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PAVILHÃO ALPHA / ALPHA PAVILION


A transparência revela o lago e o bosque / O pavilhão é o espaço livre e polivalente / Inaugurado para o evento Casa Cor 2008 e / Mantido como sala de lançamentos da InPar Construtora. / O vão livre de 20 metros com sete treliças a cada 6,20 / Estabiliza as fachadas laterais contraventadas / A passarela conecta a construção existente / As paredes laterais em vidro são acusticamente inclinadas / A ventilação cruza pelo topo das paredes e portas corrediças / Montado em 20 dias com os tubos metálicos e cristal / Busca a leveza e a agilidade na urgência de existir

Transparency unveils the lake and the woodland / The pavilion is an open, multi-use space / Intended for the event Casa Cor 2008 and / Kept as lounge for announcements of InPar constructors. / The 20-m span with seven trellises spaced 6.20 m / Stabilize the head-winded laterals / The footbridge connects the existing building / Glazed lateral walls are acoustically sloped / Ventilation crosses over walls and sliding doors / Assembled in 20 days with metal tubes and crystal / It searches for lightness and agility in the urgency to exist.

local: Alphaville, Nova Lima, MG; área construída / built area: 920,00 m2

equipe de projeto / design team: arquiteto / architect: João Diniz; arquitetos colaboradores / associate architects: Priscila Garcia, João Pedro Torres, Jose Luis Baccarini, Mauricio Lage, Isabel Diniz

desenho estrutural / structural design: Francisco Silva; tubos estruturais / structural tubes: Vallourec & Mannesmann Tubes; cálculo estrutural / structural engineer: Euler Guerra; montagem da estrutura / structure contractor: Pórtico Estruturas Ltda; aço / steel: VMB 300; peso da estrutura / structure weight: 42 ton; construção civil / civil engineer: Nicola Peluso; vidros / glasses: Viminas Ltda, Total Vidros Ltda.; iluminação / lighting: Ernesto Lolato, La Lampe; acústica / acoustics: WSDG acoustic design, Renato Cipriano; fotos / photos: Marcilio Gazzinelli

prêmio Arquitetura em Aço / Steel Architecture award: X Premiação IAB MG, 2008

CASA SERRANA / SERRANA HOUSE

CASA SERRANA / SERRANA HOUSE: João Diniz Arquitetura

O lote é a mata em grande declive, / Morro abaixo árvores no rumo do rio. / A casa quase voa, como galhos e folhas. / O acesso ao nível da rua se dá pela ponte / Ancorando e conectando os seis pórticos que / Dispostos ao longo das curvas de nível / Estruturam o pavilhão como uma palafita de aço. / Entre-níveis internos se sucedem, / Em torno do eixo vertical que é a escada central. / Os ambientes mirantes se projetam aéreos. / Sobre a transparente sala está o terraço / Continuidade construída da paisagem/ Quintal suspenso que abraça a natureza.

The site is forest in steep slope, / Trees downward to the river. / The house almost flies away, like branches and leaves. / The street access is a bridge / Anchoring and connecting the six porticos which / Disposed along the contour lines / Structure the pavilion as if a steel stilt house. / Internal inter-levels are in succession, / Around the vertical axis of the central stairway. / Observatory rooms are projected in the air. / Over the transparent room is the terrace / Continuity built from the landscape / A suspended yard embracing the nature.

projeto / project: 2000; obra / completion: 2001 / local: Estância Serrana, Nova Lima, Minas Gerais / área do lote / site area: 1003,00 m2 / área construída / built area: 360,00 m2

equipe de projeto / design team: arquiteto / architect: João Diniz; arquitetos colaboradores / associate architects: Marcelo Maia, Adriana Aleixo, Clarissa Bastos, Cristiano Cezarino

construção civil / civil engineers: Gabriel, Bi Lustosa; cálculo estrutural / structural engineer: Sebastião Mendes; peso da estrutura / structure weight: 14,5 ton.; aço / steel: aço A36, perfil laminado CSN; fotos / photos: Marcílio Gazzinelli

CASA KS / KS HOUSE

CASA KS / KS HOUSE: João Diniz Arquitetura

A geometria do lote sugere a implantação / Valorizando o vazio, a praça interna e o gramado que / Num ângulo e arco desenham o vazio verde. / No nível mais alto do terreno está a casa. / A marquise metálica busca visadas da lagoa / Suas ondulações dialogam com a Pampulha. / O volume construído mescla estruturas: / Aço, concreto, madeira se complementam / Definindo apoios, fechamentos e coberturas. / A integração interna do espaço de convívio / Se une ao exterior trazendo para dentro / A idéia e a distância da orla de Belo Horizonte.

Appreciating The site geometry suggests the placement / the empty, internal space, lawn that / In an angle and arch design the green emptiness. / At the higher level is the house. / The metal cantilever looks for lagoon views / Its undulations talk to Pampulha. / The built volume mixes structures: / Steel, concrete, wood complement each other / Defining supports, closures and roofs. / The internal integration of the coexistence space / Connects to the exterior bringing inward / The idea and the distance of the Belo Horizonte’s edge.

projeto / project: 2004; obra / completion: 2007; local: Pampulha, Belo Horizonte, Minas Gerais; área do lote / site area: 1120,00 m2; área construída / built area: 433,00 m2

arquiteto / architect: João Diniz; arquitetos colaboradores / associate architects: Clarissa Bastos, João Pedro Torres, Priscila Garcia.

construção civil / civil engineer: Enio Teles / Tenap Ltda.; cálculo estrutural / structural engineer: Rubens Morato; artista / artist: Jorge dos Anjos; fotos / photos: Marcílio Gazzinelli

CASA MARINA / MARINA HOUSE

CASA MARINA / MARINA HOUSE: João Diniz Arquitetura

Seria precipitado afirmar, ou negar, o paralelismo / Entre a geografia e a cobertura arqueada / Encontro do projeto / informatizado com a indústria. / O relevo-teto metálico abriga as funções / Criando intimidades, integrações, iluminações / Delineando a torre como parte da paisagem. / A topografia do lote define os três níveis internos / Propondo o percurso ao pátio posterior onde / As visadas são valorizadas em diferentes alturas. / Centrífuga e centrípeta é a relação tripla / Entre a natureza, a construção e as pessoas.

It would be premature to affirm, or deny, the parallelism / Between the terrain and the arched roof / Meeting of the computer project with the industry. / The metallic roof-relief performs its functions / Creating intimacy, integration, lighting / Delineating the tower as part of the landscape. / The site topography defines the three internal levels / By proposing a ride to the backyard where / Landmarks are appreciated in different heights. / Centrifugal and centripetal is the triple relationship / Of nature, building and people.

projeto / project: 2004; obra / completion: 2005; local: Condomínio Alphaville, Lagoa Santa, Minas Gerais; área do lote / site area: 628,00 m2; área construída / built area: 198,00m2

arquiteto / architect: João Diniz; arquitetas colaboradoras / associate architects: Clarissa Bastos, Mônica Ogura; construção civil / civil engineer: Frederico Grimaldi; artista / artist: Jorge dos Anjos; fotos / photos: Marcílio Gazzinelli

SCALA WORKCENTER

SCALA WORKCENTER / João Diniz Arquitetura

A avenida do Contorno, antiga fronteira / O limite previsto da cidade planejada / O edifício nesta linha, na área dos hospitais / Num encontro de construções e saúdes / De expansão urbana e serviços médicos. / A imagem tecnológica do corpo construído / Refletida numa figura humana e mecânica: / A base aberta à rua, três níveis de garagens / O corpo central fragmentado e o anel-aura / Que redefine circularmente o horizonte. / O escalonamento do volume reinterpreta / A lei urbana ao propor o prisma inclinado / No limite próximo da pele e da ossatura / Dos amarelos e brancos metálicos / Apoiados no volume-torre de concreto / Tubo vascular de apoio da estrutura em aço / Fluxos vivos em crus minérios artificiais.

Contorno Avenue, an ancient border / The intended limit of the planned city / The building in that line, an area of hospitals / In a meeting of buildings and health / Of urban expansion with medical attention / The technological image of the built body / Reflected in a human and mechanic figure: / The base opened to the street, three garage floors / The fragmented central body and the aura ring / Redefining the horizon in a circle. / The escalation of the volume reinterprets / The urban law by proposing the inclined prism / In the limit of the skin and bones / Of yellow and white metals / Supported in the concrete towering volume / A vascular tube in support to the steel structure / Living flows in crude artificial ores.

projeto / project: 1995; obra / completion: 1998; local: Avenida do Contorno 9636, Belo Horizonte, Minas Gerais; área do lote / site area: 865,00 m2; área construída / built area: 5500,00 m2

arquiteto / architect: João Diniz; arquitetos colaboradores / associate architects: Adriana Aleixo, Daniela Fenelon, Fabiana Couto

construção / contractor: Ponta Engenharia Ltda, CVA/Tríade; estrutura metálica /        steel structure: Codeme; aço / steel: Usicivil 300; peso da estrutura / structure weight: 540,00 ton; fotos / photos: Marcílio Gazzinelli

GINÁSIO QUERUBINS / QUERUBINS GYMNASIUM


A vila Acaba Mundo, comunidade carente / Próxima à cidade e às suas contradições, / 5000 pessoas em busca de oportunidades / trabalho, participação, dignidade e sonho. / O projeto Querubins é uma ação solidária / Através do esporte, da alimentação / da profissionalização, do ensino e da arte. / Uma série de trabalhadores e agentes voluntários / Oferecem o seu tempo para desfavelizar / o orgulho daquelas crianças em busca do futuro. / O ginásio aparece como praça de encontro / Ponto de referência de ações transformadoras. / Uma cruzada de fornecedores e parceiros / Viabilizou a utopia possível e imediata. / Os pórticos semi-arqueados em chapa dobrada / Abrigam, sob telhas metálicas, a quadra-praça / Aberta ao entorno e à uma esperança de vida.

Acaba Mundo village, a destitute community / Next to the city and its contradictions, / 5000 people searching for opportunities / Job, participation, dignity and dream. / Querubins project is a solidarity action / Through sports, meals / Professional qualification, education and art. / Workers and volunteer agents / Offer their time to resettle / The pride of those children looking for a future. / The gymnasium emerges as a meeting plaza / A reference point for transforming actions. / A crusade of suppliers and partners / Made feasible the possible and immediate utopia. / Semi-arched porticos in bent sheets / Shelter the plaza-court under metal roof tiles / Opened to the surroundings and to hope in life.

projeto / project: 2004; obra / completion: 2007; local: Vila Acaba Mundo, Belo Horizonte, Minas Gerais; área construída / built area: 992,00 m2

arquiteto / architect: João Diniz; arquitetos colaboradores / associate architects: Clarissa Bastos; diretora do Projeto Querubins / Querubins Project director: Magda Coutinho; cálculo estrutural /

structural engineer: Usiminas, Pórtico Estruturas; construção / contractor: Santa Bárbara Engenharia; estrutura metálica / steel structure: Pórtico Estruturas; aço / steel: SAC 300; peso da estrutura / structure weight: 14 ton; fotos / photos: Marcilio Gazzinelli

Premio IAB MG 2009 para Obra Construída para fins Sociais e Menção Honrosa para Edifício em Estrutura Metálica

CASA EUGÊNIA / EUGÊNIA HOUSE

Ecos da primitiva cabana / A casa mínima, elementar / Espaço interno único e amplo / Tubos metálicos foram antigos esgotos / Enquadrando a visão de arvoredos vizinhos. / Alvenarias definem o espaço / Apoiando a metálica cobertura termo-acústica. / As brisas fluem ascendentes respirando a casa, / Os relevos e painéis de Jorge dos Anjos / Conectam a residência com Áfricas passadas e futuras / Irmanando gentes, arte, paisagem e arquitetura.

Echoes of the primitive cottage / The minimum, elementary house / Single, wide open internal space / Metal tubes from old sewage systems / Framing the view of neighboring groves. / Masonry walls define spaces / Supporting the thermo-acoustic metal roof. / Ascending breezes make the house breathe, / Reliefs and panels by Jorge dos Anjos / Connect the residence to past and future Africas / Fraternizing people, art, landscape and architecture.



projeto / project: 1993; obra / completion: 1999; local: Condomínio Estância das Amendoeiras, Lagoa Santa, Minas Gerais; área do lote / site area: 1650,00 m2; área construída / built area: 86,00 m2

arquiteto / architect: João Diniz; arquitetos colaboradores / associate architects: Marcelo Maia, Adriana Aleixo, Clarissa Bastos, Ana Cecília Rocha; construção civil / civil engineer: Frederico Grimaldi; artista / artist: Jorge dos Anjos; fotos / photos: Marcílio Gazzinelli

prêmio Obra Edificada / Built Project award: IX Premiação IAB MG, 2002

A COMUNIDADE AMBIENTALMENTE SUSTENTÁVEL

R E S U M O   G E R A L :
Introdução:
A pesquisa proposta visou a aplicação dos módulos espaciais CASEXP desenvolvidos na pesquisa do ano anterior num contexto comunitário, gerando em um terreno real em Betim MG, um modelo de conjunto residencial voltado à habitação social com preocupações relacionadas à Sustentabilidade Ambiental e Social.
Objetivos:
Este projeto de habitação coletiva desenvolveu densidades de ocupação horizontais preocupando-se com aspectos ecológicos tais como:
–       A correta implantação das unidades quanto ao sol e ventos,
–       Proposição de unidades espaciais com diferentes áreas internas visando distintas necessidades familiares com diferentes possibilidades de acoplamento mostrando a flexibilidade do sistema proposto.
–       O uso responsável das águas considerando as drenagens pluviais, seu reaproveitamento e correto tratamento de esgotos,
–       A proposição do ‘ciclo energético ecológico’ desta comunidade levando em conta todas as energias necessárias e consumidas, com ênfase nos recursos renováveis,
–       O uso responsável de materiais e itens de infra-estrutura urbana tais como pavimentações e outros elementos construtivos.
–       A integração social dos moradores através de configuração espacial que favoreça a vida comunitária.
A busca da melhor insolação e conforto ambiental para os blocos gerou implantação ao longo do eixo leste-oeste o que proporcionou condições diferenciadas de abordagem da topografia em três setores. Uma nova rua plana aparece cruzando o conjunto, ligando as principais vias de acesso e dando lugar a estacionamentos para os moradores. No ponto mais baixo aparece a praça de convívio com áreas esportivas e de lazer junto à lagoa de detenção.  A faixa comercial existente na borda nordeste do terreno foi mantida. A implantação proposta libera totalmente o terreno natural proporcionando ampla área para vegetação e drenagem. Num contexto confuso e de ocupação desordenada o novo conjunto aparece como forma de ordenação de uma nova natureza construída.
Palavras-chave: arquitetura, urbanismo, sustentabilidade, habitação social.
Metodologia:
O método confirma a pertinência do dialogo entre um modelo espacial celular como unidade aberta de desenvolvimento da ocupação especifica. O modulo espacial CASEXP se mostrou versátil podendo mesmo gerar ocupações diferenciadas da hipótese aqui alcançada.
O Sistema CASEXP baseia-se na montagem da unidade espacial a partir de chassis metálico suspenso. No caso das topografias variáveis da Vila Recreio tornou-se necessário a adoção de um sistema de suspensão para este chassis a partir de pilares tubulares que separam o chassis do solo tornando-o livre para o escoamento das águas pluviais e para o plantio de espécies vegetais e hortas comunitárias.
Estes pilares tubulares poderão ser metálicos, em concreto pré-moldado ou moldado em loco de acordo com facilidades de fornecimento na época da construção e definições posteriores a serem definidas em cálculo estrutural.
Foram estudados dois modelos de implantação: o perpendicular às curvas de nível ou vertical e o paralelo às curvas de nível ou horizontal. No primeiro caso os módulos espaciais podem ser dispostos um sobre os outros em diferentes arranjos de acordo com as variações topográficas gerando unidades de um ou dois pavimentos. O acesso se faz por rampa pela parte posterior do conjunto onde o módulo está mais próximo do solo.
Resultados:
A realidade do terreno em questão exigiu uma nova ordenação e foi nossa intenção neste momento fazer esta investigação tipológica em duas direções, implantando os conjuntos de módulos espaciais paralela e perpendicularmente às curvas de nível mas sempre visando  o eixo leste-oeste que é o mais indicado quanto à insolação e conforto ambiental das unidades.
A qualidade de leveza e mobilidade dos blocos residências permite inclusive que esta comunidade seja removida deste local se necessário e em grande parte remontada em outro local.
Conseguimos com nossa implantação criar uma área de lazer e esportes junto à lagoa de retenção que funciona como ponto de convergência das águas pluviais evitando inundações sazonais nos regimes chuvosos e promovendo a drenagem do solo local.
O projeto sugere uma abordagem paisagística própria aliando às extensivas áreas verdes conseguidas na implantação o plantio de hortas comunitárias e pomares.
A criação de uma rua interna em piso drenado promove um atravessamento da área abordada integrando esta comunidade diferenciada na malha urbana local e resgatando para a vida do bairro o território até então marginalizado.
Conclusão:
Este estudo faz parte de uma linha de pensamento e pesquisa desenvolvida pelo professor coordenador que inclui em diferentes etapas de seu exercício profissional preocupações paralelas e semelhantes. A oportunidade dada pela Fumec para o desenvolvimento desta comunidade sustentável ver a somar resultados e experiência a um estudo sistemático o que resulta em resultados positivos para as pessoas e instituições envolvidas.

Veja o caderno completo em:

A Comunidade Ambientalmente Sustentável

Steel Life: arquiteturas em aço por João Diniz

STEEL LIFE: arquiteturas em aço no novo livro de João Diniz

Compre o livro no site da JJCarol em para comprar o livro Steel Life de Joao Diniz

O arquiteto João Diniz apresenta o seu novo livro Steel Life: arquiteturas em aço / metallic architectures destacando seus projetos e obras construídas que fazem uso de estruturas metálicas.

O livro surgiu da indicação do CBCA: Centro Brasileiro da Construção em Aço que destacou alguns arquitetos brasileiros à editora JJCarol de São Paulo que os incluiu em sua já conhecida Coleção Portfólio Brasil que apresenta trabalhos de diversos profissionais nas áreas de artes plásticas, design, fotografia e arquitetura.

No presente livro João Diniz apresenta sua obra em aço em diversas escalas e atitudes conceituais. Na publicação as obras estão classificadas em: Estruturas que podem ser Completas, Hibridas, Artísticas, Design e Cidadãs, onde dialogam com necessidades sociais. Dentre estas classificações estão  projetos e obras para torres comerciais; residências; edifícios para fins acadêmicos, esportivos e culturais; esculturas, e mobiliário urbano e domestico.

A edição conta com apresentação de Roberto Segre destacado crítico da arquitetura latino-americana que já publicou dezenas de artigos e livros sobre o assunto. Em seu texto Segre comenta:

‘João Diniz pertence ao grupo de vanguarda que propôs resgatar através da arquitetura a identidade ambiental e cultural de Minas Gerais, caracterizada economicamente pela seqüência da exploração mineral, inicialmente com o ouro no período colonial, e no século vinte com o ferro e a siderurgia.

O arquiteto soube, ao mesmo tempo, relacionar a sua sensibilidade aberta a outras manifestações culturais – o desenho, a fotografia, a escultura, a música e a poesia – com a versatilidade das estruturas metálicas. Nas obras apresentadas neste livro se evidencia a multiplicidade de caminhos existentes na utilização do aço.’

O editor de fotografia é Marcílio Gazzinelli, reconhecido profissional que atua em diversas áreas da profissão com destaque para a fotografia industrial e de arquitetura.

Também merece destaque o diferenciado projeto gráfico assinado por Mariana Hardy e Rodrigo Marchezine que propõe uma nova abordagem para o livro de arquitetura.

Os textos escritos por João Diniz na introdução e para cada projeto apresentado propõem uma linguagem própria situada entre a técnica e a poesia sugerindo canal de comunicação acessível tanto para profissionais da área como para o publico em geral. A edição é bilíngüe português/inglês.

O livro contou com o apoio do CBCA: Centro Brasileiro da Construção em Aço, da V & M Tubes do Brasil, da Gerdau-AçoMinas, da Usiminas, da Universidade Fumec e da Pórtico Construções Metálicas.

Compre o livro no site da JJCarol em para comprar o livro Steel Life de Joao Diniz

O livro já foi lançado, acompanhado de palestra do arquiteto, em Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Itaúna, São João del Rey, Montes Claros e Gdansk na Polonia. Novos lançamentos estão sendo programadas.

Conheça abaixo algumas páginas da publicação:

 

Reflexões sobre a Idade do Aço, por João Diniz

A linha do tempo, as épocas humanas

Estão contadas em voz de fogo e pedra

A palavra metal, de origem grega, significa procurar, sondar

Tangendo milênios de conquistas e descobertas.

Na natureza estão puros o ouro, prata, platina, mercúrio, o cobre

Os demais minérios eram a princípio mistérios oxidados

Como bauxita e hematita que purificados são o alumínio e o ferro.

Na fogueira de 10000 anos atrás o estanho e o chumbo

São os metais macios que prenunciaram a Idade do Cobre

A primeira das idades metálicas que sucedeu a da Pedra Polida.

Nos fornos de 6000 a.C. surgem de cobre ferramentas e armas

E a idéia da metalurgia, na Pérsia, Turquia, Mesopotâmia.

O cobre mais o estanho inauguram a Idade do Bronze em 2000 a.C.

Armaduras, lanças, lutas, Odisséia, Ilíada e guerreiros.

Os dois metais fazem história e em 1500 a.C. começam a faltar.

Inicia-se aí a Idade do Ferro, uma nova etapa, o segundo milênio.

A hematita e a pirita em alta temperatura fazem o ferro

Que não mais vindo só dos meteoros, cruza a Idade Media até

A época gótica, e a renascença nas forjas dos monges e artesãos.

O ferro combinado ao carbono em baixas porcentagens faz o Aço.

E a partir do ferro gusa que é minério de ferro, carvão e calcário

Fundidos em alto forno, iniciamos em 1855 na Inglaterra

A produzir aço em larga escala, começa a Idade do Aço,

A era em que vivemos.

Naqueles meados do século XIX o mundo estava realmente mudando.

Máquinas, estações, indústrias, ferrovias, motores, operários

Reinventavam a história onde o ferro é o principal protagonista.

Os motores e os combustíveis fósseis passam a ser usados em escala,

Os antigos ciclos regenerativos da natureza são rompidos

A vida se transforma com a visão de um progresso ilimitado.

A nova lógica construtiva baseada na economia dos meios

Parece retomar o período gótico (1) e a ênfase na geometria estrutural.

O novo otimismo, deslumbramento e espanto se revelavam

Nas feiras universais, fábricas, pontes e gares ferroviárias

Construindo novas metrópoles, New York, Londres, Berlin

E obras simbólicas, Crystal Palace (2),Torre Eiffel (3), Brooklyn Bridge (4),

Cantado nas odes de Manhattan, de Mayakovski e Lorca

Refletidos nas passagens parisienses do filósofo Benjamin.

Tempos de mudança que chegam ao século XX cheios de força

E inventam a arquitetura moderna eliminando excessos,

Buscando essências, a casa máquina, o espírito novo.

A idéia do Less is More está presente nos projetos de Mies van der Rohe (5)

Numa perspectiva cultural e de industrialização da construção,

E nas obras de Buckminster Fuller (6) numa busca da máxima leveza

E das lições da natureza que podem inspirar o engenho humano.

Legados que vêm sendo interpretados e traduzidos desde então

Por arquitetos e construtores de todas as partes do planeta

No Brasil muitas obras tradicionais já praticavam a estrutura livre:

A oca do índio Xingu (7), as cabanas simples de pau a pique,

As casas em chapa metálica da Amazônia, a arquitetura colonial (8).

Também tivemos nossas primeiras estações em ferro fundido (9),

Ferrovias, indústrias, teatros, grandes vãos, pontes…

A arquitetura moderna brasileira, hábil no uso do concreto armado,

E que deslumbrou o mundo nos meados do século XX,

Teve também obras em aço com conceitos e imagens próprias.

Estruturas metálicas estão presentes na construção de Brasília,

E a partir de então passa para nossa história recente em obras como

As de Niemeyer (10), Lúcio Costa (11), Sérgio Bernardes (12), Éolo Maia (13).

Contemporaneamente o aço ganha força em novas questões,

Num momento em que a Terra se preocupa mais do que nunca

Com sua saúde, futuro, sobrevivência e sustentabilidade,

A construção metálica aparece como alternativa coerente que

Facilita a leveza, o transporte, a desmontagem e a reciclagem.

As jazidas, parques siderúrgicos e uma recente tradição construtiva

Fazem do aço uma importante inspiração para a arquitetura nacional.

Novas experiências e autores notáveis surgem a cada dia

Revelando as múltiplas possibilidades e sistemas do material.

A obra de João Filgueiras Lima, o Lelé (14), é um ótimo exemplo

De como a tecnologia e a cultura brasileira podem dar à atualidade

Uma mostra de sua vitalidade, espírito criativo e ecológico.

O presente e o futuro são mais do que nunca um desafio

Nas diversas possibilidades que assinalam aos arquitetos

Através das responsabilidades que colocam em nossas mãos.

As obras apresentadas no livro Steel Life

São a parte metálica da nossa produção arquitetônica.

Em Minas Gerais o ferro que está nas montanhas,

A produção siderúrgica e o pensamento de diversos profissionais

Acabam por nos contaminar com esta poesia metálica

E gerar oportunidades de trabalho e reflexão.

Os projetos e obras aqui apresentados foram divididos

Em função das relações principais que têm com o aço e seu uso.

Então as EC ou Estruturas Completas são obras que adotam

O metal como elemento único e principal de sustentação

Resultando produto conceitual e esteticamente alinhado a esta opção.

As EH ou Estruturas Híbridas são os projetos que conjugam

A construção metálica à construção em alvenaria

Respondendo às demandas de cada setor dos edifícios.

Nestes casos os elementos em aço estão localizados

Onde as transparências e leveza são mais necessárias.

AC ou Aço Cidadão são as situações onde o aço

Gera situações comunitárias de integração e uso público

Participando como um dos agentes da dinâmica urbana

Ou como delineador do cenário de transformações sociais.

Os AA ou Aços Artísticos são os casos onde o material

Define um objeto, não necessariamente arquitetônico

Mas que participa como elemento escultórico e espacial

Que qualifica com surpresa e cultura determinado ambiente.

Estes projetos e obras respondem a diferentes demandas,

Vindas do cliente particular, podendo ser indivíduo ou empresa,

Ou então solicitações públicas onde uma administração urbana

Gera e contrata uma situação projetual à qual respondemos.

Existem ainda os concursos de arquitetura e pesquisas acadêmicas

Que são situações voluntárias em que nos envolvemos

E podemos investigar elementos ainda não experimentados.

E existem ainda as situações de trabalho em que nos lançamos

Sem nenhuma demanda ou necessidade, pelo prazer de fazer,

Ou pelo amplo significado do ofício que é a Arquitetura,

Ou para simplesmente mantermos acesa a chama

Até que apareça um novo problema que ajudaremos a resolver.

Agora no século XXI, nesta nova etapa da Era do Aço

Num paralelo entre arte e construção de um novo tempo

Devemos recusar a Natureza Morta, ou Still Life

E com este material da contemporaneidade buscar a vida

Nas experiências e trabalhos em curso desta Steel Life.

Texto de apresentação do livro Steel Life: arquiteturas em aço, de João Diniz

Editora JJCarol, São Paulo 2010