Arquivo para janeiro \29\-03:00 2010

TRANSVERSALIDADES CONVERGENTES

TRANSVERSALIDADES CONVERGENTES

Reflexões sobre um fazer arquitetônico expandido

João Diniz, arquiteto MSc

texto publicado com ilustrações na página 38 do ‘Bloco 6’ edição anual da Feevale em 2010, veja em: http://www.feevale.br/files/documentos/pdf/40637.pdf

1. Aproximações globais

Coexistir é estar com o outro no mundo

e para que haja uma consciência individual do ser

é necessária, paralelamente, a compreensão do próximo

assim o homem nunca está sozinho no seu tempo e espaço.

No ‘cogito ergo sum’ o ser pensante garante sua existência

como sujeito lógico e isolado, célula da vida social.

Na co-existência a unidade inventa o grupo e o dialogo

a confrontação, a tolerância, a polêmica, a convergência,

nascendo aí a diversidade, a diferença ou dessemelhança.

A diversidade pode negar a identidade mas também

ampliá-la e agrupá-la ao propor o convívio das partes.

É diverso o que não pode ser substituído, o que soma,

em manutenção coletiva de predicados próprios.

O Renascimento cultural entre os séculos XIV e XVI

aparece como berço do homem novo em espírito,

mais próximo de Deus e renovado em seu intelecto e moral.

Nesta época a civilização retoma seus valores ideais e clássicos,

resgatando uma fase de excelências e pluralidades,

reinventando o homem diverso em sua visão de mundo,

interconectando humanismo, religião, filosofia, natureza

e também sociedade, instituições, estado, política e arte.

Quinhentos anos depois impõe-se um novo desafio:

a transformação rápida dos valores vigentes em modernos

através da Revolução Industrial, das Guerras Mundiais,

da nova geopolítica, e da invenção da comunicação global,

dados novos que convergem para a revisão de valores e procedimentos.

Fica indicado que numa nova consciência universal

não poderá existir o progresso a qualquer custo, a natureza infinda,

a dominação social, o elogio à ganância e à ambição cega,

as fronteiras protecionistas e defensivas, as lideranças impostas.

Apesar das tecnologias de ponta o equilíbrio primitivo se faz vital,

o inimigo não é mais um exército estrangeiro agressor

mas as ações próprias baseadas no imediatismo e intolerância,

de uma visão unilateral de mundo, reversa ao ser global.

Os valores e perigos novos são agora planetários:

o aquecimento climático, os choques continentais de crenças,

as redes digitais e virtuais, as grandes migrações espontâneas,

a explosão das metrópoles, os impactos econômicos à distancia,

os remotos créditos ambientais, a cultura dos juros abstratos.

Neste século XXI a polarização política direita-esquerda

não mais define os programas mundiais ordenadores.

Agora mais vale a capacidade de sobrevivência sustentável do planeta,

a durabilidade física e conceitual das ações em andamento,

o incentivo às diversidades pacificadoras e aos novos diálogos.

Os anos 2000 impõem um novo renascimento internacional,

baseado na coexistência orgânica entre sociedades e seus espaços.

2. Arquitetura como ferramenta

A cidade é comum, união de substancias simultâneas,

cenário da diversidade, da contradição e do encontro,

palco de comportamentos vinculados, em abraços e choques.

A arquitetura é o sistema que reúne conhecimentos múltiplos

sob uma única idéia, subordinando os meios ao fim,

e crescendo de dentro para fora como organismo vivo.

Então a reunião das disciplinas do fazer arquitetônico

define a coexistência de princípios diversos e comuns,

unindo inteligência e pratica, construção e operação.

O ensino da arquitetura antecipa esta interdisciplinaridade

historias, tecnologias, representações, o edifício e a cidade

são a matéria prima do pensar e do fazer acadêmico.

As escolas tentam  simular a vida e a pratica profissional

de um oficio em constante transformação, tão rápidas

que a maioria dos currículos não acompanha se mantendo

como conservatório de um fazer imaginado e teórico,

vendendo mitos ou apenas respondendo às expectativas

de um ensino que pode ser mercado, de um saber que é poder.

Ilusões são lecionadas num entendimento arquitetônico limitado

como a lenda do arquiteto artista, o distanciamento da tecnologia,

a academicização da profissão, a negação do pragmatismo,

a hiper-valorização dos internacionalismos e das vaidades,

os apenas-teóricos se arvorando em doutrinadores de práticas,

a oposição entre teoria e ação, o endeusamento das ciências sociais,

a pregação das modas, o precoce sepultamento do passado recente,

e diversos outros desvios recorrentes, que conscientes ou não,

ocorrem a professores e estudantes ao longo da formação.

Por outro lado ações transformadoras podem recriar o novo arquiteto,

e fazê-lo aberto às desigualdades sociais e ambientais em níveis

locais, regionais e planetários numa perspectiva ecológica e política;

às maneiras não ortodoxas e inovadoras do exercício profissional,

às disciplinas que se agregam a cada dia a este fazer mutante,

ao entendimento que as revoluções iniciam sempre na própria pessoa,

à avaliação critica das praticas midiáticas incontestadas,

à possibilidade do arquiteto invisível e quase ‘descalço’ em contraposição

ao mercado do charme e do glamour e das imagens falsas,

das linguagens complementares que fazem dos sentidos e da intuição

ferramentas de experimentação onde a imaginação é incentivada…

Estas são sugestões utópicas já praticadas em algumas escolas

mais avançadas, ou sonhadas, planejadas, fracassadas ou por existir.

A experiência pessoal sempre acontece num território de constatações

práticas e teóricas e nos leva a um espaço de contradições varias,

de erros e acertos, de avaliações e tentativas num universo

existente e possível, real e incompleto, povoado de sonhos e frustrações.

Então como professor novo convidado por uma escola em formação,

a partir de minha pratica profissional como realizador de projetos,

me vi envolvido na Universidade Fumec em Belo Horizonte

lecionando em disciplinas de projetação edilícia fazendo da experiência,

a minha bibliografia de própria e ponto de partida para ensinar e ouvir.

Posteriormente identifiquei as carências deste alvo acadêmico

Preferencialmente focado no objeto arquitetônico e na beleza do edifício,

e me ocorreu a criação de uma disciplina inter-conceitual

onde coubesse todos os tipos de interesses satélites ao entender

do mundo e da vida através da arquitetura, construindo conexões

com os outros saberes e práticas, conexões inéditas e até forçadas,

que tentariam encontrar na transversalidade e na subjetividade,

novos estímulos que quebrassem o panorama escolar vigente composto

muitas vezes por alunos sonolentos e professores arrogantes.

Propus então a transArquitetura, disciplina curricular eletiva,

mas antes disso maneira própria e nova de abordar a nossa

profissão mutante e hibrida que apesar de muitíssimo antiga

merece sempre ser explicada, pois parece que ao longo dos tempos,

as comunidades não sabem ainda objetivamente o que é o Arquiteto,

o que pode fazer e até onde pode chegar sua função social.

Constatei que o termo transArquitetura já existia internacionalmente,

mas em praticas de arquiteturas virtuais e realidades informatizadas.

No nosso caso  a nova disciplina acontece numa abordagem orgânica,

focada no individuo e em sua relação com si mesmo e com os grupos,

onde os possíveis cinco ou mais sentidos humanos são a partida

para o dialogo com outras profissões e saberes numa perspectiva

inicialmente cultural e artística mas que se expandindo aos universos

da saúde, da espiritualidade, da consciência política e ambiental,

da inclusão social, da experimentação de linguagens diversas,

e lógica e objetivamente do fazer arquitetônico quiçá embasado

por todo este arcabouço de viagens objetivas ou não.

O ‘espírito Trans’ aparece então como coexistência de conhecimentos,

aparentemente diversos, desconectados até então,

mas imantados na reflexão conjunta e na experimentação.

Objetivamente a matéria funciona eventualmente na oferta curricular

da universidade, ou em oficinas temporárias e itinerantes,

mas antes disso é importante como maneira de pensar a profissão

numa perspectiva própria inventando o transArquiteto,

um talvez não-especialista, ou sábio doutor desta (in)disciplina.

3. Avenidas pessoais

Como já dito o caminho para este pretendido trans-profissional

se indicou a mim através da caminhada pragmática tendo como sede

o trivial escritório de arquitetura, anti-instituição independente,

território de livres relações com o mercado, com as conexões possíveis

com as realizações in-completas e suas limitações, com colegas e amigos,

e até com os universos acadêmicos, embora nos primeiros momentos,

existisse um afastamento consciente das reflexões unicamente teóricas,

na busca de uma pratica materializada em construções e em seu

dialogo com os contextos, usuários e a possibilidade do fazer imediato.

A academia informal da cultura no começo dos anos 1990 em BH

em muito contribuiu para o levantamento de questões e metas.

Este foi, e é, um universo pragmático onde debates acontecem nas casas,

nos bares, nos eventos artísticos e nas viagens com os colegas

Éolo Maia, Veveco Hardy, Sylvio de Podestá, Cid Horta, Mariza Coelho,

Jô Vasconcellos, José Ferolla, Joel Camplina e outros.

Estes diálogos freqüentemente colocavam a arquitetura em contato

com outros movimentos artísticos emergentes em Belo Horizonte:

musica, dança, teatro, moda, literatura, design e editoras como as do

Grupo Corpo, Grupo Galpão, Uakti, Grupo Mineiro de Moda,

Revistas Vão Livre e Pampulha, AP Cultura, C/Arte Editora.

Fundado então em 1979, meu ultimo ano na graduação da UFMG

o escritório JDArq  passa a se dedicar a fazer arquitetura

e ao mesmo tempo, a travar o dialogo com estes estímulos locais.

Em nossa avaliação uma cidade em transformação constante

permitia que as novas obras trouxessem a marca da contemporaneidade

e que pudessem ser referencias nos contextos em que se inserissem

considerando sempre a relação entre passado, presente e futuro.

As relações não-institucionais do escritório passam pela independência

tanto em relação ao meio acadêmico quanto ao setor publico

focando um dialogo critico com o mercado imobiliário e o setor privado,

tentando demonstrar que estes segmentos que na maioria das vezes

são responsáveis pela degradação da paisagem urbana poderiam

ainda que pontualmente, gerar alguns produtos significativos.

Após períodos de peregrinações pessoais e estudos autodidatas

por todo o Brasil, America do Sul e diversos países da Europa,

onde a fotografia e as anotações ajudavam no entendimento

das paisagens urbanas, dos edifícios e das realidades sociais,

em 1989 o escritório se transforma em empresa e passa a produzir

e construir efetivamente projetos numa possível linguagem própria.

Os temas são os recorrentes neste fazer arquitetônico privado:

a residência unifamiliar, a habitação coletiva, o edifício comercial,

a pequena industria, o desenho urbano, o design e os interiores.

Desde esta época, entre vários projetos, destaco nesta produção

as residências Eugenia e Serrana (fig. 1 e 2), a industria E. Q. (fig.3),

o conjunto de habitação social Gameleira (fig. 4)

os edifícios Scala e Golden (fig. 5 e 6), a revitalização urbana da

Praça Sete de Setembro (fig. 7) no centro de Belo Horizonte.

Nestes trabalhos são recorrentes a busca por uma expressividade própria

relacionada aos contextos, programas e usuários a que estão relacionados,

e à questão construtiva, privilegiando as estruturas pré-fabricadas,

em concreto e metálicas principalmente numa possível relação entre

este método construtivo e a geografia e geologia de Minas Gerais.

Estes e outros trabalhos passam a merecer algum destaque

e são convidados para publicações, exposições, cursos e palestras

o que cria um caminho especifico novo para eventos em

universidades e instituições profissionais em diversas cidades,

culminando no convite para assumir cadeiras de projeto na Fumec em BH.

Esta nova e inovadora escola que era fundada na cidade queria nas disciplinas de projeto

os profissionais que produziam novas obras

mesmo não estando atuando no chamado universo acadêmico.

Aí entrei em 1999, junto com outros colegas mais experientes e notáveis,

neste belo território de estudantes, professores, pesquisas, titulações,

não isento das vaidades, lutas de poder, intrigas e (in)competências,

como qualquer outro setor de nossa sociedade produtiva.

4. Metas multi-direcionais

As atividades na Universidade Fumec transcorrem paralelamente

ao exercício profissional no escritório JDArq onde a reflexão

reforça a ação e vice-versa, numa via dupla de teoria e pratica,

que nunca devem estar afastadas ou opostas, uma constatação imediata.

A criação da (in)disciplina transArquitetura abriu o contato objetivo

e produtivo com profissionais de outras áreas em aulas e oficinas

onde diálogos e exercícios eram criados relacionando arquitetura

com saúde, filosofia, teatro, dança, musica, fotografia, cinema, design

e qualquer outra atividade onde exista ou possa ser criada uma conexão

que relacione o pensar arquitetônico a uma outra área do conhecimento.

Estas atividades induzem à criação do projeto multimídia Pterodata

que visa a produção efetiva de material ligado a estas interdisciplinaridades.

Pterodata, os files voadores, pretende gerar resultados palpáveis

a partir das capacidades dos colaboradores envolvidos na produção

de textos, sons, imagens, performances, cinema, web e vídeo arte,

lançando mão das tecnologias digitais ou não e das redes de comunicação.

O projeto foi inaugurado em 2001 com o lançamento dos CDs

Octopus e Pterodata que exploravam paisagens sonoras digitais,

Composições que aproximam a musica da matemática e da criação

de paisagens e ambientes, climas e percepções não materiais

que a partir da audição podem criar algum tipo de estimulo e provocar

o impulso criador em indivíduos não necessariamente músicos ou arquitetos.

Estes sons podem ser conhecidos e baixados gratuitamente em

http://www.lastfm.com.br/music/Pterodata

Em algumas oficinas foram propostos jogos de composição aliando

som e ambientes relacionando-os com tempo e espaço que geravam

proto-composições que pós-produzidas geraram fonogramas acabados.

Estas experimentações foram produzidas com programas digitais e

seqüenciadores sonoros e depois registradas em cd e/ou colocados na www.

A partir destas experiências iniciais o projeto se abre a colaboração de

outros músicos e artistas, passa a funcionar em oficinas de criação,

em aulas praticas, palestras sônicas, performances e comunicações virtuais.

Vários canais foram abertos nas redes sociais virtuais inaugurando

diálogos remotos com produtores diversos em diferentes cidades e países.

Estas ações unem principalmente a musica, o texto, a fotografia, o vídeo

na perspectiva da criação e interpretação de ambientes propondo uma

união que possa ser interpretada como uma arquitetura dos sentidos.

Pode-se ter uma idéia destas propostas multimídias na www em

http://www.youtube.com/profile?user=joaodiniz#p/p

As realizações do projeto Pterodata incluem sempre propostas iniciais

e material por mim produzidos interagindo com a ação de colaboradores.

Se destacam dentre estas produções interdisciplinares:

– A edição de 2002 do livro/monografia João Diniz Arquiteturas

da editora C/Arte que inclui junto à produção arquitetônica do autor

textos e imagens sobre a interação de fotografia, musica, desenho, literatura.

– A edição em 2007 do livro João Diniz/Depoimento da coleção

Circuito Atelier, da mesma editora voltada às artes visuais,

onde o autor reflete sobre o paralelismo entre as diversas artes

e sua arquitetura com longo texto e relatos pessoais.

Esta edição inclui o vídeo clipe dirigido por Alexandre Pires disponível em

http://www.youtube.com/watch?v=Y34L9M7KOVg&feature=related

– A minha palestra-sonora em Campo Grande em 2008, com a participação

do arquiteto e musico Gilfranco Alves, esta parceria resultou na composição

do fonograma ‘52st.’ onde os arquitetos propõem uma paisagem sonora

composta virtualmente e plena de sons, acontecimentos e surpresas.

– A exposição fotográfica ‘Roteiros Incompletos’ sobre o cinema

que gerou registro no curta metragem ‘Olhocinefoto’ dirigido por

Fábio Carvalho e editado por Isabel Lacerda  disponível em

http://www.youtube.com/watch?v=ODWHPFhe9qI

– O show/performance ‘Suítes Foz do Mundo’ em parceria com o

multi-instrumentista Daniel D’Olivier e outros músicos colaboradores

onde foram lançados os Cds ‘Foz’ e ‘Welt’ com os fonogramas/musicas

do Pterodata com diversas colaborações que podem ser conhecidas em:

http://www.myspace.com/204753427

– O lançamento do livro de fotografias ‘Polskantor’ sobre a Polônia

que inicia uma série de livros de viagens com observações fotográficas

e literárias sobre as edificações, os espaços públicos e as populações

em varias cidades do mundo, este livro pode ser visto e adquirido em

http://www.blurb.com/books/896308

– A criação do blog transArquiteturas com diversos textos e reflexões,

papers/palestras proferidas em diferentes épocas e locais, poesias,

material de mídia e links de aquisição de publicações acessado em

https://joaodiniz.wordpress.com/

5. Visadas interativas

Paralelamente a estes produtos o escritório JDArq continua em ação

Uma nova disciplina lecionada a ‘Arquitetura e Sustentabilidade Ambiental

resgata teoricamente temas que sempre foram abordados e importantes

em vários projetos realizados, gerando novas pesquisas e comunicações.

Em 2010 é lançado o livro ‘Steel Life, Arquiteturas em aço’ sobre a produção e reflexões

do autor sobre a construção metálica que pode ser adquirido em

http://store-colecaoportfoliobrasil.locasite.com.br/loja/produtos_info.php/products_id/91?PHPSESSID=5bbbb44f2c42cba6d217c4541559f9bb

Este livro aborda a produção arquitetônica frente a um mundo

cada vez mais carente de leveza e cuidados sociais e ambientais.

Desta nova produção do escritório destacam-se os projetos do Ginásio Querubins (fig. 8)

Pavilhão Alpha (fig. 9) de 2004 e 2007 e premiados pelo IAB-MG em 2008 e 2009

pela solução em construção metálica e pela significação enquanto obra de interesse social.

Também deste período destaca-se o projeto para o CIAAR (fig. 10)

Centro de Integração e Adaptação da Aeronáutica incluindo plano urbanístico

e 22 edifícios unindo vários sistemas construtivos, preocupações ambientais,

desenho urbano, paisagismo e criação de parque com espécies do serrado.

Neste momento de tomada de consciência de uma nova fase planetária

onde as redes de comunicação aproximam cada vez mais o mundo e

quase todos estão de acordo que as futuras ações, em todos os segmentos,

precisam estar cada vez mais cientes da responsabilidade frente

às questões ambientais e a durabilidade da vida e do futuro,

a arquitetura se faz cada vez mais necessária e importante.

É preciso que os envolvidos neste fazer saibam se transformar

e se adaptar a cada dia às novas demandas e questões insurgentes.

Uma arquitetura expandida, plena de interações e diversidades

certamente participará positivamente da coexistência e da tolerância

necessárias para um planeta em busca de paz e de igualdade.

João Diniz, agosto de 2010

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

ABAGNO, Nocola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

DINIZ, João Antônio Valle. Estruturas Geodésicas: estudos retrospectivos e proposta para um espaço de educação ambiental. Dissertação (Mestrado) – Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, 2006. Orientador: Ernani Carlos de Araújo

DINIZ, João; BRANDÃO, Carlos Antônio. Com vidro nos olhos. Textos de Carlos Antônio Brandão e fotografias de João Diniz. Belo Horizonte: Universitas/DCE UFMG, [s.d.].

DINIZ, João; PODESTÁ, Sylvio de. Desenho de arquiteto. Belo Horizonte: AP Cultural, 1997.

DINIZ, João; SEGRE Roberto. João Diniz arquiteturas. Belo Horizonte: C/Arte; AP Cultural, 2002.

DINIZ, João; João Diniz depoimento na coleção Circuito Atelier. Belo Horizonte: C/Arte; 2007.

DINIZ, João. Steel Life, Arquiteturas em Aço / Metallic Architectures. São Paulo: Editora JJCarol, 2010.

SEGRE, Roberto. Arquitetura Brasileira Contemporânea / Contemporary Brazilian Architecture. Apresentação de Oscar Niemeyer. Petrópolis: Viana & Mosley, 2003. p. 170-171.

SEGRE, Roberto. Casas Brasileiras / Brazilian Houses. Rio de Janeiro: Viana & Mosley, 2006. p. 44-47.

Green links

http://www.livegreenblog.com/sustainable-architecture/

http://www.waterkeeper.org/

http://EngagingCities.com

http://www.ecobuilding.com.br

http://www.inhabitat.com

http://www.eco-structure.com/

http://ecohabitararquitetura.com.br/blog

http://www.construcaoeficiente.com.br

http://sustainablecitiescollective.com

http://www.sbcanada.org

http://greenparkingcouncil.org

http://architectureforhumanity.org

http://webpartner.com/SmartCities

 

C/ Arte

BREF RECIT DE PLUSIEURS VIES, joão diniz

BREF RECIT DE PLUSIEURS VIES

João Diniz, architecte brésilien, texte de présentation de l’expo collective Font Romeu, France, juillet 2009

the poster for the expo

En 1500 les côtes vierges de l’Amérique du Sud

Ont été découvertes par les navigateurs portugais

Qui ont fondé le pays qui sera connu comme étant le Brésil

Le décor vierge des natifs dociles et de nature puissante

A enchanté les colonisateurs avec ses richesses et ses surprises.

Jusqu’aux années 1700 la colonisation a eu lieu au littoral

Les premières villes et une économie atlantique sont nées

Fondées sur l’extraction et l’échange avec l’Europe.

À cette date la découverte d’or à l’intérieur du continent

Repositionne les intérêts commerciaux et sociaux,

La province méridionale du Minas Gerais jaillie des fortunes.

On occupe la province et plusieurs villes surgissent avec leurs

Places, palais, de grandes maisons, des églises, des sculptures, symphonies…

L’artiste métis Aleijadinho se détache parmi plusieurs qui

Reflètent la force matérielle dans cette première manifestation

De la réelle civilisation brésilienne : multiple, contradictoire et stridente.

De l’or naissent les nouvelles métropoles de la nation émergente:

Mariana, Sabará, Diamantina, São João Del Rey et Ouro Preto

La première capitale, où en 1792 le lieutenant Tiradentes est au commandement de

L’important mouvement littéraire qui évolue jusqu’en 1822 l’année de

L’indépendance du Brésil, lors de laquelle nait une nation et ses défis.

À partir de cela l’or se déplie en d’autres économies:

Le troupeau, l’agriculture, la sidérurgie, les industries, sont les nouvelles sources

Qui redessinent l’état qui en 1897 fonde sa capitale.

Belo Horizonte ville positivement et orthogonalement aménagée,

L’équipe coordonnée par Aarão Reis projette la ville du futur

Raison géométrique sur une géographie sensuelle.

La ville grandi et devient un important centre économique national

Et aussi politique, intellectuel, culturel où la géographie montagnarde

Suggère le caractère de la population et de ses attitudes dans un mélange de

Prudence, révolte, attention, profondeur, discrétion et rêve.

Dans les années 1940 le maire Juscelino Kubitschek convoque

Le jeune architecte Oscar Niemeyer afin de créer l’ensemble de la Pampulha

Un repère historique où nait l’Architecture Moderne Brésilienne

Reflet d’un pays jeune à la quête de sa propre culture,

Une large génération de penseurs et créateurs ouvre le dialogue

Avec leurs origines radicales et un large monde environnant.

Dans les années 1970 viennent de BH les premières révisions modernistes.

Une nouvelle avant-garde consciente et respectueuse des pas précédents

Recherche de nouvelles valeurs dans une nouvelle architecture en même temps,

Moderne et populaire, cohérente et symbolique, universelle et régionale,

Technologiquement viable, environnementalement correcte et expressive.

Éolo Maia, Veveco Hardy et Cid Horta sont des nom clés

Dans ce positionnement connu comme post-Brasília

À sa façon fidèle à une tradition de contemporéaneté et de risque.

Dans ce scénario je suis né, j’ai grandi et je me suis fait architecte dans les années 1980, époque de

L’autoritarisme politique, des découvertes mythiques, des incursions multimédias,

Des voyages initiatiques, des tempêtes économiques et des revendications personnelles.

Les œuvres présentées dans cette exposition résultent de ces réflexions et des

Chocs entre l’envie de faire et ses limitations, entre la quête

D’un langage propre et le spécifique de chaque situation, entre la

Rigueur technologique et l’improviste de demandes mutantes, entre

L’environnement durable et l’urgence des besoins, entre

La possibilité des moments et une quête de l’intemporalité, entre

Un accent régional et la langue universelle d’un monde interconnecté.

La pratique quotidienne dans mon bureau, entreprise chaque fois plus petite et plus agile

Réunie l’approche projetable de différents thèmes architectoniques à une

Activité académique qui rend plus facile la réflexion théorique et les nouvelles rencontres.

Un intérêt multidisciplinaire lie cette architecture à des expériences avec

La musique, la littérature, la photographie, la sculpture, le dessin, la vidéo et des spiritualités.

La critique politique, le non-conformisme social, la solidarité et l’humour

Sont aussi des outils pour que l’on puisse suivre le chemin

Peut-être même en contribuant à la construction de la santé et de la beauté de la planète.

João Diniz, architecte MSc Belo Horizonte, Brésil Avril 2009

BRIEF REPORT OF MANY LIVES, joão diniz

BRIEF REPORT OF MANY LIVES

text for the group exhibition in Font Romeu, France where João Diniz presented his work

In the year 1500 the virgin shores of South America

Were discovered by Portuguese navigators

Who founded the country later known as Brazil.

The pristine scenery of gentle natives and awesome nature

Delighted the colonizers with opulence and surprises.

By the 1700’s colonization was limited to the coastline,

The first cities were born as well as an Atlantic economy

Based on extraction and interchange with Europe.

At the time the discovery of gold in the continent’s inland

Repositions commercial and social interests,

The southern province of Minas Gerais outpours wealth.

The countryside is populated and cities emerge with their

Plazas, palaces, villages, churches, sculptures, symphonies…

The mestizo artist Aleijadinho is distinguished among many

Who reflect the material opulence of this first manifestation

Of the real Brazilian civilization: multiple, contradictory and strident.

From the gold come to light the first metropolises of the emerging nation:

Mariana, Sabará, Diamantina, São João Del Rey and Ouro Preto

The first capital, where in 1792 lieutenant Tiradentes conducts

The important movement for freedom that evolves up to 1822 with the

Independence of Brazil, a nation is born with its challenges.

From there gold unfolds into other economies:

Cattle, agriculture, steel & iron, industries, are new sources

That redesign the state in which a new capital is founded in 1897.

Belo Horizonte, a city positively and orthogonally planned,

A team coordinated by Aarão Reis plans for the city of the future

Geometrical reason over sensual geography, the 20th century is born.

The city grows to become an important national economic center

And also political, intellectual, cultural, where the hilly geography

Suggests the character of the population and attitudes in a mix of

Prudence, obstinacy, attention, deepness, discretion and dream.

In the 1940’s mayor Juscelino Kubitschek commissions

The young architect Oscar Niemeyer to create Pampulha

A landmark where the Brazilian Modern Architecture is born

Reflecting a young country searching for its own culture,

A large generation of thinkers and creators opens up the dialogue

With their radical origins and the wide world around.

In the 1970’s BH stages the first modernist reviews.

A new avant-garde, conscious and respectful for the previous steps,

Searches for new values into a new architecture simultaneously

Modern and popular, consistent and symbolic, universal and regional,

Technologically viable, environmentally correct and expressive.

Éolo Maia, Veveco Hardy and Cid Horta are key names

In this positioning known as post-Brasilia In a loyal manner to a tradition of contemporariness and risk.

In that scenario I was born, grew up and became an architect in the 1980’s

Times of political authoritarianism, mystical discoveries, multimedia incursions,

First trips, economic turmoil and personal reinventions.

The works presented in this exhibition result from such reflections and

Conflicts between the will to make and its limitations, between the search for

An own language and the specificity of each situation, between the

Technological precision and the improvisation of mutant demands, between

The environmentally sustainable and the urgency of needs, between the

Possibility of moments and the search for timelessness, between a

Regional accent and the universal language of an interconnected world.

The daily practice at my office, an increasingly smaller and adroit company,

Gathers the project approach of different architectural topics to an academic activity

which facilitates the theoretical reflection and new encounters.

A multidisciplinary interest connects this architecture to experiments in

Music, literature, photography, sculpture, drawing, video and spiritualities.

The political criticism, social non-conformism, solidarity and humor

Are also tools used for us to follow our way

Maybe contributing to add both health and beauty to the planet.

João Diniz, architect MSc Belo Horizonte, Brazil April 2009

Cultural Frontiers in Brazil: Tradition and Modernity in Sacred Places

Cultural Frontiers in Brazil: Tradition and Modernity in Sacred Places

Text presented with lecture at the II International Conference ‘Architectures of Local Cultures of the Borderlands: Architecture of Worship and Memorial Places in the Dialogue of Nations and Religions’ organized by the UIA/International Union of Architects: UIA Work Program ‘Spiritual Places’ in Bialystok (Poland) and Vilnius (Lituany) 02-03/october/2009

João Diniz, engineer/architect from the Architecture College, Minas Gerais Federal University (UFMG), in Belo Horizonte, 1980. Master of Arts in Civil Engineering specializing in Metal Construction from the Ouro Preto Federal University (UFOP), 2006. Since 1999, Assistant Professor at FUMEC University, Minas Gerais Foundation for Education and Culture. Since 1989, President/Director, João Diniz Arquitetura Ltda, in projects for Architecture, Town Planning and Design.

Painting ‘First Mass in Brazil’ by Vitor Meirelles dated 1860 (fig. 1)

is an important record for the study of Sacred Spaces in the country.

It is a scene of 1500 which portraits the arrival

and the discovery of Brazilian lands by Portuguese sailors.

The image features the major agents of the history of faith in the country that was just re-born uniting the simple, millenary indigenous culture

to the European Christian faith plenty of past and authority.

The nature is there as a primitive and eternal scenario,

synthesis of the American adventure and cradle to future transformations.

Priests venerate their cross regardless of the astonishment of the natives

who in their apparent naivety cannot foresee their gloomy fate.

The union of trees, sea and virgin lands

with the landscape there constructed by the geometrical cross would

become the synthesis of colonization and businesses in the ‘new world’,

the seriousness and heavy costumes of the newly-arrived visitors

in contrast to the well-adapted nudity and new fear of the indigenous.

The venue of the First Mass is now epicenter to a tourism complex,

and the symbolic cross is frequently reconstructed to mark the place.

The Porto Seguro region in the state of Bahia with beautiful beaches

welcomes visitors from Brazil and abroad every year,

the uprising of luxury hotels and airports stimulates the economy,

indigenous are still there, duly acculturated

in their garments and attitudes, and try, after five centuries, to participate

in the country’s society and economy, but in the end they are the image

of misunderstanding and poverty, survive on craftsmanship

and a subsistence culture, they are just like distant souvenirs

of a developing nation, which look at them carelessly.

On the other hand, the first Christian churches and marks of colonization

are kept in the venue and serve as stage to increasing recognition

of the history and formation of the Brazilian civilization where faith is blended

with entertainment businesses and photographs of visitors on vacation.

But part of the pre-European faith survives in the unconscious up to now.

A Brazilian pan-religious faith shall always consider Nature

and its importance in defining a national soul, on the one side

with its calendar of worship and celebration, makes its prayers

for the strength, energy and upkeep of our primeval scenarios:

such as the Amazon Rainforest with its planetary importance,

the human drama of the backwoods with all hidden possibilities,

the paradisiacal gorgeousness of beaches, the mythical silence of hills,

the biodiversity of Pantanal, the lowlands in Brazil’s center-western region,

the Atlantic Forest struggling to survive in the mercantile southeastern region,

pampas and canyons in the Spanish-like south where Brazil is more Latin.

The fight for the spirit elevated in prayer, in the 21st century will assume

a political positioning for preservation of natural resources and landscapes.

An eco-faith which is born anew, propelled by winds of the past,

pre-historical, primitive, ecumenical, futurist, an active creed which believes

that the sacred spaces are those which allow for the durableness of life.

This way, it is interesting to notice that Brazilian indigenous peoples

did not use to build sacred spaces intended only for worship.

They celebrated their faith and rites in their daily spaces (fig. 2),

open air, at the center of villages, in the multivalent ambience of their huts,

in the purifying waters of rivers, under the stars at night, dancing and singing,

along the rhythms of feet, flutes and drums which echo on the dust.

For them the existence of faith and belief in the higher spirit

does not have necessarily to do with the existence of a specific place.

The religious space is both inexistent and omnipresent.

This Indigenous-Christian polarization in the formation of the Brazilian spirit

starts receiving a new, powerful force with the arrival of negroes.

Slavery with its trafficking flows put in Brazil a large

amount of Africans from mid-16th century

who became an inseparable part of our history.

Slaves were brought to work in agriculture

but they influenced multiple aspects of the national culture such as

dance, music, cuisine, craftsmanship, language and religion.

There were two main routes from Africa to Brazil:

Nagos and Yorubas left Benin and Nigeria

to arrive in Bahia, northeastern Brazil,

and Bantos who left the surroundings of Congo and Angola

and arrived in more southeastern regions and then to the countryside.

These populations that used to be far away in Africa

become now a part of the Brazilian population,

although slavery and maltreatment considered them inferior beings.

From the standpoint of faith, celebration and sacred spaces,

such two major vectors coming from African origin

produced different influences in the Brazilian culture.

Bantos since then promote their faith

in celebrations known as Congado in the streets

with a positive impact of the faith in the urban spaces.

Congado celebrations symbolically enthroned Negro Kings

in Christian communities which, from the 18th century,

allowed the presence of slaves in parochial brotherhoods.

It is an event that makes sacred the open spaces in the city

as a place for worship with the accompaniment of music and dance (fig. 3)

that tell stories that refer to an Afro-Christian past

such as the life of Saint Benedict, Our Lady of the Rosary

and the fights of Charlemagne against Moor invasions.

On the other hand, Nagos and Yorubas celebrate their faith in a different way.

The worship generically known as Candomble

is celebrated in specific venues, quite simple but closed

known as Yards where god Olorum is worshipped

and sixteen Orixas in a kind of sacred pantheon.

At first, Candomble was forbidden by colonizers,

leading negroes to create a parallel between Orixas

and the saints of the official Catholic religion in a syncretism of continents.

This way, Yemaja, the African goddess of seductive rivers and oceans

is Our Lady of Conception in her maternity and acceptance.

Or Oya, goddess of transforming lightings, hurricanes and tornadoes,

is Saint Barbara, who protects the believers against natural disasters.

Shango, the black god of thunder, order and justice corresponds to

Saint Jerome, translator of the Bible to Hebrew and Latin, or

Saint John, who professed unity and peace by faith and baptized Jesus,

for the Christians the most genuine divine manifestation, is associated to

Obatala, divinity creator of humankind and the spiritual and material culture.

Other orishas are Yewa, goddess of forests, stars and lagoons;

Eshu, the transforming power who dominates sex and magic;

Ibeji, who rules birth, childhood and development;

Iroko, who dominates weather, climate, life and death;

Logun Ede, goddess of richness, abundance and beauty;

Nana Buluku, goddess of health, fate, mysteries and cycles;

Oba is the goddess of love, passion and professional success;

Ogoum means war, progress and achievements;

Omolu is linked to illnesses, earth and eruptions;

Osanyin rules the medicine, plants, cure, and remedies;

Obatala represents the procreating male power, the conception;

Oxossi is the god of hunt, agriculture, nutrition and wealth;

Oshum is the goddess of love, richness, maternity and fertility;

Oxumare, god of constant movement, transformation, long life;

Shango rules the state power, justice, judicial matters.

The celebration of African originating rites happens in spaces

of noteworthy and intentional simplicity with a celebration which is rich

in music and dance leading to a mythical ecstasy and is organized

in a circular shape where leading participants represent

Orishas around the main master, or Father of Saint (fig. 4),

of the instrumentalists or Ogans and participants of the local community.

Candomble originated Umbanda, a religion created in Brazil

which cultivates Orishas and blends aspects of Christianity and Spiritualism introducing three new spirits: the Old Black Man, Caboclo and Pomba Gira.

Such a collection of deities and cosmologic concepts is part of the richness that Africa brought to the American continent, and especially in Brazil, in an amalgam of races and creeds which help mould a new civilization.

Golden Cycle in the beginning of the 18th century proposes a new occupation

of the countryside, generating new wealth-producing poles.

Especially the state of Minas Gerais with the newly founded cities of

Ouro Preto (fig. 5), Mariana, Sabará, Serro, Diamantina and others,

representing a new economic and social focus for the nation.

We would say that this moment is a new manifestation of

a genuine national culture where, due to the distance to the coastline and

to the European metropolis, several colonizing procedures

had to be reinvented giving birth to a number of artistic manifestations

in architecture and town planning, sculpture, painting, music and literature.

The religious spirit, connected to a regional interpretation of baroque,

led, especially in the construction of new churches, to an

unprecedented landscape where geography and construction interact.

Two aspects define this image of the city: isolated monuments and

continuous lines of houses which recall Berber-Lusitanian street-cities.

Baroque, with no borders worldwide, has an own image there.

Churches are major monuments of Minas Gerais baroque cities,

most of the times appearing in mountain tops to complete the

hilly landscape with built volumes consisting of

white walls, ceramic roofs, bell towers which introduce the

rational constructivist geometry, and sounds, in the sensual, organic nature.

Minas Gerais Baroque is the name of this regional variation of the global style,

originating a truly urban society with its own image

where stone progressively replaces mud, and especially in the churches

a typical blend of curves, straight lines and planes is noticed in interiors;

presenting an ample central, symmetrical gateway sculpted in soapstone,

deriving elements such as pillars, columns, entablatures and pediments.

In these entablatures the dynamism and textures of the composition oppose

to the plain aspect of the lime-painted white masonry walls.

In the floor plan, these baroque churches deviate from traditional rectangle, adopting polygons and ovals where cylindrical campaniles stand out

from the church’s nave, featuring a semi-spherical pinnacle at the top.

These characteristics are quite visible in the churches, but even more

in the Church of Saint Francis of Assisi (fig. 6) and Rosary of the Black Men, with a floor plan consisting of three successive ellipses and circular facade,

a gallery of three arches and with original circular front towers.

The movement unveils local masters where artists in their isolation

were not stuck to a single aesthetic style and presented solutions which were

rich in diversity and eclecticism, disconnected from erudite models.

Antonio Francisco Lisboa, nicknamed Aleijadinho, stands out in the list,

a son to a known foreman and a black slave woman, he learned with his father and other local artists and from European pictures he could see,

and starts as a sculptor engraving in soapstone and reaches architecture.

His twelve prophets in Congonhas do Campo are widely known as well as

the 66 via sacra statues in the Sanctuary of  Bom Jesus de Matosinhos.

His works are featured in a number of cities in Minas Gerais such as

Tiradentes, Mariana, Ouro Preto, Sabará, São João Del Rey, Nova Lima in

gateways, images, altars, altarpieces, fountains and architectural projects.

Another name in highlight is Manuel da Costa Ataíde, or Master Ataíde,

a painter and engraver with large influence and a number of followers in his

paintings in church ceilings where he mastered colors and perspective.

Other distinguished artists are Antonio Pereira de Sousa Calheiros, architect

of above mentioned Church of Rosary of the Black Men (fig. 7) in Ouro Preto,

Jerônimo Felix Teixeira, who planned for the church facade in the Sanctuary of Congonhas do Campo; Manuel Francisco Lisboa and Francisco de Lima Cerqueira, who designed the Church of Carmo in Ouro Preto, among others.

But, out of all stages of this more than five-century-long history,

The modern era, from the end of the first half of the 20th century,

is the best indication of the character and desires of the Brazilian nation.

At the end of the 1930’s a number of politicians and academics made an effort

to place the modernist culture in the order of the day.

The first great gesture was the construction in Rio de Janeiro in 1937

of the building to house the Ministry of Education and Health

designed by a group of modernist architects

such as Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcelos

Jorge Machado Moreira and Oscar Niemeyer, led by

Lucio Costa and advised by Le Corbusier,

who visited the place and determined some premises for the project.

But the most important politician for the transformation

of the national culture through architecture and arts

was Juscelino Kubitschek, who was the mayor of

Belo Horizonte, the capital city of Minas Gerais state,

and he decides to build a body of works around the Pampulha lake,

a city expansion area, and he invites the then young architect

Oscar Niemeyer who conceives five projects in different programs

among them the small church of Saint Francis of Assisi, a work to

become a new national reference for a sacred place (fig. 8).

The space is configured under a wide nave with arched cover and just like

in the colonial churches three minor spaces appear under the arches

opposite to the entrance to support the daily activities of the temple.

In the part turned to the lake, there is the main entrance with a cantilever

completed by the tower with a bell balancing vertical and horizontal lines.

The project relied on the participation of plastic artist Candido Portinari

in internal and external murals and a sequence of watercolors for via sacra.

The church which is the symbol of the city took 20 years

to be consecrated by local ecclesiastical authorities, because

its artistic panels were told to be of profane inspiration and it was conceived

by a communist and atheist architect, something unimaginable in times of

strong ideological polarization between political rightist and leftist trends.

The Pampulha complex features, in addition to the famous little church,

the Ballroom, formerly a party parlor, now an architecture and design gallery;

Pampulha Casino, now Museum of Modern Art, and the

Yacht Club, a private recreational institution for nautical practices.

The four differentiated buildings and architectural programs turned to

sacred, parties, entertainment (now culture) and sports,

suggested the standards of a new modern society,

surging in the optimism of the time and as history itself says,

‘invented the Brazilian modern architecture’ which is afterwards

recognized and advertised all over the planet.

The same public figure, JK, and the same architect Niemeyer work together once again to create the new federal capital, Brasilia, in the 1960’s.

Lucio Costa’s urban plan calls for the esplanade of ministries, in a

suggested complementarity between politics and religion, power and faith.

Metropolitan Cathedral (fig. 9) shows from the first sketches of the architect

the search for spiritual and superior in the ascending columns which define

the interior and open room for light entering through colorful glass windows.

Repeated columns make up a circular space, full of light.

The period in which Brasilia was constructed is associated with

the start of national industrialization, automotive and steelmaking,

the construction of the first large highways and telecommunications networks,

the worldwide recognition of the Brazilian music, through Bossa Nova,

sports successes in football, bringing a new self-esteem

and a sense of unit and identity to the young nation being formed.

There are many other examples of modernist sacred spaces in the country,

but we should highlight the Chapel of the Administrative Center of Bahia

in the city of Salvador, designed by architect João Filgueiras Lima, Lelé,

recognized for his sensitive work with pre-fabricated structures,

a kind of strategy at first inappropriate for the conception of a temple.

In the case, the proposition of a kind of concrete petal defines the space

through the circular repetition of the same module in variable heights.

Light enters through spaces left by such generating elements (fig. 10).

Lelé is now one of the main Brazilian architects, his lessons and works

reconcile the sensuality of the early days of the country’s modern architecture

– which questioned the hardness of European rationalism and functionalism –

to aspects of constructive sustainability, environmental comfort,

conscious use of materials, energy conservation and transference of concepts and attitudes toward the environment.

Equally defining an original approach is the project for

Chapel of Santana do Pé do Morro, conceived by architect Éolo Maia

in a rural area next to a colonial mansion, site to an old farm,

which becomes a place for reception and events of a steel company,

an activity of major importance for the regional economy.

The material produced by the company is featured as a structural element

involving the ruins of an old chapel that existed in the place (fig. 11).

Thin oxidized steel pillars make up room for glazed open spaces

which also feature wooden ornaments

referencing traditional techniques in the colonial architecture

of Ouro Preto, not distant from Ouro Branco where the chapel is.

In this project, the blend of past and present happens smoothly through

the involvement that the current structure promotes over the centenary.

The innocent character, even precarious, of the old construction is maintained

in the new building resulting from metal profiles with no finishing

revealing the divestment of a spiritual attitude, profound and simple.

This temple is protected by the national heritage service for bringing

in a unique and contemporary manner the religious spirit of the state,

and for blending geography, local materials and history times in a skilled way.

As from the 1980’s in the state of Minas Gerais, Éolo Maia has been the most

prominent figure of the architectural movement known as ‘Post-Brasilia’

which proposed a revision to the exhausted precepts of modernism,

to the sterility of the international style, to the country’s rediscovery

by blending memories and new technologies

in a possible utopia which announces the matters of the 21st century.

The small Chapel of Airs (fig. 12) that I designed in the city of Lagoa Santa

for the Brazilian Aeronautical Campus perhaps proposes that blend.

Defined by two continuous concrete shells which allow air to flow,

and sided by two transparent planes in the north and south faces, it suggests,

through the integrating figure of an airplane, the reason of the Campus,

the meeting between distances, between cardinal points,

between languages, between nations, between the rich and the poor,

the past and future, between the simple life and the widespread justice.

In a world with increasingly more proximity brought by digital networks

and phenomena of our times of global communication, we live in

a dilemma and we ask ourselves about the future every day, whether the attitudes that we take today will ensure better days for those who will come.

In this context, religion may surge as an aggregating factor

of cultures and creeds around the idea of sacred and divine,

but it may also generate disagreements and hate

giving place to conflicts between brothers, dividing races and territories.

We are anxiously waiting for times of ecumenical peace, of tolerance,

of multicultural dialogue which will definitely integrate the planet,

respecting and learning from the differences between peoples.

João Diniz, December 2009

Legend for the images:

Fig. 1 – First Mass in Brazil, painting by Vitor Meirelles, 1860

Fig. 2 – Indigenous peoples and open air celebration.

Fig. 3 – Congado and rites in the urban space

Fig. 4 – Candomble and the simplicity of worship spaces

Fig. 5 – Ouro Preto, city of many churches

Fig. 6 – Church of Saint Francis of Assisi, in Ouro Preto

Fig. 7 – Church of the Rosary of the Black Men, in Ouro Preto

Fig. 8 – Church of Saint Francis of Assisi, Pampulha, Belo Horizonte

Fig. 9 – Metropolitan Cathedral in Brasilia

Fig. 10 – Chapel of Administrative Center of Bahia, Salvador

Fig. 11 – Chapel of Santana do Pé do Morro, Ouro Branco, Minas Gerais

Fig. 12 – Chapel of Airs, Lagoa Santa, Minas Gerais

o espírito trans

transArquitetura é uma disciplina proposta por João Diniz voltada aos interessados em uma formação multimidia, aberta e não especializada, e não somente a profissionais e estudantes de arquitetura.

De toda forma ela acrescenta também à formação em arquitetura, urbanismo e design, experimentos nas áreas da poesia/literatura, fotografia, vídeo-arte, desenho, pintura, cenografia, escultura, consciência crítica/corporal/espiritual e também a exploração de ambientes sônicos e da música.

Este blog é um local para reflexão e divulgação de trabalhos, dentro deste espírito interdisciplinar, produzidos pelo escritório de projetos JDArq, pelo projeto multimídia Pterodata, por experiências acadêmicas em curso e por iniciativas pessoais de João Diniz, funcionando mais como um depositário de arquivos e idéias afins, já produzidos ou em fase de produção, do que um registro cronológico e sequencial.

A grande intenção é o diálogo e a abertura de novos canais de comunicação, então o seu comentário e contato será sempre importante.