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DIÁRIO IMAGINADO de joão diniz

diario imaginado logoa agenda em branco chegou no fim de ano, os episódios  foram anotados caligraficamente em forma de poemas, breves impressões cotidianas, tempos vividos e desvividos, observadas, exageradas ou inventados

esses fragmentos ou calendário de notas foram escritos sem ajustes, mas, em seguida após digitados, foram submetidos ao editor e, agora, ao leitor, que, ao ler estes breves apontamentos vão selecionar os dias a serem esquecidos ou lembrados

conheça a primeira revisão desse texto no link DIARIO IMAGINADO

A U R O R A (aos que acordam…)

BH noite foto JD

A U R O R A

 e eles foram despertados

 pelos ruídos da noite
silêncios profundos
e sonhos

 pelos sons da aurora
pássaros motores
ponteiros

 pelas ideias nascentes
dizeres futuros
caminhos

 pelo rompante lucido
invento surpresa
trabalho

pelos saberes vindouros
estudos pesquisas
próprias

    pelo sonoro afago
balada matina
andante

pela vontade ativa
pessoa desperta
batalha

e eles foram despertados

pelo súbito colapso
pulsante na pausa
fatal

pela saudade doida
vivida passada
ausente

pelas palavras da mente
duvidas desejos
e magoas

pelas ilusões vaidosas
imagens forçadas
das sombras

pela fgura cativa
espelho volátil
e falso

pelas invejas vigentes
ocultas ativas
avulsas

pelos impostos valores
forjado principio
da venda

pelas disputas fugazes
emoções tardias
e rivais

pelo apetite danoso
vontade escrava
do vicio

pelo soberbo caráter
superior altivez
da posse

e eles foram despertados

pela natureza sábia
regente coesa
e vital

pela permuta possível
tolerado consenso
viável

pelo coletivo buscado
aldeia tentada
e mais justa

pelo espaço sufoco
cidade tormenta
doente

pelo balanço rompido
num cego golpear
irado

pelo campo minado
pálida verdura
veneno

pelo florido olfato
hipótese cromática
da vida

e eles foram despertados

pelas mazelas do dia
tramoias marcadas
em crimes

pelos desmandos do tempo
nas mortais traições
e ataques

pelas mentiras propostas
nas vazias campanhas
polidas

pela imprensa opaca
verdades forjadas
em truques

pelo estrondo de ódio
um letal torpedo
mirado

pela injusta jornada
na vilã proposta
escrava

pelo domínio da crença
imposto pecado
do medo

pelo informe gritado
ensino postiço
do poder

e eles foram despertados

pelo faminto sujeito
vagante pedinte
na rua

pelas pobrezas alheias
flagelos fraternos
por perto

pelos humanos remotos
distantes carências
nossas

pelo espirito ligeiro
mística viagem
da fé

pelo humilde animal
interno atento
em si

pela amizade presente
conversa permuta
diária

pelo risonho percurso
num serio critico
humor

pela infância crescente
descoberta pureza
ternura

pelo imediato querer
energia volátil
da paixão

pelos amores surpresos
sensíveis e breves
carinhos

pela volúpia física
latente impulso
tesão

pelo durável contato
próximo intimo
afeto

e eles foram despertados

pela solidão precisa
saudável retiro da
invenção

pela entrega noturna
restauro compasso
do sono

pela dadiva do dia
regalo vivente
e curto

pelo período repouso
íntima dinâmica
da luz

pelo disposto levante
insone ímpeto
de ser

pelo sincero silencio
constante partida
adeus…

joao diniz 2014

ME – DITAÇÕES

me ditar

 

A situação chama & clama por atenção. O caminho só o é se percorrido, e a história, se escrita… Liberada a memória da obrigação de grafar o que acredita, incita a mão, que não mais aflita, se agita e escreve. O dito é o que fica.

A experiência é fortuna própria & confirma o vivido no tempo que acontece. Intento ou acaso, cada dia é capitulo a ser lembrado. A pessoa é o seu registro, a todo instante, sua vontade de gravar e a marca de seu esquecimento.

Corpo na água, quase sem gravidade, flutua no considerado mar das hipóteses solares do dia e na brisas de sua fé. Num mergulho continuo em ondas turvas, o pensamento persegue suas marés.

Tempo: continuo fluxo abstrato e aliado ao pulsar de um ritmo alado. Contagem de silêncios & notas & falas, além do passado e futuro uma escala que não se cala.

Espaço mede passo & numero & área & volume. A quantidade não soma o reto agir e o arco da pausa, ao acaso de encontros vários, sagrados ou ordinários.

Natureza é tudo o que vale. A montanha, a sanha de mudar & crescer, ser nascido & fazer valer o ciclo-período breve & vital que vem de repente vai afinal.

A oferta não sobra na generosa festa do querer & doar, & no raro gesto aberto que guarda a amostra do amparo, evento correto do cuidado.

A espera repara a pressa, a tempestade antecipada exagera a necessidade da hora. O livre não para na demora que duvida & decola.

A ilha navega no trovão & no vento & na asa da chuva & do ar. A ilha chama o farol-luar que esclarece a solidão do barco no humano vagar.

O outro é o espelho, alvo do olho, simétrico reflexo de si onde (se) acha a metade semi pronta do ser (ou não ser?) que nunca se toma. Uno e múltiplo exemplo do encontro e da soma.

Fogo ar elemento terra água sol, a cena móvel, cíclica roda do criar & destruir. Orgânico pendulo em linha, suspiro queimante na sequencia do equilíbrio que se busca em um novo giro.

Treva, ausência, vácuo, choro escuro sem eco ou acolhida. A distancia é dolorida, um furo no ser que nega o seu centro e a dupla voz da luz sonora, na conversa de almas pares, a clarear o encontro.

Construir o engenho que rompe a inercia obvia do repouso frágil que detém. O traço inventado desperta o branco num infinito possível em linha e letra. O projeto antevê o risco de levar adiante o desafio do instante: driblar o erro, abraçar o certo, fixar breve mente…

A voz buscada em si, distante do corpo próprio, é acompanhante da pessoa certa, nascida em você e que quer se ver no correto mirar da estrada adiante no próximo passo ou no calado salto. A escuta acorda um eco interno, frágil chamada.

Paraiso não é garantia, mas cenário da crença no eterno ou na recompensa por um julgado ato. Aqui na terra é no quase, feliz ou triste, mas sabe? O instante não ressuscita mas se contenta em ser assim, imediato.

Na leitura a retina é humilde e visa reter o que o coração vai ler no mosaico de palavras que o autor quis trazer com sua mão & mente. Cada pagina é um rumo a conceber o volume que se tem à frente.

A jornada é nada se comparada ao jogo das horas. Minuto a vir é demora, minuto que é foi agora & os que já eram são estórias. Curtas, encadeadas, justas, inventadas, ouvidas, desencontradas… Conto de fada, balada, toada a imprimir pulsação. Em cada medo diário a direção é contraria.

O começo é o salto do berço alto do conforto, ao sobressalto de empreender o esforço. Ao que vai ser é nada a intenção parada na só-ideia da ação que quer deixar seu porto.

Silencio absoluto da tarde, pio, motor, alarme. Som que propaga na voz do vale com seus cantos. O calar é um intento traduzindo o vento, musica pessoal, contentamento, alegria… O espaço é a nota que busca a sinfonia do dia.

O registro da ideia é o fluxo do momento que abre a veia do pensamento guardando para mais adiante o que nasce breve, fazendo constante a imagem do imprevisto, para ser revista.

O meio: equidistante extremo, eixo central da trilha, a metade da pilha, o pedaço igual, duas partes do todo, o ser & seu duplo. Para além do espelho é um pulo, um afeto, onde uma linha divide os lados do completo.

Tudo ou nada, nada & tudo. Do infinito ao zero, um exagero, do justo em contragosto, do falso desafiado, os muitos matizes da totalidade. Quem nada tem, tem tudo, quem tudo tem, tem nada. Precisar, ganhar, acumular, compartilhar, entregar, doar, a matéria, a mão de obra, a falta & a sobra, o valor & a renda, a verdade & a lenda, do produto descartado… tudo, tudo tem um preço inventado.

Entre o sono e o sonho, janela entreaberta, aurora, luz nova, primeiros sons diários. Lençóis imaginários, brancos e escuros tons moveis da noite com seu texto errante. O que esperar do dia? Solar, distante, fugaz, diferente? Faça chuva ou faça céu, a lua é um véu, superior anel, de estrelas e instantes.

Observar adiante da vista a conquista de algum acaso que inspira o ar surpreso de qualquer hora. A atenção é a ponte num rio de fatos, um fio que liga, saber e ato, aula breve, imediata, lição nata do dia que vai embora.

Estiagem, será curta? Entre trovões, dilúvios, desmandos, absurdos; os pássaros anunciam, próximos e distantes. A névoa se desfaz. Entre duvidas, tentativas, vendavais, invernadas. Ágil é o jato solar. Entre trevas, tristezas, tropeços e desmaios. Uma luz traz alento, até o próximo raio.

Flui a música a fazer marcas no tempo. Com respeito, brilha no silencio, a modular o infinito, dando graça ao segundo e ao minuto. Do lá absoluto ao acorde-melodia, cada qual tem o seu canto, & seu som no espaço & no passo que vira dança. Lição do pássaro: piar, voar livre, bailar no ar o intento, bater no ar e soar, a canção e o lamento.

Diária onda, a cada giro do sol 24 compassos horários a quem conta o passo das coisas e anota. Carta a si mesmo, caderno de viagem, dialogo frequente, constante passagem. Maré, jornal, seção; notívago, turno, estação; inerte, diurno, refeição; vesperal, breve, coleção; eterno, ritmo, canção… Orgânica rotina, nativo costume, vivido lance, ativo balanço. Uma jornada em ócio, festa ou negócio, súbito obstáculo, do segundo e do século…

joão diniz / brasília-gamboa s.c. dez 2013 jan 2014

FUTEBOL DO PAÍS. texto para exposição fotográfica de Marcílio Gazzinelli

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FUTEBOL DO PAÍS

O país do futebol não é mais o mesmo.

O futebol oficial e mercadológico dos estádios, da TV, das glorias passadas e dos títulos históricos, é substituído pelo futebol das várzeas, dos colegas que jogam após o serviço, e compram seu próprio uniforme e suam suas camisas por prazer.

Marcílio Gazzinelli nos apresenta nesta série de fotos uma face humana, individual, e até solitária, deste esporte das multidões. A bordo do helicóptero atento, entre fotos industriais e geográficas, o seu olhar múltiplo é tocado pela força espontânea dos vazios urbanos, multifuncionais e necessários.

Estes vazios aparecem como os últimos locais de resistência à uma ocupação indiscriminada dos espaços, onde é possível aliviar as tensões sociais diárias nas geometrias informais ou geológicas que demarcam o solo separando o choque entre a cidade disforme e o bailado dos jogadores que se divertem com seus lances.

O ponto de vista aéreo revela algo talvez menos perceptível ao nível do chão: a agilidade brasileira em celebrar o espaço deserto do campo de pelada como palco de uma vitalidade tão instantânea como um gol, e tão anônima como o drible que o cidadão comum dá em suas mazelas.

Em um desafio a uma percepção contraposta à sedução midiática dos grandes eventos milionários, esta paixão esportiva nacional pode ser transmutada substituindo o foco sempre dado ao ‘país do futebol’ pela importância humanitária do ‘futebol do país’, onde seu povo é sempre bom de bola.

João Diniz, março 2014

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CIDADES VISÍVEIS uma performance

joao diniz Cidades Visiveis flyer

o press release:

JOÃO DINIZ no SARAU DO MEMORIAL

O arquiteto João Diniz apresenta a performance multimídia ‘Cidades Visíveis’ no projeto Sarau do Memorial no Memorial Minas Gerais Vale em Belo Horizonte, no domingo 24 de novembro em duas seções às 11:00 e 13:hs.

A performance que une poesia, fotografia, vídeo e música, acontece para marcar o lançamento do novo livro de João Diniz o ‘Visible Cities’ que é um relato em fotografia e texto poético de 14 cidades por ele visitadas no Brasil, América do Norte e Europa (ou sejam: Paris, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Lisboa, Montreal, Cracóvia, São Paulo, Roma, Varsóvia, Barcelona, Brasília, Sofia, Miami e Gdansk).

A apresentação contará com a presença de João Diniz que fará leitura de textos do livro junto com a jornalista Daniella Zupo, serão também apresentadas fotografias da edição e sons compostos pelo autor. A projeção das imagens ficará por conta de Renata da Matta e Isabel Diniz e a curadoria do projeto Sarau do Memorial é de Wagner Merije.

Este trabalho propõe um diálogo com o conhecido livro ‘Cidades Invisíveis’ de ítalo Calvino onde este autor italiano descreve cidades inexistentes e imaginárias e pode também ser entendido como uma abordagem possível de ser feita por qualquer pessoa que queira interagir com cidades e espaços diversos. Desta forma a performance e a edição podem ser entendidas como um ‘procedimento itinerante’, uma proposta aberta e interativa.

O livro é uma edição bilíngüe (português/inglês) de 420 páginas com fotografias, textos e projeto gráfico do autor, tradução e tratamento de imagens de Luiza Ananias (bolsista Fumec)  e colaboração de Carolina Araújo (bolsista Fumec) e Isabel Diniz. Textos do posfácio por Marcílio Gazzinelli, Fábio de Carvalho, Carminha Macedo, Marcelo Xavier e Álvaro Gentil. Edição da transBooks, apoio do programa Propic da Universidade Fumec e pode ser visualizado na íntegra e adquirido no link http://br.blurb.com/b/4425225-visible-cities

20-11-13 13-24-0820-11-13 13-22-31

A jornalista Patrícia Cassesse do jornal ‘Hoje em Dia’ de Belo Horizonte me surpreendeu ao me pedir uma entrevista escrita, com perguntas que achei bem boas. Então respondi ao seu email com o texto abaixo, o que gerou a bela matéria na edição do cadernos de cultura do jornal em 24/11, com direito a capa e página interna.

1) São 14, as cidades visitadas… Como se processou  a escolha de cada uma? Vc foi a turismo (digo, motivado por uma vontade de conhecer especificamente esses centros) ou a trabalho? P q há, neste rol, cidades que são consideradas turísticas, mas outras, nem tanto… Como foi parar em Gdansk, por exemplo?
 – Fui a estas cidades um pouco ao acaso, a maioria delas fui como convidado a participar de eventos de arquitetura como palestrante ou para fóruns e oficinas. As vezes tomei não o caminho mais curto programando escalas em outras cidades que me interessavam ou por mero gosto pelo desconhecido. Adoro chegar numa cidade que nunca fui com o mapa na mão e algum estudo, as vezes sozinho, e daí a quatro dias já me sinto amigo daqueles espaços descobertos e até mesmo de algumas pessoas que aparecem, é um exercício do olhar estrangeiro. Sinto a dimensão do planeta ao mesmo tempo grande e pequeno e sinto que a cidade em que moro, BH, é também uma cidade de um mundo que não tem centro. Faço este trabalho de registros urbanos em fotografia, desenho e texto, há vários anos e na verdade muitas outras cidades ficaram de fora, pretendo seguir com o projeto em outras edições, talvez editando livros menores cada um dedicado a uma cidade, o próximo, que já tenho todo o material será sobre Nova Iorque.
A escolha das 14 cidades deste livro veio a partir do material que senti que não poderia ficar de fora e que pudesse propor um fio condutor entre todas elas.Gdansk por exemplo surgiu na surpresa casual que tive em conhecer a Polônia, e que acabei indo três vezes, como contarei a seguir. É uma cidade muito significativa do norte da Europa, que já foi independente de qualquer país, já foi da Alemanha, e foi lá que começou a segunda guerra mundial e que deu inicio à queda do bloco comunista através das ações do partido Solidariedade nos anos 1980.
2) Como esse projeto foi se delineando em sua cabeça? Como “as costuras” foram feitas, como se processou essa ideia de dialogar com Calvino? Alguém te sugeriu, era uma leitura antiga que veio à sua mente?
Me encantei com o livro ‘Cidades Invisíveis’ de Italo Calvino na primeira leitura nos tempos da escola de arquitetura. Neste livro Marco Polo conta a Kublai Kahn como são as cidades fantásticas e imaginárias de império que o imperador desconhece, e aí Kublai pergunta a ele se é realmente verdade o que ele diz, e ele responde que não é importante se estas cidades são ou não verdadeiras, mas as respostas que elas podem dar às suas dúvidas. Aí desde a minha primeira leitura fiquei imaginando se as cidades reais, as que realmente existem, podem nos dar respostas às nossas questões pessoais em relação ao espaços tempo e às pessoas. Aí passei a tomar as cidades, ao conhece-las, como fonte de informação e de estímulo para meu processo pessoal de arquiteto interessado em urbanismo, construção, fotografia, história e amizades.
3) Bem, essa pergunta “entrega” que ainda não deu tempo de conferir o livro pela internet, mas vamos lá… como vc estruturou essa junção de fotos e textos poéticos?
– Geralmente fotografo, desenho, escrevo e caminho bastante quando me vejo neste clima de descoberta num local que me interessa. Quando volto tenho um vasto material que fica ‘descansando’ até que eu me debruce sobre ele como se fosse uma segunda viagem. No caso deste livro parti das fotografias de cada cidade selecionando uma espécie de roteiro ou estória que pudesse contar através das imagens em aproximadamente 25 fotos de cada uma das 14 cidades. Depois de ordenar as fotos escrevi o texto para cada local num tipo de prosa poética. O livro é bilíngüe em português e inglês que foi a língua que usei em vários locais imaginado que a publicação pudesse chegar aos mesmos lugares onde estive e quiçá ser entendida. Na primeira parte do livro está um texto que explica este ‘procedimento intinerante’ sugerindo aos leitores que também façam semelhante abordagem. Após as 14 cidades coloquei poemas que escrevi in loco, os ‘fragmentos móveis’, depois coloquei o ‘Manifesto da transArquitetura’ que é a (in)disciplina que permite aos arquitetos, e a todas as pessoas, buscarem uma visão e ação ampla sobre diversos meios de comunicação e expressão como fez Leonardo da Vinci; e no final estão os textos/pofácios de Marcílio Gazinelli, Marcelo Xavier, Carminha Macedo, Fabio Carvalho e Álvaro Gentil que são amigos com quem dialoguei sobre a edição. O livro foi finalizado com ajuda do programa Propic da Universidade Fumec de BH, onde eu leciono.   
4) Gostaria que “temperasse” essa conversa online com uns dois casos dignos de nota ocorridos nessas suas incursões pelo mundo, que reverberaram em seu trabalho… Casos curiosos, engraçados, talvez tristes…
– Uma vez no interior da França eu estava com uma camisa que eu havia comprado em Parati e que tinha um peixe estampado e um arquiteto polonês me perguntou: ‘Você é católico?’ E eu respondi: ‘Sou cristão pop!’ e ele: ‘Como assim?’ E eu comecei a explicar que no Brasil as religiões se mesclavam através do sincretismo múltiplo, africano, indígena, evangélico… depois que falei uns três minutos ele disse: ‘Você que fazer uma palestra sobre este assunto na Polônia no mês que vem?’ E eu respondi: ‘Sim, vamos lá’. O arquiteto era diretor do grupo ‘Sacred Places’ que estuda os lugares sagrados e de culto que já me interessavam. Esta camiseta me abriu as portas da Polônia, Lituania, Bulgária, Eslováquia, Hungria e Áustria.
E, claro, João, fique super à vontade para acrescentar o que julgar pertinente (sorry, mas, assim como a cidade onde vc nasceu, preciso perguntar: quantos anos vc tem?)
– Nasci em Juiz de Fora e tenho 57 anos.
– Este trabalho mais que um livro editado é uma idéia que pode se desdobrar em diversas maneiras, como será na apresentação que faremos no domingo dia 24/11 no Sarau do Memorial’ MG-Vale na praça da Liberdade em BH. O lançamento do livro será acompanhado de uma espécie de performance onde eu e a Daniella Zupo faremos leituras de trechos do livro que será acompanhado das fotografias do livro e vídeos que também fiz nas cidades que serão projetados por Renata da Matta e Bel Diniz e para criar mais clima compus umas paisagens sonoras envolvendo também a audição nesta apresentação. O livro tem 420 páginas e é uma edição limitada mas que pode continuamente ser encomendada e enviada através da editora a qualquer lugar do mundo, e o livro também pode ser lido, visualizado na íntegra e também comprado na internet no link http://br.blurb.com/b/4425225-visible-cities#
Grande abraço Patrícia e obrigado por me ‘fazer’ escrever este texto onde acabo de ‘entregar’ vários ‘segredos’, fique a vontade para revela-los
beijos, Joao Diniz
E abaixo as duas páginas do caderno de cultura do ‘Hoje em Dia’ em 24/11/13
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Veja o clip preparado pelo Memorial MG Vale 
O jornal ‘Estado de Minas’ em 24/11/13 também destacou a apresentação em sua edição digital e impressa.
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Também divulgado no jornal ‘O Tempo’ em 23/11/13
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E esta é a ‘banda’ Cidades Visíveis: Bel Diniz, Renata da Mata, Daniella Zupo e João Diniz
Snapseed
Veja o vídeo desta apresentação na íntegra em:

João Diniz: Arquitetura Expandida, texto de Fernando Pedro

FP20

Como definir o perfil do amigo e arquiteto João Diniz? Como um poeta, um músico, um fotógrafo, um escultor, um desenhista, um cenógrafo ou um arquiteto contemporâneo que transita em todos os circuitos culturais de seu momento? Suas múltiplas faces se fazem presentes em cada projeto arquitetônico realizado, quando inscreve na paisagem das cidades sua marca reveladora de conceitos, formas, filosofia e poesia.

Diniz circula por vários países e, sempre em sua bagagem, tem sua cultura, seus conceitos e desenhos. Sua obra flui a partir da filosofia de vida, que defende a ausência de fronteiras, o simples estilo próprio, a leveza e o movimento no uso de materiais, como o aço e o concreto, que em seu traço ganham a leveza de um poema. Integra, na maioria de seus projetos, a arquitetura e as artes plásticas, quando traz para suas construções o parceiro e artista Jorge dos Anjos. Expande sua arte e cultura aos mais jovens, formando gerações por meio de suas aulas e também em seu escritório de arquitetura.

Possuidor de uma mente ativa, assim nos apresenta uma breve reflexão sobre a presença da arquitetura na contemporaneidade: “A contemporaneidade – ao mesmo tempo em que nos indica um caminho de futuro, na maioria das vezes duvidoso, apesar dos avanços da tecnologia – também nos vincula ao passado do qual viemos, numa possibilidade de diálogo entre tempos e saberes. Vivemos atualmente um ‘renascimento digital’, no qual as conquistas da comunicação global, por meio dos recursos informáticos diversos, podem tecer uma ponte entre passado e futuro, tentando minimizar o espanto humano perante um presente que, apesar da aproximação global, não trouxe a felicidade coletiva”.

E completa: “Assim, a fotografia, o desenho, a música, a poesia, a escultura, o vídeo, a performance e o design, podem ser entendidos como disciplinas que dialogam entre si e integram uma ‘transArquitetura’. Nela, além da produção de espaços que acolhem a sociedade, pode-se gerar ideias e produtos imediatos e participativos. A ideia de que todos, artistas ou não, possam interagir e participar dessas ações acompanha sempre os passos desta ‘arquitetura expandida’”.

Com inúmeras realizações, iniciou suas ações ainda criança, favorecido pelo ambiente familiar constituído por músicos, permitindo-lhe amplo acesso ao circuito cultural. Por ter muita sensibilidade musical, recentemente lançou o CD Ábaco, obra que complementa um maravilhoso livro de poemas com o mesmo nome. Ainda como estudante, descobriu a fotografia. E esta o levou à arquitetura. “Na fotografia, comecei a ver a questão dos espaços, enquadramentos, cortes, o que tem muito a ver com a arquitetura. Então, optei pelo curso por causa da fotografia. Eu queria ver o mundo através da lente da câmera”, explica.

A câmera tem sido sua fiel companheira ao longo de décadas, e os registros de sua circulação por variadas culturas foram apresentados em exposições. Agora, Diniz se detém à preparação do livro Cidades visíveis, com fotografias e fábulas – um registro autoral de suas viagens internacionais. Tal publicação se somará a diversas outras, como o livro João Diniz e o depoimento na Coleção Circuito Atelier, da C/Arte.

João concluiu seu curso de Arquitetura na UFMG, em 1980, quando iniciou sua relação de obras, que hoje, felizmente, vem acontecendo a todo vapor. Entre suas realizações destacam-se o Residencial Gameleira, o Edifício Capri, o Scala Workcenter, o Royal Golden Aparthotel e o Omni Center, para citar alguns entre os vários edifícios, residências, poemas e exposições. Dedica-se a inúmeras pesquisas, com destaque para a construção que possa ser sustentável.

Diniz considera o meio ambiente, os materiais empregados, o aproveitamento de energia, a relação das pessoas com a habitação, a reciclagem dos resíduos, a incidência da luz solar – entre outros fatores associados à estética, cultura, economia, realidade urbana e social – elementos que agregam valor à sua arquitetura expandida. Por meio dessa sensibilidade da criação, projeta suas obras a partir de um exercício multicriativo, utilizando-se de todos os seus talentos, principalmente em sua relação com um mundo sem fronteiras. Sempre pronto a criar soluções. Essa é a disposição de João Diniz, um autor fundamental para a nossa história, um permanente registro aos sentidos.

Fernando Pedro é Historiador da arte e presidente da Editora C/Arte e do Instituto Arte das Américas

Publicado na Revista Perfil em agosto de 2013

livro VISIBLE CITIES, observações arquitetônicas e urbanísticas itinerantes

Captura de Tela 2013-06-29 às 22.18.55VISIBLE CITIES see and purchase the book

Este livro é um relato em fotografia e texto de 14 cidades do Brasil, América do Norte e Europa e propõe uma leitura pessoal da experiência vivida pelo autor em cada uma destas cidades.

O trabalho pode também ser entendido como uma proposta de abordagem que pode ser feita por qualquer pessoa que queira interagir com cidades e espaços de forma semelhante. Desta forma a edição pode ser também entendida como um ‘procedimento itinerante’, uma proposta aberta e interativa. O primeiro texto do livro explica melhor este método.

Além do livro físico e/ou virtual, que pode ser adquirido e/ou visualizado na íntegra no link acima. este material poderá também ser conhecido, desenvolvido e ampliado em apresentações, palestras, oficinas, performances e outras viagens, feitas pelo autor e/ou convidados. Desta forma trata-se de uma dinâmica aberta que pode continuar em outras edições.

O material foi desenvolvido em seis anos de viagens e registros feitos pelo autor e foi realizado no programa Propic 2012-2013 da Universidade Fumec de Belo Horizonte, onde o autor leciona, que ofereceu parte dos recursos necessários para a montagem da edição.

Edição bilíngüe (português/inglês) de 420 páginas com fotografias, textos e projeto gráfico do autor, tradução e tratamento de imagens de Luiza Ananias (bolsista Fumec)  e colaboração de Carolina Araújo (bolsista Fumec) e Isabel Diniz. Textos do posfácio por Marcílio Gazzinelli, Fábio de Carvalho, Carminha Macedo, Marcelo Xavier e Álvaro Gentil.