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ROT-EIROS-INCOM-PLETOS

Exposição de Fotografias de João Diniz

Cine Belas Artes, de 13 de novembro de 2008 a 31 de março de 2009

R. Gonçalves Dias, 1581 – Lourdes, BELO HORIZONTE

O projeto ‘Fotograma Belo Horizonte’ que apresenta artistas diversos que trabalham sobre a grande parede/painel do Cine Belas Artes Liberdade em BH, abriu sua 3a edição no dia 13 de novembro de 2008, 5a feira, às 20:00hs com a exposição de fotografias de João Diniz intitulada ROT-EIROS-INCOM-PLETOS.

João Diniz é arquiteto e afirma que descobriu a arquitetura através da fotografia que pratica desde adolescente já tendo participado de diversas exposições, publicações e premiações. Segundo ele a câmera fotográfica sempre foi uma boa companheira que o ajudou a descobrir espaços luzes e até mesmo os contraditórios aspectos humanos de nossa sociedade.

O trabalho que João Diniz inaugurou no Cine Belas Artes é uma homenagem ao cineasta oculto que temos todos dentro de nós. Esta constatação vem da capacidade e do hábito que temos de imaginar histórias, dramas, romances a partir de cenas  curtas que percebemos a cada instante de nosso cotidiano.

A exposição se configura através de um conjunto de seqüências fotográficas definidas pelo autor como ‘Roteiros Incompletos’, que são diversas situações casuais registradas por ele, e que receberam nomes sugestivos que deixam a cargo do espectador imaginar e compor a história que está por trás de cada um destes possíveis roteiros foto-cinematográfico apresentado.

As fotos foram tomadas em viagens pelo Canadá e Estados Unidos e sugerem uma visão atenta sobre a cidade e seu habitante,  numa poesia visual que soma aspectos  críticos e humanos a uma forte beleza cromática e compositiva, sem nunca esquecer do que o fotografo francês Henri Cartier-Bresson definiu como ‘o momento decisivo’ ou seja a capacidade que a fotografia tem de eternizar um instante da vida que acontece uma vez e não retorna mais.

Esta exposição gerou também o belo curta metragem dirigido por Fábio Carvalho e editado por Isabel Lacerda com trilha sonora de Lô Borges e do Pterodata, assista em: OLHOCINEFOTO, filme curto de Fábio Carvalho

Currículo fotográfico de João Diniz

João Diniz é arquiteto e tem seu nome ligado à contemporânea arquitetura mineira e brasileira com diversas obras construídas, premiadas e publicadas, fazendo, algumas delas, parte da paisagem de BH.

Ele costuma dizer que chegou à arquitetura através da fotografia que pratica desde adolescente e que através da foto aprendeu a investigar espaços, luzes, enquadramentos; fotografando a obra de diversos arquitetos teve seus primeiros contatos com as possibilidades construtivas e a realização de projetos diversos.

Nos tempos da escola de arquitetura na UFMG participou de diversas exposições e premiações publicou os livros ‘Com vidro nos olhos’ em parceria com o colega Carlos Antonio Leite Brandão e ‘Fotovida’ com o poeta Murilo Antunes.

Mesmo após formado em arquitetura continuou participando de exposições fotográficas em paralelo à sua pratica como arquiteto na sua empresa a JDArq.

A partir da realização de seus próprios projetos passa a fotografá-los sempre em parceria com o fotografo Marcilio Gazzinelli, e com estes registros publica em 2002 o livro/monografia ‘Joao Diniz Arquiteturas’ de sua obra até então.

A mostra no projeto Fotograma no Cine Belas Artes liberdade siginificou para João um retorno às suas observações fotográficas voltadas ao lado humano do cotidiano, a observação dos espaços urbanos e arquitetônicos e o interesse pela composição gráfica e plástica, sem deixar de lado um poético espírito critico.

Esta exposição foi tema do filme curto OLHOCINEFOTO de Fábio Carvalho (câmera e direção) e Isabel Lacerda (montagem e edição) com trilha sonora do Lô Borges e Pterodata.

This exhibition generated the short film OLHOCINEFOTO done by Fabio Carvalho (director and camera) and Isabel Lacerda (edictor) with soundtrack by Lô Borges and Pterodata.

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LIMITES DA CIDADE

Janela, porta, parede, teto, muro.

O entendimento dos espaços de nosso dia a dia passa pela idéia e do conhecimento de seus limites.

As muralhas romanas, o muro de Berlin, as cercas agrícolas, as grandes vitrines envidraçadas, o arame farpado dos latifúndios, as grades de uma cadeia, são algumas das diversas barreiras que separam historicamente o homem de sua própria natureza a partir de códigos naturais, geográficos, humanos, sociais.

A cidade nasce com a necessidade humana de se proteger do meio selvagem e se afirma como território de inúmeras fronteiras.

O crescimento caótico das metrópoles, a partir da somatória de ações individuais, gera as leis do acaso configuradoras de grande parte das urbes atuais, são ações que configuram a imagem destes aglomerados.

Esta figura de espanto oculta inúmeras fronteiras, sutis ou não, que determinam as ações dos cidadãos gerando suas leis de sobrevivência na tirana ordem de um verdadeiro apartheid social.

Estas barreiras, configuram guetos sociais, e funcionam como bolhas de cultura, poder, saber, riqueza e miséria, construindo uma pirâmide de posições onde a ascensão social é possível, embora sempre enquadrando o indivíduo em sua origem étnica, classista, ou econômica.

O transcurso de um simples dia de qualquer cidadão é um trespassar de fronteiras.

A noite e o dia, o sono e a vigília, a saúde e a doença, o trabalho e o descanso; determinam uma rítmica vital coordenada por fluxos naturais nem sempre harmônicos.

A estas ordens orgânicas se somam aos rituais da movimentação: o interno e o externo, o transportar e o parar, o deslocar-se, o chegar, a oposição entre o tempo móvel e o tempo estático.

A busca humana da felicidade está justamente no saber e poder equilibrar esta aparente contradição de lidar com limites e tentar desfazer neles algumas dúvidas, crescer para sobreviver.

A própria busca do conhecimento representa uma ruptura das próprias fronteiras.

Encarar os nossos preconceitos conscientizar-se das próprias questões, buscar no próximo o diálogo das duvidas, da dor ou prazer, são ações que podem definir nossa existência como um constante romper de limites.

Como entender os limites da cidade?

Serão necessárias e verdadeiras as atuais fronteiras entre o habitacional e o comercial, o recreacional e o industrial, o centro e a periferia, o rico e o pobre, o burguês e o revolucionário, o globalizado e o nacionalista?

São pólos em conflitos dinâmicos, ora se fundindo, ora acirrando contradições.

Seria a cidade ideal e possível aquela onde não houvesse limites?

Como uma célula que se reproduz infinitamente, definindo sempre novos contornos, a cidade pulsa em continuado crescimento.

Interessante entendê-la como uma evolução fractal, onde as partes reproduzem sempre as características do todo, ecoando uma ordem vital definidora de seu próprio caráter.

Será possível entender esta urbe como uma entidade holística apesar de toda a luta que se trava em seu interior?

Passado o período heróico da Carta de Atenas, que entendia a cidade em quatro funções básicas: habitação, circulação, trabalho e lazer, têm-se hoje leituras diversas do fenômeno urbano que consideram posturas do historicismo ao caos, do pragmatismo à anarquia.

Arquitetos e urbanistas são elementos chaves no entendimento destas questões, mas não podem pretender-se os únicos entendedores destes enigmas. Unem-se a eles outros agentes numa rede que se exige hoje mais coesa e integrada do que nos primeiros momentos modernistas.

Distante está a ilusão daqueles tempos onde se acreditava o urbanismo e a arquitetura capazes de transformar o mundo. Talvez tenham sido capazes de transformar a si mesmos, e quiçá inaugurar uma nova ordem onde se desfazem as distancias entre as diversas áreas do conhecimento.

Cada profissional ciente de seu papel social busca entender outros ofícios, talvez até exerça alguns deles por necessidade, experiência ou prazer.

A noção dos limites seria posta em dúvida. A cidade funcionaria como um corpo vivo onde as diferentes partes exercem muito mais funções de complementaridade que de oposição.

A celebrada ordem racional daria lugar a um sistema intuitivamente orgânico.

A utopia pode ter um efeito propulsor. A descontinuidade do pensamento originalmente demolidora dos limites da razão pode exercer boa influência nas decisões.

Estas idéias se acoplam a outras que buscam essa nova ordem numa estratégia de reconhecimento, quebra e busca de novos paradigmas.

São motivos para que os pessimistas prossigam e antevejam melhoras, para que os otimistas reflitam e questionem suas certezas.

Janela, porta, parede, teto, muro, se existem limites devemos descobrir como os transpor.

texto: João Diniz, foto: João Diniz, Berlin 1985

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