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GEOMETRIA INFORMAL um livro de joão diniz

Acesse o link para conhecer o novo livro de fotografias autorais e textos poéticos
GEOMETRIA INFORMAL por joão diniz publicado para aquisição sob demanda em julho de 2015.

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Sketch Collection JD + Plural na revista Elle

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João Diniz: Arquitetura Expandida, texto de Fernando Pedro

FP20

Como definir o perfil do amigo e arquiteto João Diniz? Como um poeta, um músico, um fotógrafo, um escultor, um desenhista, um cenógrafo ou um arquiteto contemporâneo que transita em todos os circuitos culturais de seu momento? Suas múltiplas faces se fazem presentes em cada projeto arquitetônico realizado, quando inscreve na paisagem das cidades sua marca reveladora de conceitos, formas, filosofia e poesia.

Diniz circula por vários países e, sempre em sua bagagem, tem sua cultura, seus conceitos e desenhos. Sua obra flui a partir da filosofia de vida, que defende a ausência de fronteiras, o simples estilo próprio, a leveza e o movimento no uso de materiais, como o aço e o concreto, que em seu traço ganham a leveza de um poema. Integra, na maioria de seus projetos, a arquitetura e as artes plásticas, quando traz para suas construções o parceiro e artista Jorge dos Anjos. Expande sua arte e cultura aos mais jovens, formando gerações por meio de suas aulas e também em seu escritório de arquitetura.

Possuidor de uma mente ativa, assim nos apresenta uma breve reflexão sobre a presença da arquitetura na contemporaneidade: “A contemporaneidade – ao mesmo tempo em que nos indica um caminho de futuro, na maioria das vezes duvidoso, apesar dos avanços da tecnologia – também nos vincula ao passado do qual viemos, numa possibilidade de diálogo entre tempos e saberes. Vivemos atualmente um ‘renascimento digital’, no qual as conquistas da comunicação global, por meio dos recursos informáticos diversos, podem tecer uma ponte entre passado e futuro, tentando minimizar o espanto humano perante um presente que, apesar da aproximação global, não trouxe a felicidade coletiva”.

E completa: “Assim, a fotografia, o desenho, a música, a poesia, a escultura, o vídeo, a performance e o design, podem ser entendidos como disciplinas que dialogam entre si e integram uma ‘transArquitetura’. Nela, além da produção de espaços que acolhem a sociedade, pode-se gerar ideias e produtos imediatos e participativos. A ideia de que todos, artistas ou não, possam interagir e participar dessas ações acompanha sempre os passos desta ‘arquitetura expandida’”.

Com inúmeras realizações, iniciou suas ações ainda criança, favorecido pelo ambiente familiar constituído por músicos, permitindo-lhe amplo acesso ao circuito cultural. Por ter muita sensibilidade musical, recentemente lançou o CD Ábaco, obra que complementa um maravilhoso livro de poemas com o mesmo nome. Ainda como estudante, descobriu a fotografia. E esta o levou à arquitetura. “Na fotografia, comecei a ver a questão dos espaços, enquadramentos, cortes, o que tem muito a ver com a arquitetura. Então, optei pelo curso por causa da fotografia. Eu queria ver o mundo através da lente da câmera”, explica.

A câmera tem sido sua fiel companheira ao longo de décadas, e os registros de sua circulação por variadas culturas foram apresentados em exposições. Agora, Diniz se detém à preparação do livro Cidades visíveis, com fotografias e fábulas – um registro autoral de suas viagens internacionais. Tal publicação se somará a diversas outras, como o livro João Diniz e o depoimento na Coleção Circuito Atelier, da C/Arte.

João concluiu seu curso de Arquitetura na UFMG, em 1980, quando iniciou sua relação de obras, que hoje, felizmente, vem acontecendo a todo vapor. Entre suas realizações destacam-se o Residencial Gameleira, o Edifício Capri, o Scala Workcenter, o Royal Golden Aparthotel e o Omni Center, para citar alguns entre os vários edifícios, residências, poemas e exposições. Dedica-se a inúmeras pesquisas, com destaque para a construção que possa ser sustentável.

Diniz considera o meio ambiente, os materiais empregados, o aproveitamento de energia, a relação das pessoas com a habitação, a reciclagem dos resíduos, a incidência da luz solar – entre outros fatores associados à estética, cultura, economia, realidade urbana e social – elementos que agregam valor à sua arquitetura expandida. Por meio dessa sensibilidade da criação, projeta suas obras a partir de um exercício multicriativo, utilizando-se de todos os seus talentos, principalmente em sua relação com um mundo sem fronteiras. Sempre pronto a criar soluções. Essa é a disposição de João Diniz, um autor fundamental para a nossa história, um permanente registro aos sentidos.

Fernando Pedro é Historiador da arte e presidente da Editora C/Arte e do Instituto Arte das Américas

Publicado na Revista Perfil em agosto de 2013

livro VISIBLE CITIES, observações arquitetônicas e urbanísticas itinerantes

Captura de Tela 2013-06-29 às 22.18.55VISIBLE CITIES see and purchase the book

Este livro é um relato em fotografia e texto de 14 cidades do Brasil, América do Norte e Europa e propõe uma leitura pessoal da experiência vivida pelo autor em cada uma destas cidades.

O trabalho pode também ser entendido como uma proposta de abordagem que pode ser feita por qualquer pessoa que queira interagir com cidades e espaços de forma semelhante. Desta forma a edição pode ser também entendida como um ‘procedimento itinerante’, uma proposta aberta e interativa. O primeiro texto do livro explica melhor este método.

Além do livro físico e/ou virtual, que pode ser adquirido e/ou visualizado na íntegra no link acima. este material poderá também ser conhecido, desenvolvido e ampliado em apresentações, palestras, oficinas, performances e outras viagens, feitas pelo autor e/ou convidados. Desta forma trata-se de uma dinâmica aberta que pode continuar em outras edições.

O material foi desenvolvido em seis anos de viagens e registros feitos pelo autor e foi realizado no programa Propic 2012-2013 da Universidade Fumec de Belo Horizonte, onde o autor leciona, que ofereceu parte dos recursos necessários para a montagem da edição.

Edição bilíngüe (português/inglês) de 420 páginas com fotografias, textos e projeto gráfico do autor, tradução e tratamento de imagens de Luiza Ananias (bolsista Fumec)  e colaboração de Carolina Araújo (bolsista Fumec) e Isabel Diniz. Textos do posfácio por Marcílio Gazzinelli, Fábio de Carvalho, Carminha Macedo, Marcelo Xavier e Álvaro Gentil.

Salada ShopskCanastra

A culinária integra as pessoas, e os povos.

As cozinhas nacionais se espalham pelo mundo representando seus países e regiões, e muitos viajantes, antes de visitarem outras nações, conhecem seus sabores através dos restaurantes e receitas estrangeiras.

Numa viagem pela Bulgária me chamou a atenção uma salada de poucos ingredientes sempre ofertada tanto em restaurantes sofisticados como em bares populares.

Provando este prato confirmei que, o que ele tinha de visualmente belo, através das cores contrastantes, tinha também de saboroso e nutritivo, se tornando meu alimento favorito naqueles dias. Depois descobri que seu nome ‘shopska’ tinha a ver com a palavra ‘povo’ e era muito apreciado em toda região balcânica.

Acho que a alimentação através das saladas bem balanceadas pode ser importante num futuro onde a energia para o fogo possa estar mais escassa e cara e, digamos, que elas podem ser consideradas um prato de características ecológicas por terem conteúdos preferencialmente vegetais e de baixa pegada energética.

Logo pensei que aquela salada búlgara poderia ter uma ‘tradução’ mineira refletindo a curiosidade que o povo de Minas Gerais tem de saber, e de assuntar,  o que está além das montanhas do estado, e além dos mares e continentes distantes.

Nesta adaptação os vegetais comuns nas duas regiões seriam usados e cortados da mesma forma, apenas o queijo seria genuinamente mineiro, o queijo conhecido como ‘Canastra’, inaugurando um prato de uma culinária ao mesmo tempo regional, internacional e diplomática: a ‘Salada ShopskCanastra’.

No prato preparado para este livro introduzimos ainda outros ingredientes delicados igualmente saborosos e belos, e o molho serviu tanto para temperar a mistura quanto para desenhar aspectos das duas regiões: Minas na parte superior e Bulgária na parte inferior do prato branco, com destaque para a palavra ‘обичам’ que em búlgaro significa ‘amor’ e que deve ser, como utopicamente desejamos, o principal ingrediente para que as nações do mundo sentem e se entendam em torno da mesa do futuro.

João Diniz, setembro de 2012

(Este texto, foto e respectiva receita farão parte do livro de culinária ‘Sabores e Casos de Minas’ de Maraina Dornas a ser lançado em 2012 pela editora Asa de Papel.

ÁBACO, o cd

Em setembro de 2012 João Diniz apresenta ´Ábaco’ novo cd do coletivo Perodata  que nasce da ideia de criar uma versão sonora para o livro de poesia de mesmo nome lançado por ele e a editora ´Asa de Papel´ em 2011.

Neste trabalho JD e o Pterodata mantêm a proposta de realizar composições sonoras híbridas, incluindo poesia, música, espaços sônicos, falas, cantos e vídeo, alinhada com a ideia da ‘transArquitetura’ que propõe, através destas mídias diversas, a possibilidade de uma arquitetura expandida, na criação de ambientes performáticos e apresentações interdisciplinares.

O disco, bem como a apresentação multimídia de lançamento denominada ‘Ábaco suite multimídia’, propõe a criação de ambientes a partir de faixas instrumentais compostas em computador por João Diniz e que têm a participação de músicos e artistas colaboradores tais como: Rick Bolina na guitarra e/ou baixo em todas as faixas; do músico senegalês Zal Sissokho nos vocais e na kora, um tradicional instrumento africano; Ricardo Cheib na bateria e percussão; Leri Faria nos vocais e falas; Marilene Clara nos vocais; Maria Bragança no saxofone; e também das falas de Daniella Zupo e da arquiteta e poeta polonesa Dorota Wisniewska.

O ábaco é um instrumento ancestral de cálculo que há séculos vem formulando perguntas e dando respostas através de suas contas que sugerem números e seus significados. Neste trabalho livro e disco se integram numa soma suportes e sentidos onde ler/escrever e ouvir/tocar se complementam na busca de uma composição integrada e expandida.

Clique aqui para ouvir o cd Ábaco

FAIXAS:

  1. ALÉM 4:41
  2. MOTE 4:08
  3. MILAGRE 4:59
  4. AZULAR 6:23
  5. LETAL 6:24
  6. MAÇÃ 7:11
  7. FLOR 6:49
  8. SINAL 6:27
  9. REMANSO 4:32
  10. LÍQUIDO 6:07

FICHA TÉCNICA:
JOÃO DINIZ: composição, arranjo, sequenciamento digital, controller e textos (1 a 10), fala (2, 5)
RICK BOLINA: guitarras (1 a 10), baixo (1 e 2), arranjo (2)
ZAL SISSOKHO: kora (2, 4, 7, 9), letra em mandingue, melodia e canto (2)
RICARDO CHEIB: bateria (3, 4, 10), percussões (5)
LERI FARIA: canto e melodia (1), voz (8, 10)
MARILENE CLARA: canto (6, 8), fala (6)
MARIA BRAGANÇA: saxofone (10)
DANIELLA ZUPO: fala (7)
DOROTA WISNIEWSKA: texto em polonês e fala (10)

direção artística, produção e mixagem: João Diniz
engenheiro de som, mixagem e masterização: Ricardo Cheib
Gravação: Estúdio Bemol e tranStudio, Belo Horizonte, Brasil de outubro de 2009 a julho de 2012
Fotografia: Marcílio Gazzinelli
Arte Gráfica: Délio Campos, Bel Diniz, João Diniz e José Luis Baccarini

AGRADECIMENTOS:
Obrigado a: Rick Bolina, Márcio Diniz, Leri Faria, Ricardo Cheib, Zal Sissokho, Marilene Clara, Maria Bragança, Daniella Zupo, Dorota Wisniewska, Álvaro Gentil, Roberta Blasco, Marcelo Xavier, Délio Campos, Marcílio Gazzinelli, Dirceu Cheib, Ibrahima Gaye, Maurício Silva, Paloma Pimenta, Daniel D’Olivier, Renata da Matta, Clara, Isabel, João Marcelo Ricardo, Lúcia e Angela Diniz, Café Book, Editora Asa de Papel, Estúdo Bemol, Café da Manhã, BID, Garage Band e www.

Cronologia intemporal para Jorge dos Anjos, por João Diniz

cronologia intemporal para Jorge dos Anjos

por João Diniz

texto para o calendário 2012 da a Pórtico Construções Metálicas fotografado e produzido por Marcílio Gazzinelli contendo obras de Jorge dos Anjos 

as ladeiras ouropretanas em muito contribuíram

para uma cultura de minerais, conspirações e nevoas

numa geografia de conquistas, descobertas e invenções.

um novo Brasil passa a ser recriado em seu interior,

por mãos de barro e sonho que buscam ouro,

voltando olhos para o solo rubro de metais

e propondo novas identidades, patrimônios, fazeres.

essa historia é escrita por múltiplas peles e linguagens,

quando a caravela lusa, retida na costa, vê nas montanhas

a aventura humana na constelação de sonhos e pretensões,

e é lida num texto de sangue, com passos de liberdade e luta,

num novelo político que propõe, no pote diverso das raças,

o mosaico nacional de uma utópica e impossível certeza.

o menino pisa capistranas atento às torres e montanhas,

olho no chão e céus, estrelas aterrizadas em buscas,

e nas explorações do lápis, pincel, giz, tela, carvão e papel,

investigando a nova negritude policromática dos materiais

em diálogos com os mestres do passado e atuais amigos.

Jorge dos Anjos, em seu próprio projeto, nasce diariamente,

na pessoa que expande a biologia experimental da arte

e migra das suas natais serras barrocas, numa fé móvel,

aos horizontes metropolitanos, aos embelezáveis desafios,

e empreende seu vôo de luz e sombra, de aço e fogo.

e sonha em pedra sabão e óleos, em chapas e madeiras,

em tecido, feltros, borrachas, e flores recortadas em cor,

também em cubos, planos, cortes, espaços, dobras e vãos,

numa tensão solta, entre a descoberta e a invenção,

na fronteira da criação e do labor, do silencio e do riso.

na caminhada rítmica do tempo, sem repouso cessante,

segue Jorge sua saga artística, incansável investimento,

em dinâmico calendário, ausente de promessas doces,

e que vai percorrer os dias em guindastes e levitações,

e proposições, projetos, linhas, letras e protótipos,

em recortes e geometrias das recém nascidas matemáticas.

este ciclo de esferas e anéis, pontas e pontos sem fim,

são viagens que partem de Áfricas refazendo o percurso

entre a América e o mundo e que desembarca riscos

em terras de Espanhas, Holandas, Bélgicas e Franças,

e até em rios saopaulinos, destinos sulinos rebelados

na falsa pretensa periferia dos centralizadores discursos.

em dialogo popular com a espontânea sabedoria do sentir

o Anjo mostra os outros gestos gráficos da dicção brasileira

num poema que surge, avança, retoma, escuta, e encara

as semanas e meses, do ano que passa em números e horas,

deixando apenas o minério da experiência, da vivencia, do saber…

João Diniz, 2011