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Centenário de LINA BO BARDI matéria c/ participação de João Diniz

João Diniz: Arquitetura Expandida, texto de Fernando Pedro

FP20

Como definir o perfil do amigo e arquiteto João Diniz? Como um poeta, um músico, um fotógrafo, um escultor, um desenhista, um cenógrafo ou um arquiteto contemporâneo que transita em todos os circuitos culturais de seu momento? Suas múltiplas faces se fazem presentes em cada projeto arquitetônico realizado, quando inscreve na paisagem das cidades sua marca reveladora de conceitos, formas, filosofia e poesia.

Diniz circula por vários países e, sempre em sua bagagem, tem sua cultura, seus conceitos e desenhos. Sua obra flui a partir da filosofia de vida, que defende a ausência de fronteiras, o simples estilo próprio, a leveza e o movimento no uso de materiais, como o aço e o concreto, que em seu traço ganham a leveza de um poema. Integra, na maioria de seus projetos, a arquitetura e as artes plásticas, quando traz para suas construções o parceiro e artista Jorge dos Anjos. Expande sua arte e cultura aos mais jovens, formando gerações por meio de suas aulas e também em seu escritório de arquitetura.

Possuidor de uma mente ativa, assim nos apresenta uma breve reflexão sobre a presença da arquitetura na contemporaneidade: “A contemporaneidade – ao mesmo tempo em que nos indica um caminho de futuro, na maioria das vezes duvidoso, apesar dos avanços da tecnologia – também nos vincula ao passado do qual viemos, numa possibilidade de diálogo entre tempos e saberes. Vivemos atualmente um ‘renascimento digital’, no qual as conquistas da comunicação global, por meio dos recursos informáticos diversos, podem tecer uma ponte entre passado e futuro, tentando minimizar o espanto humano perante um presente que, apesar da aproximação global, não trouxe a felicidade coletiva”.

E completa: “Assim, a fotografia, o desenho, a música, a poesia, a escultura, o vídeo, a performance e o design, podem ser entendidos como disciplinas que dialogam entre si e integram uma ‘transArquitetura’. Nela, além da produção de espaços que acolhem a sociedade, pode-se gerar ideias e produtos imediatos e participativos. A ideia de que todos, artistas ou não, possam interagir e participar dessas ações acompanha sempre os passos desta ‘arquitetura expandida’”.

Com inúmeras realizações, iniciou suas ações ainda criança, favorecido pelo ambiente familiar constituído por músicos, permitindo-lhe amplo acesso ao circuito cultural. Por ter muita sensibilidade musical, recentemente lançou o CD Ábaco, obra que complementa um maravilhoso livro de poemas com o mesmo nome. Ainda como estudante, descobriu a fotografia. E esta o levou à arquitetura. “Na fotografia, comecei a ver a questão dos espaços, enquadramentos, cortes, o que tem muito a ver com a arquitetura. Então, optei pelo curso por causa da fotografia. Eu queria ver o mundo através da lente da câmera”, explica.

A câmera tem sido sua fiel companheira ao longo de décadas, e os registros de sua circulação por variadas culturas foram apresentados em exposições. Agora, Diniz se detém à preparação do livro Cidades visíveis, com fotografias e fábulas – um registro autoral de suas viagens internacionais. Tal publicação se somará a diversas outras, como o livro João Diniz e o depoimento na Coleção Circuito Atelier, da C/Arte.

João concluiu seu curso de Arquitetura na UFMG, em 1980, quando iniciou sua relação de obras, que hoje, felizmente, vem acontecendo a todo vapor. Entre suas realizações destacam-se o Residencial Gameleira, o Edifício Capri, o Scala Workcenter, o Royal Golden Aparthotel e o Omni Center, para citar alguns entre os vários edifícios, residências, poemas e exposições. Dedica-se a inúmeras pesquisas, com destaque para a construção que possa ser sustentável.

Diniz considera o meio ambiente, os materiais empregados, o aproveitamento de energia, a relação das pessoas com a habitação, a reciclagem dos resíduos, a incidência da luz solar – entre outros fatores associados à estética, cultura, economia, realidade urbana e social – elementos que agregam valor à sua arquitetura expandida. Por meio dessa sensibilidade da criação, projeta suas obras a partir de um exercício multicriativo, utilizando-se de todos os seus talentos, principalmente em sua relação com um mundo sem fronteiras. Sempre pronto a criar soluções. Essa é a disposição de João Diniz, um autor fundamental para a nossa história, um permanente registro aos sentidos.

Fernando Pedro é Historiador da arte e presidente da Editora C/Arte e do Instituto Arte das Américas

Publicado na Revista Perfil em agosto de 2013

TRANSFORMAÇÕES PURISTAS

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DEPOIS DO CUBISMO, obra de Amedée Ozenfant e Charles Édouard Jeanneret, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Le Corbusier, traz questões que estão na base da revolução da arte moderna ocidental.

resenha crítica por João Diniz

Logo após o término da Primeira Guerra Mundial, a Europa vivia uma nova esperança transformadora, a sociedade compreendia aquele momento como uma época de renovação e modificações vitais. A brutalidade do conflito armado era entendida por muitos como necessária num processo de evolução e seleção natural dos verdadeiros valores da civilização e da cultura.

Neste cenário de revisão histórica se encontram em Paris dois jovens artistas com pouco mais de 30 anos, Amedée Ozenfant e Charles Édouard Jeanneret, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Le Corbusier e se tornaria um dos principais pensadores, artistas, urbanistas e arquitetos do século 20.

Ozenfant era um ativista das artes e da cultura na cidade, editava a revista Élan, estava envolvido com pintura e desenho industrial, e pertencia a uma família ligada a uma empresa de obras públicas, pioneira na utilização do concreto armado, um novo material que surgia. Le Corbusier, arquiteto autodidata, acabava de chegar da Suíça, seu país natal, e tentava em Paris levar adiante a Societé pour l’ aplication du betón arme, procurando meios de construir sua proposta de habitação social denominada Casa Dom-ino.

Ozenfant inicia Le Corbusier na pintura e na vanguarda artística da cidade marcada naquele momento pela crise do Cubismo, movimento estético vigente desde antes da guerra. Os dois artistas compartilhavam afinidades e interesses comuns pelo modernismo industrial e científico e pela arte antiga italiana e grega e passam a discutir amplamente as questões e caminhos da arte e da cultura daquela época. Esses debates entre os dois culminaram na publicação em 1918 do pequeno livro/manifesto Depois do Cubismo, onde propunha uma nova estratégia estética e existencial denominada Purismo de abrangência conceitual que abarcava a pintura, a arquitetura e outras ações artísticas.

Esse livro é freqüentemente citado como importante marco teórico na cultura do século 20 e acaba de ser publicado pela Editora Cosac Naify numa linha de ensaios de pequeno formato integrando a série Fontes da arquitetura moderna, elaborada por Carlos Ferreira Martins, professor da USP São Carlos, e visa preencher uma lacuna na bibliografia disponível em língua portuguesa sobre o período de constituição e afirmação da arte e da arquitetura modernas.

O Purismo, proposto no livro, aparece como um novo movimento cultural que promove um retorno à ordem e uma reação à realidade caótica de uma França brutalizada e profanada pela guerra. A guerra, para os puristas, era um marco temporal tão decisivo quanto o Cubismo, movimento reconhecido na época como o já esgotado e último advento das escolas artísticas, mas ao mesmo tempo a única manifestação de arte que ainda apresentava alguma importância, numa avaliação crítica que não deixava de reconhecer nele um certo valor.

Mesmo assim, a contribuição do Cubismo, segundo a análise dos puristas, apresentava grande debilidade teórico-doutrinária e um forte caráter ornamental e decorativo, o que o enfraquecia e o tornava uma arte menor. Muitas dessas críticas foram posteriormente revisadas e abrandadas na revista L’Esprit Nouveau, editada por Ozenfant e Le Corbusier. Mas no momento inicial estes ataques e provocações polemistas não pouparam importantes artistas da época como Derain, Picasso e Braque.

O programa purista buscava uma arte alinhada com uma ordem matemática e lógica propondo um retorno à figuratividade e à natureza ecoando o espírito daquela época moderna onde a ciência e a industrialização eram as novas forças transformadoras.

A figura humana aparecia como o grande tema, aliada a objetos industrializados da vida cotidiana e a uma estética da máquina e de formas precisamente delineadas, numa arte que valorizava mais a concepção que a técnica, mais os aspectos invariantes da obra do que os seus atributos acidentais, excepcionais, inorgânicos, protestativos ou pitorescos.

O livro Depois do Cubismo, na edição da Cosac Naify, conta com texto introdutório de Carlos Ferreira Martins, que aborda o ambiente cultural na França e Europa daquela época e as condições históricas que dão origem à obra. Devido ao legado posterior de Le Corbusier, o livro surge como importante material de estudo relativo aos primeiros passos do importante arquiteto e da arquitetura moderna.

O texto original está dividido em quatro capítulos. O primeiro é A situação atual da pintura, no qual os autores traçam um panorama da arte da época, abordando procedimentos clássicos, e citam artistas e movimentos estéticos anteriores, chegando a uma análise crítica do Cubismo.

A segunda parte do livro, denominada A situação da atual da vida moderna, que é diretamente atribuída a Le Corbusier, inicia com um elogio à natureza que é definida como “jazigo de todos os valores concebíveis por nossa razão”. Essa afirmação inicial é seguida por uma apresentação e análise do “espírito moderno”, onde aparece um elogio à máquina e ao espírito industrial e coletivo que indicam a semente da nova arquitetura, em que reinará a harmonia e o rigor, distantes da arquitetura decorativa e superficial que então reinava na Europa.

Segundo os autores, essa passagem transformadora se deu com a chegada dos engenheiros e construtores que, através das novas pontes, fábricas, barragens e outras obras gigantescas, trouxeram de volta o caráter utilitário às construções, onde se pressente praticamente uma nova “grandeza romana”.

O terceiro capítulo, As leis, afirma que uma grande arte partirá necessariamente de uma escolha analítica por parte dos sentidos humanos, de materiais e procedimentos pertencentes ao universo presente, que gerarão uma associação que se elevará acima de contingências grosseiras e fugidias do momento e expressarão as leis que são a causa do deleite de nosso espírito.

Aparece então a defesa do paralelismo entre arte pura e ciência pura, nas quais apenas os procedimentos técnicos diferem, os objetivos são os mesmos, ou seja, a importância em ambos os campos da expressão das leis naturais na busca de constantes conceituais, o invariante, ou a ação fundamental que embasa a verdadeira criação científica ou artística.

O último capítulo, intitulado Depois do Cubismo, discorre sobre atributos inerentes à obra de arte, como as leis da plástica, a escolha do tema, o discurso sobre a forma e a cor, sobre as proporções, sobre a concepção que ocupa papel crucial no fazer artístico e sobre as deformações e os efeitos “possíveis e permitidos” à nova arte. O livro termina com a definição e a proposição em tom de manifesto teórico do Purismo. A publicação traz ainda uma lista de leituras recomendadas e biografia dos autores.

Nos anos posteriores à publicação do livro, os autores estiveram envolvidos em uma série de exposições artísticas, publicações, projetos e obras arquitetônicas, alinhados com os conceitos iniciais do Purismo, mostrando que este manifesto teria a força de uma semente fértil que mudou a face do século 20.

Ozenfant, até a década de 60, quando faleceu, desempenhou uma importante carreira como artista plástico, teórico e professor fundador de sua própria escola, atuando em diversos países da Europa e nos Estados Unidos. Suas obras fazem parte do acervo dos principais museus do mundo. Seus textos são fundamentais para o entendimento da arte e cultura modernista.

Le Corbusier, também falecido nos anos 60, se transformou numa das figuras cruciais para o entendimento do século passado, não só no campo das artes, arquitetura e urbanismo, mas na definição deste Ésprit Nouveau, o Espírito Novo, que transformou definitivamente a percepção que temos do mundo contemporâneo. Seus primeiros projetos conhecidos como casas puristas, uma delas projetada em 1922 para Ozenfant, serviram como direção tanto para seus projetos futuros em diferentes continentes, como para o trabalho de arquitetos em todo o mundo, o que se convencionou chamar de arquitetura moderna.

Em alguns momentos da segunda metade do século passado, a cultura de massa tentou transformar estes procedimentos puros, seguros, e aparentemente de poucos riscos gráficos e existenciais, no paradigma de uma arquitetura culturalmente segura, ampla e internacionalmente assimilada pelos arquitetos e pela sociedade. Esse entendimento generalizante acabou gerando exemplos às vezes de grande pobreza repetitiva, às vezes de indiscutível valor cultural, mostrando que o manifesto purista propõe um caminho ainda válido, quase 90 anos depois.

Nas duas últimas décadas do século 20, o Purismo – às vezes também denominado genericamente de modernismo ou minimalismo – principalmente em arquitetura – passou por várias crises e questionamentos nos períodos conhecidos como pós-modernistas, deconstrutivistas ou expressionistas, que aparentemente se opunham a ele. Na verdade, esses caminhos nem sempre convergentes demonstram a vitalidade e a inclusão dessa cultura moderna, fundadora e abrangente, que continua a seguir sua linha ao longo da história.

Como queriam os primeiros puristas, e como queremos hoje, a sociedade contemporânea e do futuro, para ser vital e sustentável, não poderá nunca se afastar da parceria com a natureza e com a máquina, da responsabilidade sobre o passado e o futuro, da consciência sobre o corpo e o espírito.

livro: DEPOIS DO CUBISMO de Ozenfant e Jeaneret (Le Corbusier), introdução de Carlos Ferreira Martins, tradução de Célia Euvaldo, Cosac Naify Editora, 88 páginas
Resenha crítica escrita por João Diniz para o PENSAR suplemento cultural do jornal Estado de Minase publicada em 22/10/2005

Tangram House, an architectural toy

Tangram house is an architectural toy coming as a generative modular and volumetric system that allows the study of  volumetric compositions for buildings based on the known chinese pieces that come from a single square. In this system the traditional plan geometric forms achieve a proportional width becoming compositive shapes. In the chinese tradition the tangram pieces are mostly used to generate animal forms, in our case we investigate non existing living typologies.

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proposal and images by JDArq

tension/relax tranSpaces or playing with natural structures

This project is a conceptual  idea that creates models of light structures and spaces with triagulations and tension compositions attached with the proposed knots for domes and geodesic structures i ‘invented’ in my master degree thesis, for the UFOP university in Brasil. It is an utopic view of sustainable spaces including social participation and nature around and inside.  There is also a proposal of representing architecture with artistic digital photocolages, announcing  future spaces to be built.

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PAVILHÃO ALPHA / ALPHA PAVILION


A transparência revela o lago e o bosque / O pavilhão é o espaço livre e polivalente / Inaugurado para o evento Casa Cor 2008 e / Mantido como sala de lançamentos da InPar Construtora. / O vão livre de 20 metros com sete treliças a cada 6,20 / Estabiliza as fachadas laterais contraventadas / A passarela conecta a construção existente / As paredes laterais em vidro são acusticamente inclinadas / A ventilação cruza pelo topo das paredes e portas corrediças / Montado em 20 dias com os tubos metálicos e cristal / Busca a leveza e a agilidade na urgência de existir

Transparency unveils the lake and the woodland / The pavilion is an open, multi-use space / Intended for the event Casa Cor 2008 and / Kept as lounge for announcements of InPar constructors. / The 20-m span with seven trellises spaced 6.20 m / Stabilize the head-winded laterals / The footbridge connects the existing building / Glazed lateral walls are acoustically sloped / Ventilation crosses over walls and sliding doors / Assembled in 20 days with metal tubes and crystal / It searches for lightness and agility in the urgency to exist.

local: Alphaville, Nova Lima, MG; área construída / built area: 920,00 m2

equipe de projeto / design team: arquiteto / architect: João Diniz; arquitetos colaboradores / associate architects: Priscila Garcia, João Pedro Torres, Jose Luis Baccarini, Mauricio Lage, Isabel Diniz

desenho estrutural / structural design: Francisco Silva; tubos estruturais / structural tubes: Vallourec & Mannesmann Tubes; cálculo estrutural / structural engineer: Euler Guerra; montagem da estrutura / structure contractor: Pórtico Estruturas Ltda; aço / steel: VMB 300; peso da estrutura / structure weight: 42 ton; construção civil / civil engineer: Nicola Peluso; vidros / glasses: Viminas Ltda, Total Vidros Ltda.; iluminação / lighting: Ernesto Lolato, La Lampe; acústica / acoustics: WSDG acoustic design, Renato Cipriano; fotos / photos: Marcilio Gazzinelli

prêmio Arquitetura em Aço / Steel Architecture award: X Premiação IAB MG, 2008

ARQUITETURAS VERBAIS: algumas (in)definições por joão diniz

Arquitetura é um dos muitos sentidos humanos.

A Arquitetura verdadeira nem sempre esta interessada em se impor.

Arquitetura é uma dignidade que não pode ser destruída.

Arquitetura é um silencio eloqüente.

Arquitetura é quando a excelência é humilde.

A Arquitetura desperta virtudes.

Em Arquitetura não existe tradução, ela é poliglota.

O homem precisa aprender a fazer Arquitetura como fazem alguns animais.

Arquitetura é o que interessa a todos.

Na boa arquitetura não existem disputas.

Arquitetura é tolerância.

Algumas arquiteturas geniais nunca pensaram em sê-lo.

Algumas arquiteturas e arquiteto(a)s de tão eficientes são invisíveis.

Não esconda o que sabe sobre Arquitetura, ela só existe quando é revelada.

Na boa Arquitetura reina a amizade.

Arquitetura é sempre amiga do planeta.

Às vezes a Arquitetura é desconhecida porque reserva surpresas.

Arquitetura é o futuro da história.

Arquitetura pode ser a resposta para uma pergunta que ainda não existe.

  …

Arquitetura é aquela que faz dos arquitetos bons operários.

Arquitetura é maior que os arquitetos.

Arquitetura real dispensa explicações.

Arquitetura é a festa onde todos estão convidados.

Arquitetura é quando a construção esta em harmonia com o planeta.

Arquitetura real nunca mente.

Arquitetura é uma espécie de manifesto de justiça social.

Arquitetura é construção com alma de gente.

Arquitetura é quando a beleza é de todos.

Arquitetura é a complexidade percebida pelas pessoas mais simples.

Arquitetura é a nova velha dimensão do humano.

Arquitetura é o lugar comum que é inédito, o surpreendente que é gentil.

Arquitetura é a matéria do vazio e a alma da pedra.

Arquitetura é uma performimg art onde quem faz a performance é o usuário




Arquitetura é a justiça do espaço.




A arquitetura só é bela quando está socialmente engajada.

Antes de ser matéria Arquitetura é pensamento.

Arquitetura não é somente idéia mas experiência.


Construção sem Arquitetura é como poema sem poesia.




Arquitetura é quando a construção vira poesia.

Uma das maiores tragédias da arquitetura são os projetos mal pedidos.

CRUZEIRO VERDE requalificação do Mercado do Cruzeiro em BH.


Vista aérea geral

PREMIAÇÃO DE ARQUITETURA VIVA O MERCADO! Proposta de Requalificação para o Mercado do Cruzeiro e entorno em Belo Horizonte, o projeto foi  um dos  três finalistas escolhidos por juri técnico e segundo colocado no voto popular ocorrido em 27/08/2011. 

Equipe de arquitetura apresenta solução alinhada com conceitos de ecologia e sustentabilidade que prevê o Mercado do Cruzeiro como um novo parque urbano.

Na entrevista abaixo, seguem os principais pontos deste projeto:

equipe: JOÃO DINIZ ARQUITETURA LTDA 

arquitetos: JOÃO DINIZ coordenador / JOSÉ LUIZ BACCARINI NETO / PEDRO GUADALUPE colaboradores / MARCÍLIO GAZZINELLI fotógrafo

P: Quais os principais conceitos do projeto?

R: O projeto nasce a partir da discussão a respeito do atual Mercado de Cruzeiro e entorno, seus problemas e potenciais. Analisando o local percebemos que a principal área de implantação seria o longo ‘talude’ que separa o mercado da Universidade Fumec e do parque Amilcar V. Martins, o parque da Caixa D’Água. Este ‘talude’ é terreno de propriedade da Prefeitura Municipal e não acrescenta qualquer beleza à área, em grande parte é impermeabilizado e não vegetado. Outras possíveis áreas livres de implantação seriam o subsolo sob o atual estacionamento/acesso do mercado ou o talude junto à rua Opala, mas estes setores foram descartados por apresentarem bastante árvores e serem mais descontínuos. Uma análise deste ‘talude’ nos remete à natureza topográfica do local, ao antigo monte, anterior a qualquer construção, e ao perfil ondulado sobre o qual se localizam hoje a universidade e o parque da Caixa D’Água. Este perfil natural se completa com a paisagem construída das ruas Ouro Fino, que tem características mais comerciais e de serviços, e da rua Oliveira que é mais residencial. A figura resultante do corte deste ‘talude’ natural sugere o linha escalonada que definiu a imagem do edifício, que será destinado a garagens e lojas no térreo, também a garagens nos demais pavimentos, e se completa com dois edifícios nos extremos do conjunto com alturas e usos compatíveis com as já praticadas e/ou permitidas em cada uma destas ruas. A idéia foi em nenhum momento barrar a visão da universidade para a cidade, triplicar a área do mirante existente criando a grande praça superior, criar um acesso natural de pedestres ao parque da Caixa D’Água, além de resolver os problemas funcionais do entorno. As áreas de estacionamento poderão ter acessos e saídas pelas ruas e pela universidade não gerando tráfego no interior da praça a ser criada ao nível do mercado.

Planta de Situação

P: Como as atividades se distribuem ao longo do projeto?

R: O ponto de partida foi a total liberação da área em frente ao mercado onde será criada uma praça com nome sugerido de Praça Éolo Maia prevendo entre generoso paisagismo: arena para apresentações culturais, espaço para playgrounds, área de ginástica e caminhadas, horta orgânica e caramanchão para permanência dos moradores que dá seqüencia ao volume do restaurante Parrilla que será mantido. Ainda nesta praça está o início da rampa que é o percurso lúdico que leva ao parque da Caixa D’Água, onde as pessoas podem caminhar, permanecer ou pedalar, desde a praça em frente ao mercado até o parque em rampa específica para pedestres de inclinação não superior a 10%. No andar térreo do edifício estão as novas lojas que, junto a parte do estacionamento, trarão recursos à administração do mercado e duas torres de escada e elevadores que dão acesso ao mirante do parque e aos andares dos estacionamentos.

P: Quais os atributos ecológicos e de sustentabilidade ambiental da proposta?

R: O projeto prevê ampla acessibilidade universal e social a todas as áreas, reaproveitamento de águas servidas e pluviais, criação de novas áreas verdes e permeáveis, requalificação paisagística com criação e de locais para horta orgânica, fruticultura e jardinagem com fins de educação e abastecimento, áreas para ginástica e promoção da saúde, criação de usina solar fotovoltaica no teto do mercado que fornecerá parte da energia ao conjunto, criação de programas e espaços de educação ambiental, e integração social e ambiental da Vila do Pindura Saia.

P: Como ficam solucionados os problemas de trânsito e estacionamento no entorno?

R: O fator de maior impacto no tráfego da área é a universidade que congestiona as ruas durante o dia e parte da noite. Nosso projeto cria 936 vagas de estacionamento cobertas e descobertas ao longo de seus pavimentos ligados por rampas de veículos. Estes estacionamentos poderão ser acessados desde as ruas ou até, se for o caso, pela universidade em sua parte mais elevada. As áreas internas de acesso aos estacionamentos serão dotadas de faixas de acumulação nas entradas não impactando as ruas de acesso. Nas áreas de maior tráfego nos pavimentos inferiores haverão rampas específicas de subida e descida de veículos. O uso destas vagas será dividido entre os usuários do mercado, dos edifícios propostos, da universidade e dos moradores e visitantes da área.

P: Como será a integração da comunidade do Pindura Saia?

R: Esta comunidade interage muito bem com o mercado sendo que vários de seus moradores trabalham lá, mas apresenta problemas de qualidade ambiental em alguns de seus espaços devido a sua ocupação e construção espontânea e irregular. A idéia é que sejam mantidas as principais construções mas que se abram espaços vazios no interior desta comunidade, e até de criação de alguns serviços. Estes novos vazios trarão mais ventilação e iluminação às construções remanescentes e incentivará o dialogo desta comunidade com os moradores da região propondo um convívio integrado, e até educativo, sugerindo que diferentes tipologias e classes sociais podem interagir no espaço urbano democrático. A praça defronte a OAB junto a esta comunidade será também integrada. Estas ações de integração do Pindura Saia serão objeto de um sub-projeto específico dentro do projeto do novo Mercado do Cruzeiro.

P: Como o projeto vai qualificar o seu entorno?

R:O entorno sofrerá visíveis melhorias através da criação da nova praça em frente ao mercado com acessibilidade ao parque, o mercado propriamente dito será restaurado e ganhará novos espaços de uso, os problemas de tráfego e estacionamento serão enfrentados, a vila Pindura Saia será integrada, o entorno ganhará mais áreas verdes, de permanência e de prática de esportes e cultura. O novo mercado será um novo pólo atrator de encontros, cultura e educação.

P: Quais as vantagens para os feirantes do mercado?

R:Como contrapartida para a disponibilização da área pública para implantação dos empreendimentos, os investidores deverão fazer a reforma e revitalização do mercado atual, construção de novos mezaninos, se necessários destinados a espaços gourmets e outros, urbanização e integração, como praça e área de lazer, da atual área de estacionamento do mercado e ainda disponibilizar aos feirantes vagas de estacionamento no edifício garagem e 39 novos espaços modulares no pavimento térreo do edifício, e ligados à praça, que serão exploradas por eles e podendo atender a usos diversos. Os feirantes desta maneira terão seu estimado mercado mantido e requalificado, e contarão com novas áreas de atividades e de aportes de recursos para a manutenção do mercado e de sua associação.

P: Quais as vantagens para a Prefeitura de Belo Horizonte?

R:Esta é uma grande oportunidade da administração municipal demonstrar seu espírito democrático ao adotar um projeto que tem apoio dos feirantes e dos moradores do bairro. A prefeitura, nesta operação, estará disponibilizando novos equipamentos urbanos à comunidade, restaurando o mercado, revitalizando um espaço público e tradicional da cidade sem gastar nada do seu orçamento ou seja com endividamento privado. A seção da área do talude e aprovação do projeto deverá ser objeto de uma operação urbana integrada entre setores públicos e privados, fora dos padrões vigentes, mas inovadora o que agregará visibilidade e repertório de novas soluções à administração pública. Algumas das novas áreas criadas no projeto poderão trazer um aumento da receita atual da prefeitura que recebe o aluguel das bancas do mercado. Todo o patrimônio construído após o prazo da concessão, que pode variar entre 20 e 30 anos, de exploração da área publica por parte dos investidores passará a ser de propriedade da prefeitura e da cidade de Belo Horizonte que terão para si todo este ativo.

P: Como explicar construtivamente o edifício?

R: O edifício ocupa a faixa de15 metros ao longo de todo o talude existente. Paralela ao edifício será construída a cortina/arrimo de concreto afastada 2,5 metros do edifício para ventilação cruzada das garagens. O edifício está modulado em 10,00 x15,00 metros e as rampas de veículos e pedestres serãoem balanço. Haverão duas torres de circulação vertical com elevadores e escadas sendo que uma destas torres dá acesso ao Parque da Caixa D’Água. O pergolado alinhado com o edifício do restaurante Parrilha será em madeira ecológica criando áreas sombreadas atirantadas com cabos de aço.

P: Como o projeto será viabilizado economicamente?  

R:A sustentabilidade econômica e financeira deste empreendimento se dará pelo equilíbrio entre os investimentos exigidos no projeto, as receitas geradas aos investidores e o prazo da concessão. Os recursos para o projeto e construção virão da iniciativa privada, através de investidores imobiliários que acreditarem e se associarem ao projeto. O empreendimento gerará receitas provenientes da exploração comercial do estacionamento, das novas lojas e dos dois edifícios que compõem o conjunto. Os investidores terão a posse e legitimidade de exploração dos dois edifícios  e da garagem, Os feirantes têm a posse e legitimidade de exploração de parte das vagas de estacionamento e dos 39 espaços modulares, além de ter, sem ônus, o espaço do mercado e atual área de estacionamento reformados, ampliados e urbanizados.

 P: Como e em que proporções será a exploração dos espaços do projeto?

R: O projeto básico proposto prevê a implantação de um edifício garagem com disponibilidade de 936 vagas e 39 espaços modulares, equipamento urbano de apoio à comunidade, usuários do mercado, usuários da faculdade e todo o entorno. Estão previstos também a implantação de dois edifícios com 60 unidades cada gerando área construída que completará a sustentação econômica para o empreendimento e terão usos compatíveis com a legislação e necessidades funcionais da área tais como apartamentos residenciais, moradias estudantis, e até usos comerciais e/ou hoteleiro (estes na rua Ouro Fino, que já apresenta características de uso misto) se for permitido e aprovado pela prefeitura municipal e comunidade local.

Dados técnicos: área total dos estacionamentos (cobertas e descobertas): 30490m² / número total de vagas: 936 / área total das rampas externas (veículos e pedestres): 2908m² / área total das 39 novas lojas: 655m² / área do edifício 1 rua Oliveira (60 unidades em 9 andares): 2968m² / área do edifício 2 rua Ouro Fino (60 unidades em 9 andares): 2633m² / área total urbanizada: 10864m² (praça) / 1100m² (mirante) / área total construída: 38999m² / numero máximo de pavimentos no mirante: 10 pavs.

FP House / Casa FP

CASA FP, Pampulha, Belo Horizonte, Brasil, 2010, Joao Diniz Arquitetura

A lagoa da Pampulha em Belo Horizonte / está cheia de significados arquitetônicos / e construir às suas margens significa / estar próximo da herança modernista. / A casa considera essa história recente / mas também visita as varandas rurais / através de brisas de espírito urbano. / O terreno em aclive dialoga com a obra / propondo encaixes e suspensões.

A casa abriga seus dois tempos: / A flutuação do volume frontal / apresenta a ala intima dos quartos / apontando o futuro na borda d’água; / enquanto a coberta aberta dos fundos, / onde arde em festa a lenha e o forno, / está junto à terra e a memória intemporal. / Numa seqüencia de pisos e passos / a construção encaixa o terreno / fazendo do desnível um percurso / da rua ao teto, da via ao céu mirante / transformando a cobertura em terraços / que contemplam os horizontes topográficos / da cidade com sua cultura e lutas mutantes / e da montanha com sua frágil eternidade.

The Pampulha lagoon in Belo Horizonte / is full of architectural significance / and to build on its margins means / to be close to the modernist legacy. / The house considers that recent history / but also express its modern urban spirit / with rural balconies and breezes / The land slope dialogues with the building / and proposes fittings and suspensions.

The house contains two times: / The fluctuation of the front volume / shows the intimate side of the residence / pointing the future at the edge of water; / the covering of the open area in the back, / where parties burn the wood at the oven, / is close to the ground and timeless memories. / In a sequence of steps and floors / the house fits the site making a route / from the street to the roof turned into observatory / transforming the tops in terraces / for the horizons seen by the topographic city / with it’s struggles and mutant culture / and the mountain with some fragile eternity.

localização: Jardim Atlântico, Pampulha, Belo Horizonte     data do projeto: 2007 / conclusão da obra: 2010   área do terreno: 1243,00 m2 / área construída: 454,00 m2

projeto arquitetônico: João Diniz Arquitetura Ltda

equipe arquitetura: João Diniz, coordenador; colaboradores: José Luis Baccarini, Pedro Guadalupe, João Pedro Torres, Isabel Diniz, Caio Guerra, Clarissa Bastos, Elena Vale, Monica Ogura, Priscila Garcia.

fotografia: Leonardo Finotti

construção: Construtora Geraes / José Maurício Menezes

projetos complementares:

calculo estrutural: Marcello Cláudio e Sigefredo Fiuza / projetos de instalações: Senog Ltda / projeto luminotécnico: Abajur de Arte / Adraiana Vasconcelos / paisagismo: Mercado Verde / Firmino Fiuza / playground: Suzana Cadaval Arquitetura / painel em azulejos da piscina: Fernando Pacheco / obras de arte: Jorge dos Anjos, Jayme Reis, Monica Sartori

principais fornecedores:

vidros, esquadrias e guarda corpos: Aludesign / elevador: Montele / louças e metais: Deca / bancadas granito e pisos: Marmore / tintas: e pintura: Suvinil e Facecolor / cerâmicas:  Trufaldi / montagem cozinha: Cook / cozinha externa: Ar Kente / armários embutidos: Cook / madeiras: Darci Jardim Canadá / alarme: Emive / telha cerâmica: Cerâmica Santa Catarina / impermeabilização: MG impermeabilizações / energia solar: JMS / pisos premoldados flutuantes: Concrefit / deck: Madepaus / equipamento sauna: Casa da Piscina

FP House: menção honrosa para obras edificadas na 12a Premiação IABMG 2010 / honorable mention for built project at IABMG 2010 prize

veja/see FP House em/at:

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C. I. A. A. R.

CENTRO DE INTEGRAÇÃO E ADAPTAÇÃO DA AERONÁUTICA / AIR FORCE CENTER FOR INTEGRATION AND ADAPTATION, Lagoa Santa / Brasil, João Diniz Arquiteutra Ltda


O Centro de Integração e Adaptação da Aeronáutica / É o campus brasileiro onde profissionais diversos / Fazem treinamento para trabalhar na Força Aérea. / As novas instalações em um terreno de 70 hectares / Incluem plano urbanístico que integra topografia e fluxos / Locando nas baixas áreas planas os acessos, a via principal / As oficinas, o ginásio, os pátios, os esportes, a capela / O edifício da música, o do comando, o estande de tiro. / Nas áreas mais elevadas estão as atividades fins, cotidianas, / Os alojamentos, a escola, o restaurante, os dois hotéis. / Diferentes tecnologias se adequam à diversidade dos usos: / Os perfis laminados na escola, a geodésica no ginásio / Estruturas mistas nos edifícios das moradias e escritórios, / A placa de concreto na capela, gerando um conjunto plural, / Uma unidade que parte do diálogo entre distintas tipologias / Adequadas a cada característica espacial e construtiva. / As áreas livres conformarão um parque do cerrado / Ecossistema nativo integrando os edifícios à natureza.

The Air Force Center for Integration and Adaptation / Is the Brazilian campus where several specialists / Receive training for the Air Force service. / The new facilities in a 70-hectare area / Include an urban plan integrating topography and flows / Locating accesses at the lower areas, the main street / Workshops, gymnasium, patios, sports, chapel / The music building, head office, shooting range. / At the higher areas are special-purpose, daily activities, / Lodging, school, restaurant, two hotels. / Different technologies are adapted to the diversity of uses: / Laminated frames at the school, geodesic at the gymnasium / Mixed structures at the lodging and office buildings, / Concrete board at the chapel, creating a plural setting, / A unit emerging from the dialogue between diversified typologies / Adequate to each spatial and constructive characteristic. / The free spaces will form a scrubland park / A native ecosystem integrating buildings to the nature.

Portão da Armas / Entrance Gate

Alojamentos Estudantis / Student’s Apartments

Edifícios de Apoio / Workshops

Edifício da Escola / School Building

Patio coberto da escola / School’s inner court

Ginásio / Gymnasium

Interior do ginásio / Gymnasium interior

Restaurante / Restaurant

Capela / Chapel

Edifício da Banda de Música / Music Building

Edificio do Comando / Comand Building
animação / animation

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Conceito geral e projeto básico de urbanismo e arquitetura / General concept and urbanistic and architectonic basic project: 2008

local: Lagoa Santa, MG, Brasil, área do lote / site area: 70,00 ha., área total construída / total built area: 52000 m2

arquiteto / architect: João Diniz, João Diniz Arquitetura Ltda. / Belo Horizonte MG

arquitetos colaboradores / associate architects: Priscila Garcia, João Pedro Torres, José Luis Baccarini, Isabel Diniz

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projeto executivo / construction project: Globo Engenharia Ltda / Salvador BA  2009
em construção por / under construction by: Schahin Construtora / São Paulo SP 2010