cenário ou estúdio improvisado, e passa a ser observado por interlocutores distantes num tipo de invasão de domicílio.

Até mesmo cada co-habitante ou membro da familia passa a necessitar de seu próprio novo ponto de recolhimento pessoal e sonoro para que realize suas tarefas interativas.

O espaço domestico não estava organizado para essas novas exigências e a AUTO-ARQUITETURA propõe o remanejamento crítico das áreas de ação e permanência pessoal a partir das demandas detectadas pela pessoa interessada em melhorar sua qualidade de vida.

Nesse contexto a intimidade dos moradores deve ser mantida, e é através desse remanejo dos locais do dia a dia, principalmente os do trabalho remoto, que a gradação pública-pessoal ideal será alcançada. Isso permitirá que as pessoas revelem, através de suas câmeras conectadas, e da transmissão voluntária de sua imagem, a atitude e argumentos que as fazem sujeitos ativos nas questões de uma nova época convulsa.

A ideia é que esse re-arranjo seja feito com recursos e peças já existentes, sem qualquer nova aquisição, obra ou serviços complexos, numa atitude não consumista e sustentável.

‘Fazer com o que tem’, é o mote. Pode-se através de uma simples revisão de posições do mobiliário, por exemplo, descobrir novas possibilidades de uso, de luz natural, de ventilação e de visadas até então não provadas num lar doce lar.

Os moradores, detectando essas atuais necessidades, podem experimentar a AUTO-ARQUITETURA pessoalmente, ou melhor, com a ajuda presencial ou remota, de profissionais, ampliando o potencial e flexibilidade do local onde estão, e melhorando a saúde e vitalidade de seu presente e futuro.

Vamos tentar?

Joao Diniz / agosto 2020

SEMIBREVE um livro instantâneo

MANIFESTO AO ABRAÇO por joão diniz

MANIFESTO AO ABRAÇO
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Tendo em vista a situação quase insuportável a que chegamos onde se acirram as polarizações, a falta de diálogo, a capacidade de aturar diferenças e os ódios.
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Tendo em vista a distância entre pessoas próximas e longínquas quando o individualismo se confunde com egoísmo, personalidade se confunde com vaidade e conteúdo se confunde com dispersão.
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Tendo em vista a presença de um mundo cada vez mais cibernético onde a maioria dos olhares e dedos estão voltados mais às telas digitais do que às janelas, paisagens e semblantes.
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Resolvemos lançar mão de uma das mais antigas ações utilizadas pelos humanos e por alguns animais:
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O ABRAÇO!
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O Abraço em suas diversas possibilidades.
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O Abraço sincero onde quem abraça se desvencilha de preconceitos e mágoas.
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O Abraço com as mãos, braços, peito ou costas, com o rosto, o nariz, talvez com os lábios e as pernas, de olhos abertos ou fechados, e também se possível com o coração e a alma.
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O Abraço onde o corpo se empenhe em demonstrar seu vigor, acolhimento, curiosidade, sensibilidade e abertura à conciliação e ao prazer do encontro.
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O Abraço amigo incluindo afinidades antigas ou instantâneas.
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O Abraço onde os corpos sintam suas superfícies, pulsações, volumes, temperaturas, odores, variações e até talvez sua energia vital e sua porção espiritual.
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O Abraço breve ou duradouro, apertado ou suave.
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O Abraço entre duplas, trincas, casais, grupos, bairros, cidades, nações, sem distinção de etnias, preferencias, credos, idades, culturas, idiomas ou gêneros.
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O Abraço em si mesmo.
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O Abraço que desfaça antigas mágoas, desavenças, dominações, autoridades, inimizades e dúvidas.
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O Abraço mútuo.
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Um Abraço sem preconceito, mas com senso crítico onde sabemos da possibilidade de estarmos sempre evoluindo, e de que está no próximo, a ser abraçado, as possibilidades da paz.
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O Abraço que pode até evoluir em outras atitudes como carinho, beijo e outras volúpias humanas, incluindo a paixão e o amor.
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O Abraço verdadeiro que não se desfaz quando termina.
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O Abraço guarda em si uma revolução.
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Abracemo-nos…
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……………………………………………………………………. João Diniz, outubro 2017