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TURMA por joão diniz

pingüins tropicais, gambás sobreterrâneos, arquitetos de nuvens

poetas de silêncios, cenógrafos da bondade, cantores de perfumes

cozinheiros de carinhos e guerrilheiros de descansos…
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professores de perguntas, funcionários de respostas, empresários do espírito

fotógrafos da verdade, sérios gargalhantes, centrados gozadores

promissores instantâneos e porta-vozes de surpresas…
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médicos de sanidades, longevas bailarinas, amantes transparentes

beldades em discrição, engenheiros de delicadezas, atletas sem competição

costureiras do entendimento e domésticos peregrinos…
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… tem de tudo na minha turma
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soldados da humanidade, aposentados criativos, empolgados idosos

economistas da distribuição, urbanistas da natureza, maduros adolescentes

feiticeiros de ferias e sacerdotes do convívio…
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provisórios melancólicos, anjos na multidão, fadas com caridade

musas de analfabetos, ricos em amizades, carentes esperançosos

conjugues em liberdade e pacientes conquistadores…
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inspirados ociosos, ébrios de consciência, galantes não ansiosos

abastados desprendidos, modistas sem estação, lideres generosos

fatigados com disposição e sábios aprendizes…
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…. tem de tudo na minha turma
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texto joão diniz (pelo dia do amigo)

O LIVRO DAS LINHAS de joão diniz

A edição ‘O LIVRO DAS LINHAS’ lançado em dezembro de 2020 pela Caravana Editora está disponível também como e-book. No link https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/o-livro-das-linhas-e-book-formato-kindle/
A coordenação editorial é do super Leonardo Costaneto
Leia a apresentação do livro escrita pelo poeta Tonico Mercador

“O poeta é um arquiteto de ilusões no deserto”.

O verso acima faz parte de um poema escrito por mim há mais de 20 anos e publicado no Suplemento Literário do Minas Gerais: “As 10 Máscaras do Poeta”, inspirado nos amigos arquitetos que conseguem construir algo tão sólido e tão volátil quanto uma casa ou um sonho. Não sem razão, lembro que o “Manifesto das Sete Artes”, escrito por Ricciotto Canudo em 1923 estabelece a Arquitetura como uma das artes clássicas, juntamente com a Literatura, Escultura, Música, Pintura, Dança e Cinema. Dentre esses inspirados e inspiradores amigos artistas arquitetos, João Diniz se destaca, utilizando a literatura como arcabouço e a poesia como elemento para erigir sua catedral de sons com palavras-pilares que sustentam o seu mundo concreto e abstrato. Neste criativo, insensato, absoluto Livro das Linhas, cujos versos se empilham como um edifício, uma torre, um castelo, João Diniz confirma Kandinsky em seu livro Ponto e Linha sobre o Plano: “A linha geométrica é um ser invisível. É o traço que abandona o ponto ao se mover e, portanto, é o seu resultado. Surge do movimento ao destruir o repouso total do ponto. Aqui se dá o salto do estático ao dinâmico”. Aqui, são várias as linhas que se movem, como se João Diniz quisesse, com elas, mostrar que é possível semear o deserto com palavras, que poemas podem conduzir o homem abandonado, o homem só, a uma outra paisagem, a um estimulante devir”. Tonico Mercador

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CANTO AO BATISMO

nós te batizamos

em nome do pai, do filho,

da mãe, irmãos, avós, tios, primos,

amigos presentes, e futuros,

e do espírito santo

e de todos outros espíritos do bem

e aproveitamos para pedir em união:

que águas como a derramada

por João sobre Jesus no rio Jordão

permaneçam puras em nossa terra

e em outros cantos do planeta

e que nos lavem de todo desamor, arrogância,

tirania, dominação, indiferença e desanimo

pela vida que seguirá adiante, individual e coletiva

que essa pureza transparente,

possa te acompanhar pelos caminhos

nas varias etapas da existência,

desde a semente, no corpo da mãe,

à maturidade entre os mais jovens e descendentes

que saibas combater

as forças e energias opostas

com atitudes de compaixão, fé e liberdade,

plenas de tolerância, decisão e entusiasmo

que a alma se sobreponha à matéria

e que a construção de riquezas

acumule uma fortuna de paixões, companheiros,

instantes inesquecíveis, explosões de sentidos,

carinhos e epifanias,

neutralizando qualquer possibilidade de pecado,

banal ou original

que tenhamos juntos uma postura de gratidão

e disposição para reescrever as orações

em função das circunstancias, lutas,

necessidades e conquistas de cada momento

e que esse batismo seja diário

p/ Eduardo, Nina, Marcelo, Nuno

jd 2016

SEMIBREVE um livro instantâneo

MANIFESTO AO ABRAÇO por joão diniz

MANIFESTO AO ABRAÇO
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Tendo em vista a situação quase insuportável a que chegamos onde se acirram as polarizações, a falta de diálogo, a capacidade de aturar diferenças e os ódios.
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Tendo em vista a distância entre pessoas próximas e longínquas quando o individualismo se confunde com egoísmo, personalidade se confunde com vaidade e conteúdo se confunde com dispersão.
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Tendo em vista a presença de um mundo cada vez mais cibernético onde a maioria dos olhares e dedos estão voltados mais às telas digitais do que às janelas, paisagens e semblantes.
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Resolvemos lançar mão de uma das mais antigas ações utilizadas pelos humanos e por alguns animais:
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O ABRAÇO!
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O Abraço em suas diversas possibilidades.
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O Abraço sincero onde quem abraça se desvencilha de preconceitos e mágoas.
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O Abraço com as mãos, braços, peito ou costas, com o rosto, o nariz, talvez com os lábios e as pernas, de olhos abertos ou fechados, e também se possível com o coração e a alma.
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O Abraço onde o corpo se empenhe em demonstrar seu vigor, acolhimento, curiosidade, sensibilidade e abertura à conciliação e ao prazer do encontro.
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O Abraço amigo incluindo afinidades antigas ou instantâneas.
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O Abraço onde os corpos sintam suas superfícies, pulsações, volumes, temperaturas, odores, variações e até talvez sua energia vital e sua porção espiritual.
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O Abraço breve ou duradouro, apertado ou suave.
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O Abraço entre duplas, trincas, casais, grupos, bairros, cidades, nações, sem distinção de etnias, preferencias, credos, idades, culturas, idiomas ou gêneros.
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O Abraço em si mesmo.
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O Abraço que desfaça antigas mágoas, desavenças, dominações, autoridades, inimizades e dúvidas.
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O Abraço mútuo.
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Um Abraço sem preconceito, mas com senso crítico onde sabemos da possibilidade de estarmos sempre evoluindo, e de que está no próximo, a ser abraçado, as possibilidades da paz.
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O Abraço que pode até evoluir em outras atitudes como carinho, beijo e outras volúpias humanas, incluindo a paixão e o amor.
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O Abraço verdadeiro que não se desfaz quando termina.
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O Abraço guarda em si uma revolução.
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Abracemo-nos…
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……………………………………………………………………. João Diniz, outubro 2017