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Steel Life: arquiteturas em aço por João Diniz

STEEL LIFE: arquiteturas em aço no novo livro de João Diniz

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O arquiteto João Diniz apresenta o seu novo livro Steel Life: arquiteturas em aço / metallic architectures destacando seus projetos e obras construídas que fazem uso de estruturas metálicas.

O livro surgiu da indicação do CBCA: Centro Brasileiro da Construção em Aço que destacou alguns arquitetos brasileiros à editora JJCarol de São Paulo que os incluiu em sua já conhecida Coleção Portfólio Brasil que apresenta trabalhos de diversos profissionais nas áreas de artes plásticas, design, fotografia e arquitetura.

No presente livro João Diniz apresenta sua obra em aço em diversas escalas e atitudes conceituais. Na publicação as obras estão classificadas em: Estruturas que podem ser Completas, Hibridas, Artísticas, Design e Cidadãs, onde dialogam com necessidades sociais. Dentre estas classificações estão  projetos e obras para torres comerciais; residências; edifícios para fins acadêmicos, esportivos e culturais; esculturas, e mobiliário urbano e domestico.

A edição conta com apresentação de Roberto Segre destacado crítico da arquitetura latino-americana que já publicou dezenas de artigos e livros sobre o assunto. Em seu texto Segre comenta:

‘João Diniz pertence ao grupo de vanguarda que propôs resgatar através da arquitetura a identidade ambiental e cultural de Minas Gerais, caracterizada economicamente pela seqüência da exploração mineral, inicialmente com o ouro no período colonial, e no século vinte com o ferro e a siderurgia.

O arquiteto soube, ao mesmo tempo, relacionar a sua sensibilidade aberta a outras manifestações culturais – o desenho, a fotografia, a escultura, a música e a poesia – com a versatilidade das estruturas metálicas. Nas obras apresentadas neste livro se evidencia a multiplicidade de caminhos existentes na utilização do aço.’

O editor de fotografia é Marcílio Gazzinelli, reconhecido profissional que atua em diversas áreas da profissão com destaque para a fotografia industrial e de arquitetura.

Também merece destaque o diferenciado projeto gráfico assinado por Mariana Hardy e Rodrigo Marchezine que propõe uma nova abordagem para o livro de arquitetura.

Os textos escritos por João Diniz na introdução e para cada projeto apresentado propõem uma linguagem própria situada entre a técnica e a poesia sugerindo canal de comunicação acessível tanto para profissionais da área como para o publico em geral. A edição é bilíngüe português/inglês.

O livro contou com o apoio do CBCA: Centro Brasileiro da Construção em Aço, da V & M Tubes do Brasil, da Gerdau-AçoMinas, da Usiminas, da Universidade Fumec e da Pórtico Construções Metálicas.

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O livro já foi lançado, acompanhado de palestra do arquiteto, em Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Itaúna, São João del Rey, Montes Claros e Gdansk na Polonia. Novos lançamentos estão sendo programadas.

Conheça abaixo algumas páginas da publicação:

 

Reflexões sobre a Idade do Aço, por João Diniz

A linha do tempo, as épocas humanas

Estão contadas em voz de fogo e pedra

A palavra metal, de origem grega, significa procurar, sondar

Tangendo milênios de conquistas e descobertas.

Na natureza estão puros o ouro, prata, platina, mercúrio, o cobre

Os demais minérios eram a princípio mistérios oxidados

Como bauxita e hematita que purificados são o alumínio e o ferro.

Na fogueira de 10000 anos atrás o estanho e o chumbo

São os metais macios que prenunciaram a Idade do Cobre

A primeira das idades metálicas que sucedeu a da Pedra Polida.

Nos fornos de 6000 a.C. surgem de cobre ferramentas e armas

E a idéia da metalurgia, na Pérsia, Turquia, Mesopotâmia.

O cobre mais o estanho inauguram a Idade do Bronze em 2000 a.C.

Armaduras, lanças, lutas, Odisséia, Ilíada e guerreiros.

Os dois metais fazem história e em 1500 a.C. começam a faltar.

Inicia-se aí a Idade do Ferro, uma nova etapa, o segundo milênio.

A hematita e a pirita em alta temperatura fazem o ferro

Que não mais vindo só dos meteoros, cruza a Idade Media até

A época gótica, e a renascença nas forjas dos monges e artesãos.

O ferro combinado ao carbono em baixas porcentagens faz o Aço.

E a partir do ferro gusa que é minério de ferro, carvão e calcário

Fundidos em alto forno, iniciamos em 1855 na Inglaterra

A produzir aço em larga escala, começa a Idade do Aço,

A era em que vivemos.

Naqueles meados do século XIX o mundo estava realmente mudando.

Máquinas, estações, indústrias, ferrovias, motores, operários

Reinventavam a história onde o ferro é o principal protagonista.

Os motores e os combustíveis fósseis passam a ser usados em escala,

Os antigos ciclos regenerativos da natureza são rompidos

A vida se transforma com a visão de um progresso ilimitado.

A nova lógica construtiva baseada na economia dos meios

Parece retomar o período gótico (1) e a ênfase na geometria estrutural.

O novo otimismo, deslumbramento e espanto se revelavam

Nas feiras universais, fábricas, pontes e gares ferroviárias

Construindo novas metrópoles, New York, Londres, Berlin

E obras simbólicas, Crystal Palace (2),Torre Eiffel (3), Brooklyn Bridge (4),

Cantado nas odes de Manhattan, de Mayakovski e Lorca

Refletidos nas passagens parisienses do filósofo Benjamin.

Tempos de mudança que chegam ao século XX cheios de força

E inventam a arquitetura moderna eliminando excessos,

Buscando essências, a casa máquina, o espírito novo.

A idéia do Less is More está presente nos projetos de Mies van der Rohe (5)

Numa perspectiva cultural e de industrialização da construção,

E nas obras de Buckminster Fuller (6) numa busca da máxima leveza

E das lições da natureza que podem inspirar o engenho humano.

Legados que vêm sendo interpretados e traduzidos desde então

Por arquitetos e construtores de todas as partes do planeta

No Brasil muitas obras tradicionais já praticavam a estrutura livre:

A oca do índio Xingu (7), as cabanas simples de pau a pique,

As casas em chapa metálica da Amazônia, a arquitetura colonial (8).

Também tivemos nossas primeiras estações em ferro fundido (9),

Ferrovias, indústrias, teatros, grandes vãos, pontes…

A arquitetura moderna brasileira, hábil no uso do concreto armado,

E que deslumbrou o mundo nos meados do século XX,

Teve também obras em aço com conceitos e imagens próprias.

Estruturas metálicas estão presentes na construção de Brasília,

E a partir de então passa para nossa história recente em obras como

As de Niemeyer (10), Lúcio Costa (11), Sérgio Bernardes (12), Éolo Maia (13).

Contemporaneamente o aço ganha força em novas questões,

Num momento em que a Terra se preocupa mais do que nunca

Com sua saúde, futuro, sobrevivência e sustentabilidade,

A construção metálica aparece como alternativa coerente que

Facilita a leveza, o transporte, a desmontagem e a reciclagem.

As jazidas, parques siderúrgicos e uma recente tradição construtiva

Fazem do aço uma importante inspiração para a arquitetura nacional.

Novas experiências e autores notáveis surgem a cada dia

Revelando as múltiplas possibilidades e sistemas do material.

A obra de João Filgueiras Lima, o Lelé (14), é um ótimo exemplo

De como a tecnologia e a cultura brasileira podem dar à atualidade

Uma mostra de sua vitalidade, espírito criativo e ecológico.

O presente e o futuro são mais do que nunca um desafio

Nas diversas possibilidades que assinalam aos arquitetos

Através das responsabilidades que colocam em nossas mãos.

As obras apresentadas no livro Steel Life

São a parte metálica da nossa produção arquitetônica.

Em Minas Gerais o ferro que está nas montanhas,

A produção siderúrgica e o pensamento de diversos profissionais

Acabam por nos contaminar com esta poesia metálica

E gerar oportunidades de trabalho e reflexão.

Os projetos e obras aqui apresentados foram divididos

Em função das relações principais que têm com o aço e seu uso.

Então as EC ou Estruturas Completas são obras que adotam

O metal como elemento único e principal de sustentação

Resultando produto conceitual e esteticamente alinhado a esta opção.

As EH ou Estruturas Híbridas são os projetos que conjugam

A construção metálica à construção em alvenaria

Respondendo às demandas de cada setor dos edifícios.

Nestes casos os elementos em aço estão localizados

Onde as transparências e leveza são mais necessárias.

AC ou Aço Cidadão são as situações onde o aço

Gera situações comunitárias de integração e uso público

Participando como um dos agentes da dinâmica urbana

Ou como delineador do cenário de transformações sociais.

Os AA ou Aços Artísticos são os casos onde o material

Define um objeto, não necessariamente arquitetônico

Mas que participa como elemento escultórico e espacial

Que qualifica com surpresa e cultura determinado ambiente.

Estes projetos e obras respondem a diferentes demandas,

Vindas do cliente particular, podendo ser indivíduo ou empresa,

Ou então solicitações públicas onde uma administração urbana

Gera e contrata uma situação projetual à qual respondemos.

Existem ainda os concursos de arquitetura e pesquisas acadêmicas

Que são situações voluntárias em que nos envolvemos

E podemos investigar elementos ainda não experimentados.

E existem ainda as situações de trabalho em que nos lançamos

Sem nenhuma demanda ou necessidade, pelo prazer de fazer,

Ou pelo amplo significado do ofício que é a Arquitetura,

Ou para simplesmente mantermos acesa a chama

Até que apareça um novo problema que ajudaremos a resolver.

Agora no século XXI, nesta nova etapa da Era do Aço

Num paralelo entre arte e construção de um novo tempo

Devemos recusar a Natureza Morta, ou Still Life

E com este material da contemporaneidade buscar a vida

Nas experiências e trabalhos em curso desta Steel Life.

Texto de apresentação do livro Steel Life: arquiteturas em aço, de João Diniz

Editora JJCarol, São Paulo 2010

Thinking about a metallic age, by João Diniz

The timeline, the human eras

Are told by iron and stone voices

The Greek word metal means searching, prospecting

Sounding millenniums of conquests, discoveries.

In the nature, gold, silver, platinum, mercury and copper are pure

The others were rusty mysteries at first

Such as bauxite and hematite that are refined into aluminum and iron.

In the fires of 10000 years, tin and lead

Were soft metals that announced the Copper Age

The first of the metal ages that followed the Neolithic.

In 6000 BC ovens, copper tools and weapons emerge

And the idea of metallurgy, in Persia, Turkey, Mesopotamia.

Copper plus tin open up the Bronze Age in 2000 BC

Armors, spears, fights, Odyssey, Iliad and warriors.

The two metals make history, but in 1500 BC they are scarce.

There comes the Iron Age, a new stage, the second millennium.

High temperature hematite and pyrite make iron

Coming not only from meteors, it crosses the Middle Age to

The Gothic era, the Renaissance in the forges of monks and artisans.

Iron combined with carbon in low percentages turns into Steel.

And from the pig iron, smelting iron ore with coke and limestone

In a blast furnace, in 1855 we started in England

To produce steel in large scale, there comes the Steel Age,

The age we all live in.

In the times of mid-19th century, the world was really changing.

Machines, stations, industries, railways, engines, workers

Reinvented the history where iron is the primary agent.

Engines and fossil fuels are now used in large scale,

Ancient regenerative cycles of nature are broken

Life is transformed by an endless progress vision.

The new construction logic of the economy of means

Seems to resume the Gothic era (1) and emphasizes structural geometry.

The new optimism, fascination and amazement were displayed

In world’s fairs, factories, bridges and railway stations

Building new metropolises, New York, London, Berlin

And symbolic works, Crystal Palace (2), Eiffel Tower (3), Brooklyn Bridge (4),

Echoed in the odes of Manhattan, Mayakovski and Lorca

Reflected in the Parisian experiences by the philosopher Benjamin.

Times of changes arriving resolute to the 20th century

And invented the modern architecture by eliminating excesses,

Seeking essences, the machine house, the new spirit.

The dogma of Less is More by Mies van der Rohe (5)

From a cultural perspective of construction industrialization,

And in the works by Buckminster Fuller (6) in the search for lightness

And nature lessons that inspire the human ingenuity.

Legacies that have been construed and translated ever since

By architects and builders from all over the world

In Brazil, many traditional works were already in free structure:

The Xingu Indian hut (7), primitive wattle and daub cottages,

Metal sheet houses in the Amazon, the colonial architecture (8).

We also had our first cast iron stations (9),

Railroads, industries, theaters, large spans, bridges…

The Brazilian modern architecture, skilful in the use of reinforced concrete,

And that amazed the world in the mid-20th century,

Also had works in steel, with own concepts and images.

Steel structures are in the buildings of Brasília,

And then became a part of our recent history in works by

Niemeyer (10), Lúcio Costa (11), Sérgio Bernardes (12), Éolo Maia (13).

At the same time steel is strengthened in new issues,

In a moment that the Earth is more concerned than ever

About its health, future, survival, sustainability,

Metal works emerge as a consistent alternative for

Lightness, transportation, disassembly and recycling.

Iron ores, steel & iron plants, and a recent constructive tradition

Make steel an important inspiration for the national architecture.

New experiences and distinguished authors emerge every day

Disclosing multiple possibilities and systems for the material.

Works by João Filgueiras Lima, nicknamed Lelé (14), are good examples

Of how technology and the Brazilian culture can demonstrate

Our times their vitality, creative and ecological spirit.

Present and future are challenging more than ever

In the many alternatives that are posed to architects

Through the responsibilities that are now in our hands.

The works presented in the book Steel Life

Are the metallic portions of our architectural production.

In Minas Gerais, iron is in the mountains,

The steel production and the thoughts by many professionals

Contaminate us with such a metallic poem

And generate job and reflection opportunities.

The projects and buildings presented here are organized

By their main relations with steel and its use.

Therefore EC or Complete Structures are works that adopt

The metal as single and main supporting element

Resulting as a conceptual product aesthetically aligned to the option.

EH or Hybrid Structures are projects joining together

Metal construction and masonry construction

Responding to demands from each side of the buildings.

In those cases, steel elements are placed

Where transparency and lightness are most required.

AC or Citizen Steel refers to situations where steel

Generates community instances of integration and public use

Participating as an agent of urban dynamics

Or a delineator of the scenario and social transformations.

AA or Artistic Steel refers to cases where the material

Defines an object, not necessarily architectural

But participating as a sculptural or spatial element

Qualifying with surprise and culture a given environment.

Such projects and buildings respond to different demands,

Coming from specific clients, individual or corporate,

Or from public requirements where an urban administration

Generates and hires for a project situation we have to address.

There are also architectural contests and academic researches

Situations in which we are voluntarily involved

And we can investigate elements never tried before.

And, last, there are working situations that we embrace

With no specific demand or need, for the joy of doing it,

Or for the wide significance of the craft that is Architecture,

Or just to keep the flame burning up to the

Moment when a new problem is imposed for us to solve.

Now in the 21st century, that new stage of the Steel Age

In a parallel between art and the construction of a new time

We should refuse the Still Life

And with this material of our time search for living life

In the experiences and works in progress in our Steel Life.

Introduction text by João Diniz for his book Steel Life: metallic architecture

Editora JJCarol, São Paulo, 2010